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Vencer na adversidade

05.02.2005


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Cátia Mateus e Ruben Eiras

A CRISE económica pode constituir uma óptima janela de oportunidade para a criação de um negócio de sucesso. Com efeito, estes momentos propiciam a construção das vantagens competitivas que colhem as melhores safras dos ciclos de crescimento económico.



De acordo com Teresa Damásio, directora do «Projecto Empreendedor» da Universidade Lusófona, estas fases de contraciclo da economia tornam o investimento menos oneroso «porque os custos produtivos estão em baixa». Todavia, esta conjuntura não exclui o cumprimento da cartilha dos princípios básicos da viabilidade de um negócio: criar produtos e serviços inovadores, que respondam às necessidades ou que criem novas necessidades aos consumidores. «Há que identificar sempre carências de mercado e défices entre procura e oferta», sublinha.

Segundo aquela especialista, os empreendedores, no cômputo geral, caracterizam-se por serem pessoas inovadoras e criativas na concepção dos produtos, autodidactas — ao procurarem uma formação contínua para melhorar as competências necessárias para gerir a sua empresa — e focados na utilização de metodologias. O EXPRESSO encontrou três equipas de jovens empresários com este perfil que resolveram dar o golpe na crise.

A instabilidade política e a frágil conjuntura económica que caracterizou 2004 não impediu que Tiago Forjaz, Patrícia Luz e Pedro Brito materializassem a sua vontade de criar uma empresa. Deixaram para trás uma condição económica estável sustentada por um emprego por conta de outrem, investiram 50 mil euros e desafiaram as mentes mais pessimistas ao criar, em Novembro de 2004, a Jason Associates, uma empresa de «executive search» centrada na gestão de talento no segmento de «high potential middle managment».

«Os momentos de crise são boas fontes de oportunidade». sublinha Tiago Forjaz, responsável da empresa. Acredita que neste, como noutros projectos, «o factor diferenciação é sempre a melhor forma de abordar o mercado com uma atitude positiva». Aquele responsável adianta que «uma conjuntura de crise pode até ser o melhor momento para uma empresa redefinir a sua estratégia de abordagem ao mercado porque o nível de exigência é mais elevado e as rupturas criam sempre novas oportunidades, assim haja capacidade de adaptação».

Em época de crise, todas as empresas procuram cortar custos em todos os processos do negócio. Foi com base nesta leitura económica que Rodrigo Pestana e Pedro Teixeira, os dois sócios da Berro, decidiram, em 2004, atacar o mercado português com soluções informáticas construídas em fontes «open-source», isto é, «software» de códigos abertos e disponíveis livremente por várias comunidades de técnicos informáticos espalhadas na «web» mundial.

«Não se pode ficar parado numa altura de crise!», reverbera Rodrigo Pestana, com 30 anos, a frequentar a licenciatura de arquitectura na Universidade Lusíada. Para este empreendedor, é nesta fase do ciclo económico que se deve investir para conseguir uma posição confortável no mercado. «Assim, quando a economia arrancar, já estamos em vantagem — temos é de estar preparados para agarrar as oportunidades quando há poucos para as agarrar», sublinha.

Esta atitude empreendedora fez com que, a partir de um investimento de 5000€, efectuado em 2004, se tivesse atingido uma facturação de 50.000€ ao fim do primeiro ano de actividade. A Berro tem como alguns clientes o grupo hoteleiro Porto Bay e Agência Regional de Energia da Madeira. Recentemente a empresa criou o splash.pt, um portal focado no negócio do entretenimento móvel baseado em telemóveis.

A visão da oportunidade de mercado, apesar da conjuntura de crise, foi o factor que impulsionou Manuel Barroso, 27 anos, técnico de sistemas informáticos, e Pedro Faria, 34 anos, engenheiro publicitário, a apostar na criação da PetEmotions — uma empresa especializada na distribuição de alimentos e acessórios e serviços para animais de companhia. «Não achamos que haja alturas melhores ou piores para os negócios», afirma convictamente Manuel Barroso. «Qualquer altura é a certa para se pensar no negócio, desde que sejam analisados pontos fracos e fortes, e o planeamento do futuro é essencial», acrescenta.

«São muitos os exemplos conhecidos de negócios que nasceram em tempo de crise e floresceram», reforça Pedro Faria. Para este empreendedor, há sempre oportunidades, «tudo depende da forma como se enfrenta a realidade e da capacidade para transformar ameaças em oportunidades».

A PetEmotions apostou, e ganhou. Os primeiros números, aliás, são reveladores: de mês para mês a facturação está a crescer acima dos 100%.

 

As etapas de um negócio

A criação de uma empresa envolve um método rigoroso que o empreendedor deve observar. Em épocas de crise, cumprir estas etapas com rigor é ainda mais importante.

1º A Ideia: ao estruturar a ideia deve considerar aspectos como a oportunidade do negócio, a situação do mercado, a concorrência, os recursos financeiros

e humanos necessários, os processos de fabrico e os meios tecnológicos.

2º Análise de Mercado: se já definiu com exactidão a sua ideia, este é o momento de analisar todas as condicionantes do mercado. Procure responder às seguintes questões:

O produto/serviço que quer comercializar é único? Quem serão os clientes? Qual a dimensão do mercado? Qual a concorrência e suas cotas de mercado? O negócio tem potencialidades de crescimento?

3º Orçamento: o sucesso de implantação de uma empresa depende dos orçamentos e do seu cumprimento. A estimativa de custos é uma etapa fundamental.

4º Elaboração do Plano de Negócios:o Plano de Negócios permite analisar a viabilidade do projecto empresarial.Deve conter: análise de mercado, plano de investimentos, fontes de financiamento, plano de tesouraria e rentabilidade do projecto.

5º Seleccione a sua fonte de financiamento: pode optar, essencialmente, por capital próprio, crédito bancário ou capital de risco.

6º Constituição da Empresa: é o momento da burocracia. Primeiro escolha a forma jurídica da sua empresa, depois procure um Centro de Formalidades de Empresa. Peça o Certificado de Admissibilidade de firma e o Cartão Provisório de Identificação de Pessoa Colectiva; marque e célebre Escritura Pública; solicite a Declaração do Início de Actividade; requisite o Registo Comercial; inscreva-se na Segurança Social e no cadastro Comercial ou Industrial.

7º Abertura do Negócio: após cumprir todas as fases está pronto para iniciar a actividade da sua empresa. Aposte na promoção da firma e recrute as pessoas certas.

 

 

 

 

 





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