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A aposta no auto-emprego

04.04.2003


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Cátia Mateus

Durante três dias, todos os caminhos foram dar à cidade Invicta. O Mercado Ferreira Borges e o Palácio da Bolsa, no Porto, foram palco da Feira do Empreendedor. Uma iniciativa com a marca ANJE que voltou a registar "lotação esgotada"







Portugal continua (pouco) empreendedor

A CIDADE do Porto voltou a acolher a Feira do Empreendedor. A edição deste ano, a sexta, mais do que assumir um papel pedagógico procurou apresentar-se como uma ponte para a criação do auto-emprego, como "arma" de combate aos despedimentos que têm vindo assolar o país.

A Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), a entidade organizadora, fez o convite e a comunidade aderiu em massa.
Durante os três dias do evento, todos os caminhos foram dar ao Mercado Ferreira Borges, no Porto, onde decorria a feira subordinada ao tema "Mercado Global".

Paralelamente aos 1600 metros quadrados dedicados às "ideias inovadoras e boas oportunidades", o Palácio da Bolsa recebia (do outro lado da estrada) 40 homens de negócios de vários ramos do tecido empresarial nacional, prontos para partilharem a sua experiência com os jovens empreendedores ali presentes. Um certame de sucesso que encerra com "chave de ouro" o mandato de Manuel Fernandes Thomaz à frente da ANJE.

Ana Gonzaga tem 23 anos, uma licenciatura em Direito, e acredita que o seu destino passa pelo mundo empresarial. Por isso, foi uma das muitas pessoas que insistiu em marcar presença nas várias conferências que integravam o programa do evento. É a terceira vez que visita a Feira do Empreendedor, sempre em busca de novidade e de "coragem para dar o passo rumo à criação de uma empresa". Sim, porque para Ana Gonzaga "ser empresário é antes de mais ter coragem para arriscar".

Diz a jovem que, "o principal contributo desta feira são as conferências que promove. A exposição ajuda, dá-nos uma dimensão do mercado e das oportunidades existentes, mas as conferências são muito importantes na medida em que abordam, de uma forma muito prática, as principais dúvidas de quem quer criar uma empresa".

Na realidade, embora o recinto da feira tenha sido bastante concorrido, as extensas filas concentravam-se no Palácio da Bolsa onde decorriam as conferências (ver caixa). Conseguir um lugar sentado para assistir às cerca de 30 intervenções previstas revelou-se uma tarefa hercúlea. Muitos foram os que enfrentaram filas para conseguir uma senha que lhes daria direito à tão invejada cadeira. Outros, apanhados desprevenidos, acabaram por ficar de pé.

Todos os anos é assim e, nos corredores do imponente edifício que o majestoso rio Douro envolve, as conversas giram em torno de um só ponto: "se isto acontece sempre e já sabem que nunca cabe toda a gente, porque não escolhem um espaço maior?".

Sofia Sousa é uma das descontentes. Chegou tarde demais e já não conseguiu senha para um lugar sentado. "Nas duas primeiras conferências ainda fiquei de pé, mas agora vou-me embora", lamenta. Sofia é uma das muitas vítimas que o desemprego já causou este ano em Portugal. Tem 27 anos de idade, é licenciada em Engenharia e sabe que os seus quatro anos de experiência profissional já lhe conferem alguma vantagem.

Contudo, assegura que "está mais do que na hora de criar a minha própria empresa". Para Sofia Sousa, "esta Feira surge na melhor altura. Com o desemprego, há muita gente a procurar criar pequenos negócios como tábua de salvação".

Empresário em tempo de crise

Mesmo assim, Sofia Sousa sabe que é um risco apostar na criação de uma empresa em tempo de crise. Um risco que, assegura, "vale a pena correr. Ficar parada e à mercê das limitações do mercado de trabalho é que não é boa política. Não quero criar uma multinacional e sim o meu auto-emprego".

E foi também a pensar nestes casos que a ANJE delineou a edição deste ano da Feira do Empreendedor. Neste local - o que apresenta maior número de ideias e oportunidades por metro quadrado - os negócios são organizados como uma cidade interactiva.

