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Um negócio com toque de exotismo

04.04.2003


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Maribela Freitas

FOI em plena lua-de-mel na Tailândia que João e Delfina Viegas decidiram criar uma empresa que se dedicasse a importar artigos exóticos, nomeadamente artesanato. Voltaram para Portugal, meteram "mãos à obra" e deixaram os empregos estáveis que tinham, para se dedicarem a tempo inteiro ao desejo de ter um projecto seu.


 




Conselhos práticos para o 'franchising'



Tudo isto aconteceu há dez anos, altura em que deram início à empresa Mercado dos Sonhos, sedeada no Feijó. A empresa cresceu, extravasou a importação e hoje dedica-se à criação, desenvolvimento e gestão de redes de "franchising", em áreas como o mobiliário, decoração e acessórios. O que vem provar que é possível realizar os sonhos e que, por vezes, tomam proporções que à partida seria difícil idealizar.

"A mercado dos sonhos começou como uma empresa de importação. Na altura em que estávamos à procura de um espaço para localizar o escritório e armazém, encontrámos um local onde, além dessas valências, poderíamos juntar uma loja. Foi aí que abrimos a Loja das Viagens, que vendia artesanato, acessórios de decoração e mobiliário rústico", explica João Viegas.

O conceito subjacente a esta loja foi um sucesso e constituiu a primeira marca criada por estes empreendedores. "A Loja das Viagens tinha todas as condições para ser franchisada, pois tinha um conceito, embalagem e 'design' próprios, bem como toda uma filosofia empresarial por trás. Muito rapidamente acabámos por criar uma cadeia destas lojas", recorda o empresário.

Mas, com todas as lojas que abriram posteriormente no país com conceitos muito semelhantes ao desenvolvido na Loja das Viagens, "o conceito gastou-se", explicam estes empreendedores. "Estamos agora numa fase de remodelação das lojas e de busca de novos mercados".

Há cerca de três anos, João e Delfina Viegas criaram uma nova marca, a Lune Bleu, dedicada ao ramo dos acessórios de moda. Analisaram o mercado, verificaram o que já existia neste sector e desenvolveram o seu próprio conceito.

"As lojas da Lune Bleu foram desenvolvidas com uma imagem de decoração gráfica, embalagens próprias, etc., de forma a não permitir confusões entre o nosso espaço e o de outras redes a actuar no mercado", salienta João Viegas. Mais uma vez esta marca foi um sucesso - neste momento contam já com cerca de 40 franchisados.

Quando decidiram criar um negócio próprio, João e Delfina Viegas optaram por se entregar de corpo e alma ao projecto. Deixaram os empregos, de director criativo e "account", respectivamente, na área da publicidade, e embarcaram na aventura de criar uma empresa. "Tínhamos um grande desejo de mudar de vida", explicam, e foi o que fizeram.

Para avançarem com o projecto empresarial recorreram a capitais próprios. Actualmente possuem sete lojas suas e dão emprego a 40 pessoas. E mantêm o entusiasmo inicial, confessando que a actividade profissional que abraçaram "é muito gratificante".

Além das lojas já desenvolvidas em Portugal, a Mercado dos Sonhos está a passar por uma fase de internacionalização dos seus "franchisings". "Muitas vezes as oportunidades surgem por acaso. Há que ter rapidez em analisá-las, para ver se são ou não interessantes, e só depois avançar", salienta João Viegas.

Neste momento, a Mercado dos Sonhos abriu duas lojas da Lune Bleu em Angola, uma outra em Ayamonte, e prepara-se para continuar a investir em Espanha. Em breve abrirá novos espaços na Suécia e na Dinamarca. O segredo está "na adaptação aos mercados onde se implanta os espaços comerciais", comenta o empreendedor.

No futuro, João e Delfina Viegas, com 57 e 39 anos, respectivamente, querem ainda desenvolver mais uma marca, numa área diferente. Abriram já uma loja-piloto - Mente sã, aromas e bem-estar - na área da aromoterapia, que estão neste momento a testar para avaliar a viabilidade.

Quanto à Lune Bleu, querem aumentar a implantação em Portugal, apostar noutras localizações e "continuar a desenvolver produtos próprios e diferenciados", salienta João Viegas.



Conselhos práticos para o 'franchising'

CRIAR um negócio na área da decoração e dos acessórios de moda, seja como franchisador ou franchisado, não é tão fácil como pode parecer à primeira vista.

É por isso que João Viegas deixa alguns concelhos a quem quer investir nesta área. "O empresário que queira criar um 'franchising', tem primeiro de verificar se o seu negócio tem características ímpares e diferenciadoras", explica.

Na prática, há que criar algo que diferencie esse negócio e que seja de fácil memorização para o público, por isso este empreendedor considera que "o nome e a marca, são muito importantes". De seguida e depois destes primeiros passos, João Viegas aconselha a que a imagem do "franchising" que se está a criar, desde a embalagem até à marca, seja entregue a profissionais, pois todos os pormenores são importantes, na medida em que muitas vezes são eles que fazem a diferença num negócio.

Acrescenta ainda que "o empresário tem também de perceber se o negócio funciona, se depois de franchisado se consegue manter a mesma qualidade e características do produto e se o conceito pode ser implantado em qualquer zona do país".

Para os futuros franchisados, João Viegas deixa também alguns conselhos.
"Antes de apostar num negócio destes o investidor tem de perceber que ganha por pertencer a uma rede mas também perde. Por isso, é necessário que o futuro empreendedor analise o seu temperamento, para saber se se adapta a esta situação. Como mais-valias de apostar num 'franchising', o empresário ganha um bom conhecimento do mercado, uma mais fácil implantação, mas perde a sua liberdade. Há que analisar bem a situação antes de se avançar para ela", finaliza João Viegas.



 





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