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A gestão da liberdade

A Accenture acaba de divulgar um polémico estudo que defende que o grande trunfo das empresas para reter os seus talentos é dar-lhes liberdade para saírem
25.09.2008


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Maribela Freitas
O talento é fundamental para as empresas e seu desenvolvimento. Nos tempos actuais, a maioria das organizações enfrenta grandes dificuldades em atrair e manter os mais capazes nos seus quadros. No entender da Accenture, é preciso repensar as estratégias de retenção. A organização defende a polémica estratégia de que se as empresas pretendem que os melhores executivos permaneçam na sua estrutura, devem dar-lhes condições para sair.

O estudo ‘Repense a retenção' — o mais recente da série de estudos da Accenture sobre a gestão do talento — foi recentemente apresentado e defende que para reter os seus quadros executivos as empresas devem dar-lhes liberdade para saírem. E por mais paradoxal que esta ideia possa ser, é para a consultora uma das principais soluções para as organizações que no sistema global se deparam com dificuldades em reter o talento. Mais ainda num mundo cada vez mais multipolar, com múltiplos centros económicos ao nível do tecido laboral e empresarial.

A pesquisa efectuada pela Accenture foi executada com base num inquérito realizado a 120 executivos de mais de 70 empresas, a quem foi colocado um conjunto de perguntas para determinar, por exemplo, quanto tempo pretendiam ficar no sítio onde trabalham e os factores que influenciam essa intenção. A consultora chegou a interessantes conclusões.

Para a Accenture e na competição global que se vive actualmente pelos melhores, as empresas devem mudar de estratégia e atrair continuamente os seus talentos. A antiga abordagem de segurança no emprego e de carreiras longas, já não é eficiente. O que funciona actualmente é uma abordagem focada na empregabilidade, que quando bem implementada, pode persuadir as pessoas talentosas a quererem ficar na empresa. “A nossa pesquisa revela que as companhias que querem manter os seus talentos devem oferecer amplas oportunidades para eles aumentarem a sua empregabilidade e avançar com as suas carreiras”, refere a Accenture. Isto porque as pessoas estão mais inclinadas a permanecer quando percebem que as oportunidades e experiências que estão a ter com o seu actual empregador expandem as suas opções de carreira.

Apesar do aumento do seu valor e empregabilidade no mercado de trabalho, os executivos e directores parecem estar inclinados a manter uma relação de beneficio mútuo com os seus empregadores. “Paradoxalmente, quanto mais uma companhia equipa os seus executivos para partirem, mais eles querem ficar”, acrescenta o estudo da consultora.

A maioria das organizações já tem a noção de que precisam investir nos seus talentos e dar-lhes experiências de trabalho importantes, amplas oportunidades de aprenderem e se desenvolverem, bem como opções de carreira atractivas, mesmo que esse investimento torne a sua força de trabalho mais atractiva e de valor para outras organizações. No entanto, nem sempre esta noção é bem executada por parte das empresas. Na pesquisa da Accenture, apenas um terço dos executivos estava muito satisfeito com as acções da sua empregadora no sentido de lhes aumentar a empregabilidade. Apenas um quarto estava muito satisfeito com as oportunidades de carreira dentro da empresa em que trabalham.

As organizações têm assim de começar a agir rapidamente no sentido de satisfazer profissionalmente os seus talentos, senão correm o risco de os perderem.

Os benefícios para as organizações de providenciarem amplas oportunidades aos seus executivos para adquirem novos conhecimentos e experiências, de desenvolver diversas competências e expandir a sua rede de contactos profissional, vão além da retenção do talento. Na prática, o investimento nos colaboradores irá expandir as capacidades da organização como um todo e melhorar a sua «performance». “Este é um passo crucial para criar uma organização poderosa em termos de talento e atingir um alto desempenho”, conclui o estudo da Accenture.





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