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Vinho inspira novos negócios

O que têm em comum a WideColour, a Casa de Mouraz e a «Vines and Wines»? São empresas nacionais que encontraram na vinicultura uma área de negócio onde vale a pena investir e com potencial de expansão
03.08.2007


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Cátia Mateus e Marisa Antunes
As novas gerações de empreendedores estão a trilhar caminhos alternativos no sector dos vinhos, apostando em negócios inovadores capazes de fazer a diferença e de dar o grande “empurrão” que já o guru de gestão, Michael Porter preconizava no seu diagnóstico, lembrando que o importante mesmo é a aposta na qualidade e profissionalização deste mercado. Da consultoria à produção de vinho biológico, passando por modernas tecnologias que permitem optimizar a maturação das vinhas, são muitos os profissionais lusos que estão decididos a fazer do néctar dos deuses uma área de actvidade com futuro no país.

A empresa «Vines and Wines» faz parte deste grupo. Conhecem-se “desde o berço” como gosta de dizer um dos três sócios da «Vines and Wines Consultores Lda.», João Gouveia. Mas só há cinco anos resolveram juntar a sua bagagem académica e profissional e criar uma empresa de prestação de serviços a vitivinicultores.

“Cada um de nós fazia várias consultadorias nas áreas da viticultura e da enologia. Pensámos que teríamos muito a ganhar com a união de esforços, de conhecimentos e de experiências, além de ser vantajoso em termos de resposta rápida aos clientes. Foi assim que surgiu a nossa empresa que trabalha em quase todas as regiões vitivinícolas de Portugal”, resume o engenheiro e enólogo João Gouveia.

Na prática, fazem um acompanhamento muito próximo desde a concepção até à produção do vinho como explica Miguel Oliveira, outro sócio da empresa: “Ajudamos os proprietários a posicionarem-se no mercado, tendo em conta a imagem, o conceito e o padrão que querem transmitir com o seu produto”.

“Tentamos fazer brilhar aquele vinho específico num determinado mercado. Procuramos o seu potencial máximo”, reforça ainda Carlos Silva, que completa o trio da Wines. E fazê-lo “brilhar” implica respeitar mil e um detalhes desde a poda à exposição solar, do controlo da maturação até à selecção das castas, passando ainda pela duração do estágio e o tipo de carvalho utilizado nas barricas que conservam o vinho. O pormenor vai até ao cálculo do dia exacto para a vindima, um trabalho que segue um mapa onde se controla, dia sim, dia não, a maturação da uva, desde a cor aos taninos, tudo para se conseguir perceber qual o dia “óptimo” para a colheita.

“E o grande golpe de magia está no lote final, é aí que está toda a mestria e que implica ainda provas frequentes ao longo de todo o estágio”, salienta ainda Carlos Silva. Como sublinha o enólogo, “cada casa tem diferentes exposições da sua vinha, altitudes, diferentes quantidades de castas, idade das vinhas, diferentes tipos de condução da vinha, e por sua vez tem também diferentes metodologias de vinificação e estágio. Todos estes factores podem ser geridos de forma a elaborar o melhor perfil diferenciador onde é respeitada a genuinidade de cada casa mas sempre de encontro com os estilos que o mercado exigente procura”.

Este tipo de consultoria tem cada vez mais procura por parte dos vitivinicultores portugueses até porque, como salienta João Gouveia, “o vinho está muito ligado a quem produz”. “Ao contrário de outras bebidas como a cerveja ou do whisky que se consome sem pensar quem as fez, o vinho é muito associado ao produtor e à sua equipa, onde se incluem os enólogos”, reforça o especialista. Nos vinhos biológicos da Casa de Mouraz, a consultoria representou, de facto, uma parte importante de todo o processo de fabrico, devidamente reforçada com uma grande dose de paixão.

O casal António Ribeiro e Sara Dionísio deu uma autêntica reviravolta na sua vida quando tomou a opção de rumar às origens e apostar num sonho que António mantinha desde pequeno: explorar, de forma profissional, a propriedade da família e criar uma marca própria de vinho produzido através do método biológico.

António que tem formação em Direito e Sara que era professora de dança criativa deixaram Lisboa há sete anos e agora dedicam-se a tempo inteiro, com a ajuda de César Augusto, o braço-direito do casal, à produção e comercialização do néctar em mais de 12 hectares de terra que se estendem em Mouraz, no concelho de Tondela.

O cultivo biológico foi desde logo uma opção de António Ribeiro, acima de tudo, por uma questão de respeito ecológico. “Só usamos produtos naturais, que não entram na seiva da planta. Todas as vinhas que integram a Casa de Mouraz são cultivadas, desde o início dos anos 90, de forma ecológica sem herbicidas e agroquímicos de síntese”, reforça Sara, que assume as funções de directora de comunicação da empresa.

A fertilização dos solos é feita com base em adubos verdes (sementeiras de plantas enriquecedoras do solo como o tremoço e a aveia) e as ervas são controladamente toleradas o que permite o aparecimento de uma flora espontânea rica e diversificada, como o trevo ou a ervilhaca, que contribuem com elementos essenciais e permitem manter a humidade da terra. Como explicam ainda os proprietários, não existindo uma prática regular de adubações superficiais as raízes são obrigadas a procurar bem fundo na terra os elementos que necessitam e isso tem consequências ao nível da especificidade dos vinhos, dadas pelas características da rocha-mãe de cada parcela.

Tanto empenho e cuidado acaba por ser devidamente recompensado: o mercado estrangeiro que absorve 90% da produção (principalmente Alemanha, Inglaterra, Suíça e EUA) tem crescido todos os anos cerca de 50%.

O vinho tem também um papel de destaque na WideColour, uma empresa que nasceu em Março como «spin-off» da Universidade do Minho. Os investigadores Tiago Ferreira, Paulo Pinto, João Linhares (licenciados em Optometria e Ciências da Visão) e Sérgio Nascimento (doutorado em Visão das Cores) criaram uma empresa que actua na área da imageogafia hiperespectral, aplicada a sectores tão diversos como a arte ou a vinicultura. Por outras palavras, no que toca a este último sector, “a WideColour fornece um mapeamento colorimétrico de toda a área agrícola que possibilita a construção de um mapa de maturação da vinha e, como consequência, possibilita uma melhor definição dos «timings» de vindima ou até a detecção da falta de determinados nutrientes”, explica Tiago Ferreira.

Para o jovem investigador de 23 anos, “esta solução de Agricultura de Precisão representa um importante potencial já que o sector da vitivinicultura está numa fase de transformação e recorre cada vez mais à utilização de novas tecnologias para se desenvolver”. A empresa foi criada há poucos meses e dá agora os primeiros passos no mercado, contando com a colaboração de dois parceiros no desenvolvimento da sua actividade: a Vinália (especializada em soluções de biotecnologia para a vitivinicultura) e a Sinergeo (que actua na área da geologia, hidrogeologia e ambiente).

Até ao final do ano esta empresa, que tem como público-alvo os grandes e médios produtores e proprietários vitivinícolas, prevê contratar três pessoas, numa lógica de crescimento ponderado que nem por isso deixa de lado a meta da internacionalização. “Queremos apostar nos mercados internacionais, não apenas com este serviço, mas com outros já no próximo ano”, adianta Tiago Ferreira que explica que “a estratégia de crescimento da WideColour irá sempre passar pela investigação e desenvolvimento de novas tecnologias e diferentes aplicações”.





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