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63% dos portugueses ganham menos de 900 euros

63% dos portugueses ganham menos de 900 euros

Os portugueses estão a perder direitos em nome da austeridade. Um estudo agora divulgado, da autoria do economista Eugénio Rosa, revela que quase dois terços dos trabalhadores portugueses vivem com um salário inferior a 900 euros mensais. Uma realidade que pode ainda agravar-se com a redução do valor do subsídio de desemprego que, para os especialistas, obrigará os futuros desempregados aceitar trabalhar por menos dinheiro.
24.05.2012 | Por Cátia Mateus


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O índice de satisfação dos portugueses medido em finais de 2011 voltou a cair, assim como os níveis de lealdade e envolvimento dos profissionais, que estão hoje ao mesmo nível que em 2005, segundo o Observatório Nacional dos Recursos Humanos. A cair estão também os salários. O custo do trabalho por hora, em Portugal, avançou apenas 0,8%, ficando muito aquém da média europeia de 2,7%. Um cenário sombrio que o economista Eugénio Rosa vem agora confirmar. No seu estudo “Um ano de troika e de Governo PSD/CDS para os trabalhadores”, o especialista concluí que 1,3 milhões de trabalhadores portugueses recebem um salário mensal líquido inferior a 600 euros, dois terços dos portugueses ganham menos de 900 e o rendimento do trabalho em Portugal deverá ainda reduzir 3,1%, segundo as contas de Bruxelas. Na administração pública a redução poderá chegar aos 14%.

No estudo que agora divulga, Eugénio Rosa compara os dados do primeiro trimestre de 2011 com os de igual período deste ano. A conclusão é evidente: num só ano e, à luz dos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) foram destruídos em Portugal 203,5 mil empregos. O equivalente a 558 desempregados a cada dia. Um número que se agravou já no primeiro trimestre de 2012. Para Eugénio Rosa, a par com o crescimento do desemprego, os portugueses estão a sofrer com os cortes salariais. “Portugal, um país de baixos salários, está a transformar-se num país de salários ainda mais baixos, pois o peso percentual dos trabalhadores com baixas remunerações está a aumentar e a percentagem de colaboradores com salários elevados, a diminuir”, explica o economista, remetendo para as estatísticas do INE.

Segundo os dados publicados pelo instituto, a percentagem de trabalhadores a receber salários líquidos inferiores a 310 euros mensais aumentou de 3,7% para 4%. As remunerações entre 310 e 600 euros, subiram de 31,1% para 31,5 e entre 600 e 900 euros, passou de 26,8% para 27,9. o total conjunto destes três escalões cresceu, de 2011 para 2012, de 61,6% para 63,5%. Inversamente, e no mesmo período, os dados do INE dão conta de uma importante redução na percentagem de trabalhadores com salários líquidos mais elevados. A percentagem de profissionais com salários líquidos entre 2500 e 3000 euros mensais diminuiu em 19,8% e a de trabalhadores com salários superiores a 3000 euros sofreu também uma redução de 19%.

Diz Eugénio Rosa que a precisão é que esta tendência se agrave ainda mais, já que “segundo as previsões da primavera de 2012 da Comissão europeia, divulgadas este mês, os salários nominais deverão descer em Portugal 3,1%, que se junta um forte aumento do IRS, superior a 723 milhões de euros, determinado pela diminuição significativa de muitas deduções no IRS que tinham os rendimentos do trabalho”. O economista não tem dúvidas de que os efeitos destas medidas serão sentidos, sobretudo, aquando o pagamento do IRS referente aos rendimentos auferidos em 2012 e que isto reduzirá ainda mais os salários dos trabalhadores portugueses.

E para o autor do estudo, quem trabalha em Portugal não perde só nesta frente. 2012 é, efetivamente, um ano de mais trabalho por menos dinheiro. Isto porque “as funções sociais (saúde, educação, segurança social) que se podem considerar como um salário indireto para os trabalhadores, sofreram também cortes muito grandes o que está a provocar a degradação dos serviços públicos e fortes restrições no direito ao seu acesso”, enfatiza Eugénio Rosa.

Tão ou mais preocupante do que estes números é, para o economista, o disparar do desemprego qualificado e de longa duração. O número de profissionais desempregados há mais de um ano já representa 50% do desemprego oficial e o Governo está a braços com uma escalada do desemprego que é difícil de controlar e não deverá conseguir inverter a curto prazo (ver caixa).

Álvaro Santos Pereira, o ministro da Economia, reconhece o problema e as dificuldades em ultrapassá-lo. Esta semana, por ocasião da apresentação da medida Estímulo 2012 - que segundo ministro já criou quatro mil postos de trabalho em dois meses - Álvaro Santos Pereira anunciou que “o Instituto de Emprego e Formação Profissional tem indicações para dar prioridade máxima ao caso específico das famílias em que ambos os elementos se encontrem no desemprego”. Mas acrescentou que a prioridade é combater o problema de forma global e “intensificar as políticas ativas de emprego e de ataque ao desemprego através da formação, qualificação e da reabilitação do ensino técnico-profissional”.

Um mercado laboral dos mais flexíveis da Europa

Por mais contraditório que possa parecer quando a taxa de desemprego nacional supera todas as estimativas expectáveis, o Banco de Portugal divulga um estudo que revela que afinal Portugal tem um dos mercados laborais mais flexíveis da Europa. Segundo o documento, nos últimos dez anos, em média, por cada 100 empregos criados no país há 200 contratos, a prazo ou permanentes, que são efetuados. O relatório coloca Portugal ao mesmo nível da Finlândia e de Espanha.

À luz da média anual calculada entre 2001 e 2011, para 147 mil empregos criados no país foram celebrados 267 mil contratos. A taxa de contratação das empresas, na média dos dez anos considerados no estudo, foi de cerca de 8,9% do emprego total. O que equivale ao dobro da taxa de criação de emprego e comprova que por cada emprego criado há em média duas contratações, logo há quebra de vínculos e noca contratação. O documento do Banco de Portugal atribui a flexibilidade do mercado nacional aos trabalhadores ditos precários.

Mas para a OCDE, os dados não são tão lineares e o país continua a ser o segunto na lista dos que têm maior rigidez no mercado de trabalho, em muito devido ao seu índice de desemprego de longa duração que representa 52,3% do desemprego total. E também para a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o combate ao flagelo do desemprego não se vislumbra fácil. A OIT prevê que o país possa ainda chegar aos 900 mil desempregados no próximo ano, antes de entrar em rota de recuperação, superando assim a fasquia dos 16% de desemprego.

O desemprego jovem é o alerta máximo, mas não apenas em Portugal. A OIT revela que o desemprego histórico entre os jovens europeus não deverá descer antes de 2016. Há 75 milhões de jovens entre os 15 e os 24 anos sem trabalho e a Europa é, segundo a OIT, uma das regiões mais afetadas por este problema.



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