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Uma aposta na produtividade

11.04.2003


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Ruben Eiras

COM cerca de 209 acidentes de trabalho em 2002, Portugal ainda permanece como um dos líderes da sinistralidade laboral na UE. Isto apesar da descida de 74% em relação a 2001 (280 acidentes). O sector da construção civil continua a deter os números mais negros, com cerca de 97 acidentes de trabalho.

Os resultados desta situação, já comprovados por inúmeros estudos, são elevados níveis de absentismo e baixa produtividade. A causa, segundo denunciou João Veiga e Moura, presidente do Instituto para a Inspecção e Desenvolvimento das Condições de Trabalho (IDICT) - numa entrevista ao EXPRESSO Emprego realizada há duas semanas - é o desinvestimento dos empresários portugueses na segurança e saúde dos seus trabalhadores.

Um meio eficaz para mudar esta cultura empresarial é mostrar aos empregadores, por meio de estimativas financeiras ou económicas, não só os custos totais dos acidentes mas também as vantagens decorrentes da sua prevenção. Portanto, a aposta num sistema de avaliação e prevenção dos custos dos acidentes de trabalho revela-se estratégica para a competitividade e produtividade empresariais.

A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (OSHA) elaborou recentemente um relatório com um inventário sobre os custos socioeconómicos dos acidentes laborais, no qual discrimina os custos ocultos, os que podem ser facilmente quantificáveis e os que apenas podem ser expressos em termos qualitativos.

Segundo aquela investigação, a prevenção de acidentes de trabalho, lesões e doenças laborais reduz os custos e contribui para melhorar o desempenho da empresa. É que uma força laboral saudável é mais produtiva e a qualidade do seu trabalho pode ser superior.

Além disso, menos acidentes e doenças relacionados com o trabalho significam menos faltas por doença, o que se traduz numa diminuição dos custos e no minimizar das paragens no ciclo de produção.

Do lado da organização, quando os equipamentos e um ambiente laboral são convenientemente adequados às necessidades do processo produtivo e a respectiva manutenção assegurada, aumenta a produtividade, melhora a qualidade e reduz-se os riscos de saúde e segurança.

O documento da agência europeia sugere que a melhor forma para calcular os custos dos acidentes de trabalho é a elaboração de uma avaliação económica, que poderá ser realizada a nível do trabalhador, da empresa e da sociedade.

Neste plano, o inventário da OSHA contém um conjunto mínimo de factores de custo, os quais são susceptíveis de serem complementados ou alterados consoante o objectivo da avaliação ou a estrutura da segurança social, por exemplo, num dado país (ver tabela).

A estimativa da repercussão dos custos dos acidentes deve ser realizada de forma gradual, dado que alguns dos efeitos dos acidentes podem ser facilmente traduzíveis em dinheiro. Todavia, factores como acidentes mortais, baixas por doença e rotação de pessoal requerem uma análise mais aprofundada.

Os resultados obtidos a partir destes cálculos deverão sustentar o processo de tomada de decisões, mas a avaliação do sistema é crucial para construir uma cultura de prevenção de riscos laborais na empresa. O relatório da OSHA salienta que os factores de custo e os princípios nos quais se baseia o cálculo deverão ser ajustados de acordo com a prática nacional de cada Estado-membro.

Em alguns casos, é possível calcular um rácio custo-benefício da prevenção de acidente laborais. A OSHA refere que uma recente campanha austríaca de sensibilização à prevenção das quedas no trabalho, realizada a nível nacional, reduziu este tipo de sinistralidade em 10%. O rácio desta iniciativa foi de 1:6, significando que a rentabilidade foi de seis euros por cada euro investido.



 





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