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UE apoia mulheres empresárias

18.03.2005


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Cátia Mateus

AS MULHERES criam empresas de menor dimensão mas relativamente mais viáveis e com menor taxa de insucesso. A conclusão é avançada num relatório da União Europeia (UE) recentemente divulgado sobre o empreendedorismo feminino nos seus países-membros.

O mesmo documento revela que, na Europa, o número de mulheres empresárias ainda é baixo quando comparado com o sexo masculino. Entre as causas para este panorama o relatório refere as dificuldades na conciliação das obrigações empresariais e familiares, a discriminação e os preconceitos sociais, as lacunas de informação e a carência de estruturas de apoio à iniciativa empresarial.

A UE reconhece as mulheres, os jovens e as minorias étnicas como grupos empresariais com necessidades de apoio específicas. Por isso definiu como prioridade a adopção de estratégias de fomento à iniciativa empresarial nestes grupos, com particular incidência no feminino, o de maior dimensão.

Apesar desta directiva, o relatório da EU reconhece que, «embora existam casos de boas práticas, em grande parte dos países a aplicação das medidas e os seus resultados ficam ainda aquém das expectativas».

Em Portugal, são vários os programas em curso que incluem o apoio financeiro, a formação, a prestação de serviços de consultoria e, até, a incubação de empresas (ver caixa em baixo). Mas para os responsáveis das associações empresariais, por melhores que sejam os resultados, a mudança de mentalidades é o grande desafio.

Para Anabela Pereira da Silva, presidente da Associação Portuguesa das Mulheres Empresárias (APME), «a sociedade portuguesa ainda é muito preconceituosa em relação às mulheres empresárias e às suas competências de liderança, chefia e até gestão». Uma mentalidade com impactos directos, por exemplo, no financiamento para criação de empresas. Segundo a presidente da APME, «é muito mais complicado para uma mulher do que para um homem financiar-se junto da banca». A responsável afirma que «as mulheres são implicitamente penalizadas na estrutura da análise de risco, independentemente do valor e potencialidades do seu projecto». Uma penalização que diz ser acrescida «tratando-se de mulheres viúvas, divorciadas ou com menores a seu cargo».

Talvez por isso, para a presidente das mulheres empresárias seja descabido o rótulo de discriminatório muitas vezes atribuído às prioridades definidas pela EU nesta matéria. Para Anabela Silva, «trata-se de reconhecer um problema e de tentar resolvê-lo com medidas de acção positiva, como tantas outras, destinadas a eliminar barreiras existentes».
Fragilidades a superar

Uma opinião partilhada por Armindo Monteiro, presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), que considera que, «face a situações em que as fragilidades e os problemas são tantos, é imprescindível criar condições de igualdade». Para Armindo Monteiro, «há que apoiar a compatibilização entre os papéis de mulher empresária e de mãe. Só assim a mulher terá espaço para empreender e não será forçada a sacrificar a carreira para ter família».

A pensar nestes casos, a ANJE vai abrir brevemente, na Foz do Douro, o Pólo Promotor de Acolhimento, Apoio e Formação de Jovens Mulheres (PIAF). A estrutura inclui uma incubadora de empresas, um centro de formação, um centro de apoio ao emprego, uma cantina e um jardim-de-infância onde as empreendedoras poderão deixar as suas crianças.

Mas, para António Henriques, presidente do Instituto de Fomento e Desenvolvimento do Empreendedorismo em Portugal (IFDEP), «também é importante fazer as mulheres acreditarem na igualdade das suas capacidades empresariais para gerir lucrativamente uma empresa». Este responsável adianta que, para isto, «é fundamental apoiar não apenas as mulheres na criação da empresa mas dar visibilidade aos seus projectos, para que sirvam de motivação e dêem confiança a outras empreendedoras».

 

Tome Nota

  • Jovens Empreendedoras para Novas Empresas (ANJE)
  • Oportunidade M - Empreendedorismo Feminino no Vale do Ave (Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Ave)
  • FAME - Formação Avançada para Mulheres Empresárias (IFDEP)
  • Projecto Dona Empresa (APME)
  • Empreendedoras de Sucesso(Centro de Inovação Empresarial da Beira Interior)
  • Mulher Activa 2005 (Centro de Inovação Empresarial da Beira Interior)
  • Mulheres Empreendedoras (Oficina da Inovação)

 





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