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Macau quer portugueses altamente especializados

Macau quer portugueses altamente especializados

Macau atraiu os portugueses no século XVI e continua a atraí-los hoje. Se há território que materializa uma miscelanea de culturas é este. Em Macau convivem várias nacionalidades e profissionais de vários pontos do mundo. O território continua a dar prioridade à contratação dos seus naturais, mas há também múltiplas oportunidades para estrangeiros.
24.05.2012 | Por Cátia Mateus e Maribela Freitas


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Para muitos, Macau é o porto de abrigo dos portugueses a Oriente. E se a expressão fez sentido ao longo da história, o presente não é exceção. Macau está novamente na rota de conquista dos portugueses, deste vez em matéria laboral. São cada vez mais os profissionais que procuram fintar a crise de emprego que afeta Portugal e também a Europa apostando neste território, onde só o turismo e a hotelaria asseguram milhares de postos de trabalho.

O território de Macau não excede uma área de 29,7 quilómetros quadrados e a sua população totalizava em março deste ano 562.900 habitantes. O território é desde dezembro de 1999 uma Região Administrativa Especial da China e a sua economia está fortemente dependente do turismo, com particular incidência no sector do jogo. Uma dinâmica que atrai a Macau profissionais de todo o mundo, em busca de uma oportunidade laboral num sector que é considerado como um dos mais nobres. Só no primeiro trimestre deste ano foram autorizados a residir no território (condição essencial para lá poderem trabalhar) 815 imigrantes chineses e 556 indivíduos de outras nacionalidades. Entre estes estão também portugueses que encontram em Macau oportunidades em diversas áreas.

A empresa de recrutamento Egor, liderou recentemente um processo de recrutamento de advogados para o território, onde a legislação ainda está baseada na portuguesa gerando por isso, segundo Ana Cardoso, diretora do Grupo Egor, “fortes oportunidades para os licenciados em Direito”. No decorrer deste processo a responsável da Egor constatou a existência de uma comunidade portuguesa muito coesa no território e um interesse muito grande dos profissionais portugueses - sobretudo os quadros mais seniores - em trabalhar no território. Para Ana Cardoso é nítido que “este é um mercado muito interessante a explorar pelos profissionais lusos, com muitas oportunidades, muito embora as condições de remuneração sejam similares às de Portugal (talvez ligeiramente superiores)”.

Mas para Sara Alves, HR Senior Consultant da MyJobs, a empresa de recursos humanos do Grupo Pessoas e Soluções, que recentemente abriu uma delegação em Macau fruto da crescente dinâmica do território, há outros sectores que geram igualmente emprego. “Há ainda oportunidades para os advogados portugueses porque a legislação ainda está baseada na nossa, mas o cenário pode estar a mudar tendo em conta que Macau já está a colocar no mercado os seus primeiros licenciados em advocacia chinesa”, explica a especialista que adianta que “uma grande parte das sociedades de advogados que operam em Macau, são de portugueses e recrutam sobretudo com base no seu próprio networking”.

O mesmo já não sucede com os arquitetos, que continuam a encontrar boas oportunidades de enriquecimento curricular e profissional no território, e com os engenheiros e profissionais mais técnicos que também têm boas vagas em Macau. O território tem uma enorme dinâmica na construção, sobretudo associada à indústria hoteleira e turística, o que pode beneficiar ambos os perfis.

Até porque, como refere Sara Alves, as contratações para Macau gozam de uma especificidade muito própria. “O território é de oportunidades, mas nas contratações são privilegiados os profissionais locais, por questões linguísticas. sobretudo para as funções que impliquem o contacto com o público”, explica. Em Macau vigoram como idiomas oficiais o chinês e o português, sendo o inglês muito utilizado como língua de negócios. Mas a especialista explica que as oportunidades “para os profissionais portugueses são sobretudo para funções de backoffice, que não impliquem uma comunicação direta com público”.