São muitas as ruas a percorrer e convém não ter receio de "atravessar" a estrada. Da Rua das Oportunidades de Negócio (onde estão presentes as oportunidades de "franchising") até à Rua da Criação de Empresas (dominada por instituições que apoiam as "start-ups") é apenas um pulo. Mas para um debate de ideias alargado, não há como parar na Praça Pública ou beber um sumo natural na Praça da Alimentação.

Afinal, para Manuel Fernandes Thomaz, presidente da ANJE, "este é o espaço perfeito para encetar relações profissionais privilegiadas, seja com potenciais franqueados, agentes, concessionários, revendedores ou investidores".

É nesta diversidade de espaços e conceitos que, segundo Manuel Fernandes Thomaz, reside parte do sucesso do evento anual. "O conceito da Feira do Empreendedor atrai não só os jovens que querem lançar-se no mundo empresarial como também, estudantes ou empresários com experiência que, por terem pouco tempo para se actualizar, vêm aqui saber o que há de novo", explica visivelmente satisfeito com a adesão que a VI Edição da Feira alcançou.

Uma adesão que para Manuel Fernandes Thomaz, "não se sustenta no facto de enfrentarmos um momento de crise e despedimentos". Aliás, "é nesta alturas que as pessoas mais se coíbem de criar empresas". Para o homem que colocou o "empreendedorismo" na boca dos portugueses, "o sucesso desta edição significa que a sociedade em geral está a compreender a importância do conceito e do espírito de iniciativa".





Portugal continua (pouco) empreendedor

TRÊS dias, 30 conferências, 40 oradores, profissionais especializados em distintas áreas do universo empresarial português. Este bem poderia ser o "cartão de visita" para as conferências paralelas à Feira do Empreendedor. Seria sem dúvida aliciante, mas não foi necessário tal "chamariz".

As duas salas do Palácio da Bolsa destinadas ao evento não chegaram para receber todos aqueles que queriam "aprender" com a experiência de quem há vários anos dá cartas no mundo empresarial.

Talvez por isso mesmo uma das intervenções mais concorridas tenha sido a de Luís Alves Monteiro, gestor do Programa Operacional da Economia. Em cerca de uma hora de intervenção, o responsável passou em revista os programas em vigor para o apoio à criação de empresas, mas traçou também o panorama do empreendedorismo a nível nacional e internacional.

E em Portugal o panorama não é animador: "Cerca de 62% dos portugueses confessam nunca terem tido a ideia de criar um negócio, 24% já pensaram no assunto e 14% iniciaram a criação da sua própria empresa", explica o gestor. Os dados têm por base o "Enterpreneurship, Flash Eurobarometer" e são citados por Luís Alves Monteiro para explicar o panorama nacional em matéria de empreendedorismo.

De acordo com o responsável, embora a actividade empreendedora seja dinamizadora da competitividade, crescimento económico, criação de emprego e reforço da coesão económica e social, "existem no país dois grandes obstáculos à criação de empresas: falta de suporte financeiro e complexidade dos procedimentos administrativos".

Luís Alves Monteiro recorre novamente ao estudo para ilustrar os riscos mais temidos na criação de uma empresa. Em Portugal não há margem para dúvidas: "47% temem o insucesso financeiro, 43% não avançam com medo de perder os bens, 32% receiam a incerteza face ao rendimento, 23% têm medo do insucesso pessoal, 19% temem a incerteza face ao emprego e 7% acreditam que um negócio próprio carece de muito tempo e energia".

Face a estas estatísticas, o responsável conclui que 53% dos portugueses não iniciaram um negócio pelo risco de fracasso. Uma realidade que o vasto leque de conferências tentou ajudar a inverter. Em três dias, discutiu-se de tudo um pouco.

Desde ideias de negócio à opção do "franchising", passando pela elaboração de planos de negócio, estratégias para negociar com a banca, até aos mecanismos de apoio à criação do próprio emprego, no Palácio da Bolsa a palavra de ordem foi: partilhar conhecimentos para promover o empreendedorismo.

E para que nada caia no esquecimento, a ANJE disponibilizará brevemente no seu sítio (www.anje.pt) as intervenções dos vários especialistas convidados.

 


 





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