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"Homo Tecnologicus"

25.11.2005


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Marisa Antunes

FLUÊNCIA em inglês, espanhol e francês, grande predisposição para contínua aprendizagem e conhecimentos sólidos em áreas sociais como gestão, marketing e inovação, além, é claro, da formação específica na área tecnológica. Este é perfil ideal do tecnólogo traçado por alguns especialistas contactados pelo EXPRESSO, na semana em que o Governo aprovou o ambicioso Plano Tecnológico em Conselho de Ministros.

«Quem pára de se actualizar nesta área fica completamente obsoleto. Os profissionais tecnológicos devem ter curiosidade mental para aprender, fundamental para acompanhar a permanente evolução das tecnologias de informação, pois os impossíveis de há dois anos são os possíveis do actualmente», aponta Ana Luísa Teixeira, administradora executiva da multinacional de «executive search», MRI WorldWide.

António Brandão Moniz, docente de Sociologia Industrial da Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade Nova de Lisboa, lembra que as empresas sob a égide do Plano Tecnológico irão absorver essencialmente quem sai dos politécnicos, das ciências de engenharia. «Em algumas actividades haverá recurso a competências mais avançadas, sendo então fundamental a licenciatura, com mestrado integrado, em cursos como a Matemática, a Gestão da Inovação, as engenharias electrotécnica, física, química, entre outras. Em áreas mais restritas, com competências ainda mais avançadas, serão então necessárias as especializações, mas a nível de doutoramentos como por exemplo a Bioengenharia, Micro-Electrónica ou Materiais Compósitos», realça o professor.

Especializações ainda com predominância masculina mas em perspectiva de mudança. «Numa primeira fase, a maioria serão homens, mas num período relativamente curto – entre cinco a dez anos – a maioria serão mulheres. Isso deve-se ao facto de os cursos tecnológicos terem tendencialmente mais mulheres que homens que os terminam com sucesso. Antes isso acontecia apenas nos cursos de humanidades e ciências sociais, mas hoje essa tendência estende-se também aos cursos de ciências e de engenharias», defende António Brandão Moniz.

Ter uma boa fluência em inglês é outro dos requisitos-base mencionado pelos especialistas para quem quer singrar nos novos desafios impostos pelo Plano Tecnológico. «Mas terão mais vantagens os que, adicionalmente, falarem ainda espanhol, francês ou alemão», reforça o professor da Nova.

Aliás, a complementaridade de conhecimentos foi uma das características mais citadas. O director do Instituto de Investigação da Universidade de Aveiro, Francisco Cardoso Vaz lembra que «o tecnólogo formado deve ter também outras valências». «Não basta o inglês, é preciso formação complementar em marketing, em comunicação, que lhe permita fazer face às exigências dos novos desafios».

Rui Moura, presidente da Associação Portuguesa de Sociologia Industrial das Organizações e do Trabalho (APSIOT), corrobora: «Na sociedade industrial, apesar do peso sufocante do Estado Novo, saímo-nos menos mal, porque ainda nos situamos entre os trinta países mais desenvolvidos do mundo. Na sociedade do conhecimento, porém, as nossas lacunas serão muito maiores e, por isso, é necessário desenvolver uma estratégia capaz de estimular um novo perfil produtivo – ou ‘servuctivo’, se tivermos em conta que o foco no produto foi desviado para o foco no serviço».

«Esse caminho leva-nos à necessidade de preparar ‘profissionais do conhecimento’. São requeridos, por exemplo, conhecimentos em planificação e avaliação de projectos, em tecnologias de informação e comunicação, negociação e resolução de problemas, gestão de redes de conhecimento e a recorrência a uma perspectiva de aprendizagem ao longo da vida que leve os profissionais do conhecimento a manterem-se informados através de autoformação»
, acrescenta.

Ana Luísa Teixeira refere ainda uma mais-valia muito valorizada pelos empregadores: «Os cursos e a certificação técnica dada pelos fabricantes destas novas tecnologias é algo que as universidades não conseguem acompanhar, pois as actualizações são constantes».

Ter mais idade não é incompatível com as novas exigências impostas pelo Plano Tecnológico. «Há pessoas com mais idade com uma atitude de pesquisa contínua e outros, mais jovens, que se acomodam completamente», sublinha a responsável da MRI WorldWide.




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