Entre os perfis portugueses mais recrutados para Macau estão igualmente os ligados à gestão hoteleira, economia e finanças, com colocação sobretudo na área do jogo. No território existem atualmente 35 casinos e uma extensa diversidade de estruturas hoteleiras. No final de 2011, Macau tinha para preencher 2274 vagas de emprego na área das lotarias e outros jogos de aposta, segundo a Direção dos Serviços de Estatística e Censos de Macau. Só o casino Veneza, um dos maiores do território, tem atualmente na sua página online perto de 250 ofertas de trabalho, nas mais diversas áreas. Entre os requisitos que se colocam aos candidatos estão a detenção de habilitações académicas equivalentes ao ensino secundário ou de nível superior, bem como o domínio da língua inglesa e também, para funções que impliquem o contacto com o público, o cantonense e o mandarim. Razão pela qual, não será descabido para os portugueses que tenham como aspiração trabalhar neste território investir na aprendizagem do idioma. E são já várias as instituições em Portugal que o possibilitam, desde instituições de ensino superior até à Casa de Macau, onde há cursos livres de cultura e língua chinesa.

Estar em casa no Oriente
Apesar de ficar na outra ponta do mundo, um português que chega a Macau sente que de certa forma está em casa. O nome das ruas, lojas e demais edifícios está escrito na língua de Camões. Mas embora isto facilite a adaptação, a realidade não é tão cor-de-rosa e as barreiras reais também existem, não só linguísticas como também culturais. Saber cantonense ou mandarim é importante para se fazer entender na rua, apanhar um táxi ou um autocarro. Os transportes públicos são baratos, para os padrões portugueses, mas se não falar o idioma deve lembrar-se de levar escrito em mandarim o local para onde se quer dirigir, ou dificilmente sairá do mesmo sítio pois os taxistas não dominam o inglês.

Os portugueses não precisam de visto para entrar no território. No entanto, o limite máximo de permanência é de 90 dias e é obrigatório ter um passaporte válido até seis meses. Se pretender residir em Macau deve dirigir-se aos serviços competentes para efeitos de residência. Geralmente é requerida a prova de um emprego qualificado para a obtenção desta autorização. Os não residentes necessitam de um visto de trabalho válido para laborar no território. Aconselha-se sempre o pedido de informações atualizadas sobre este assunto aos serviços diplomáticos.

A hora local regista um avanço de oito horas em relação ao meridiano de Greenwich no verão e sete horas no inverno. O jet-lag é uma realidade para quem vai de Portugal e deve contar com alguns dias para que o corpo se habitue a novos horários e ao clima que é bastante quente e húmido, com a maior parte das caraterísticas dos climas tropicais.

A etiqueta é algo muito sério para os chineses e há que conhecer alguns dos princípios porque se regem. Por exemplo, há um grande respeito pela idade e hierarquia. Não deve também levante a voz, nem corrigir algo de errado a alguém na presença de terceiros. Guarde todas as críticas para as fazer em privado, de forma discreta e com muito tato. Em interação ou negociações de trabalho deve estar ciente de que os chineses são introvertidos e muitas vezes não dizem um “não” diretamente, como um ocidental faria. Em vez disso, afirmações como “não estou certo”, “talvez” ou “veremos” podem significar um redondo “não”. Para tornar o “talvez” num “sim”, expresse o seu pedido e dê algum tempo para o seu interlocutor pensar. Macau é um sítio seguro para se andar na rua e a presença policial é visível. Se perder o passaporte ou outra identificação, deve avisar de imediato a polícia e os serviços consulares.

O território dispõe de uma moderna rede de cuidados de saúde, com hospitais e centros de saúde, existindo médicos de língua portuguesa nalguns sectores. Para além da medicina ocidental, existem mestres de medicina tradicional chinesa. Quanto à educação e se tiver filhos, saiba que existem escolas portuguesas no território. A pataca é a moeda oficial de Macau, sendo que dez patacas correspondem, grosso modo, a um euro.

 



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