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A vida difícil de um diretor financeiro

A vida difícil de um diretor financeiro

Num cenário de crise como o atual, o diretor financeiro assume-se como uma figura estratégica para as organizações.
01.07.2010 | Por Maribela Freitas


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Se as finanças são a sua área de trabalho de eleição e gostava de um dia vir a ser diretor financeiro de uma empresa, saiba que esta não é uma tarefa fácil. Em épocas de crise estes profissionais ganham peso na organização, mas o seu espaço de manobra, a autonomia na tomada de decisões e a importância do trabalho realizado variam consoante a empresa onde se integram.

Cinco responsáveis pelas finanças de empresas nacionais e multinacionais juntaram-se esta semana em torno de uma mesa de pequeno-almoço no Hotel Ritz, em Lisboa, para debater o papel do diretor financeiro em cenário de crise. A iniciativa foi organizada pelo Expresso Emprego, em parceria com a empresa de recursos humanos Michael Page Internacional e contou com Nicolau Santos, diretor-adjunto do Expresso, como moderador. O dia-a-dia desta profissão foi escalpelizado pelo olho clínico destes especialistas.

André Cid é diretor administrativo-financeiro da Cushman&Wakefield e na sua perspetiva os diretores financeiros são o garante da saúde da empresa. Definem orçamentos, estudam situações e em épocas de crise como a atual, são chamados a «fazer uma análise transversal da atividade e dos custos da organização e a definir o que é supérfluo ou menos fundamental. O seu grande papel é o de apontar soluções e fazer com que elas cheguem a bom porto» , salienta.

Dito assim até parece fácil, mas na realidade a função de diretor financeiro é tudo menos simples. É nos tempos de crise que estes profissionais trabalham com mais autonomia. «No passado os diretores financeiros eram as pessoas com menor importância na organização. Nesta fase de maior dificuldade passam a ser chamados a contribuir mais como um parceiro estratégico de negócio perante os CEO e os diretores» , revela José Évora, diretor financeiro das Páginas Amarelas S.A.. Na prática, esta função tem vindo a evoluir de «um pouco mais de contabilista para parceiro de negócio» , acrescenta.

Mas para que a função de diretor financeiro não perca a sua importância na estrutura, seja ou não tempo de crise, o profissional tem de encontrar o seu papel na organização. «São chamados a apagar fogos e quando deixa de haver picos a área financeira volta a ter um papel secundário» , conta Tiago Travassos, Chief Financial Officer (CFO) da EDF Energies Nouvelles. Acrescenta que os diretores financeiros devem construir um espaço de influência dentro da organização, para ter uma voz que seja escutada em qualquer situação da vida empresarial. «Ter ou não espaço de manobra para mexer com as organizações tem a ver com os diretores financeiros construírem esse espaço para si» , finaliza.

A realidade de trabalho de um diretor financeiro muda com a dimensão da empresa que o emprega. Da sua experiência de trabalho, Ricardo Castro, CFO da Constatino através de um fundo de private equity, conta que «numa empresa familiar o diretor financeiro ou não existe ou tem pouca importância. Se a sua projeção cresce é porque a organização começa a ter maior dimensão» .

E nunca este profissional se deve fechar na sua redoma de números. «Deve ser uma pessoa acessível e explicar transversalmente as suas decisões. Na crise o diretor financeiro é o porto seguro da empresa» , revela Cristiano Ferreira, diretor financeiro da Ferring. Para o bem geral é bom que a informação flua entre os colegas de trabalho e se estes perceberem as decisões, podem contribuir mais facilmente para o seu sucesso.

Os pequenos-almoços do Expresso Emprego e da Michael Page International foram criados para comemorar os dez anos da presença em Portugal desta empresa de recursos humanos. Nos próximos meses esta iniciativa irá ser repetida, com outros temas a debate.



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