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UBI quer lançar licenciatura em cinema

06.06.2003


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João Barreiros

A COVILHÃ está empenhada em tornar-se um pólo de atracção de investimentos na área do cinema, procurando contrariar a tendência de os produtores se concentrarem nas grandes cidades do litoral, nomeadamente em Lisboa e no Porto.


Um dos instrumentos que serão utilizados para concretizar esta estratégia é a licenciatura em cinema, que arranca no próximo ano lectivo, na Universidade da Beira Interior (UBI).

Trata-se de uma aposta da Faculdade de Artes e Letras, aproveitando as suas capacidades instaladas no tratamento do audiovisual e os conhecimentos teóricos de alguns dos seus docentes.

Com esta iniciativa, a UBI torna-se a primeira escola pública portuguesa a possuir uma licenciatura deste tipo, apesar do interesse que outras instituições têm demonstrado pelos estudos nesta área.

O curso tem cadeiras comuns a outras licenciaturas, dividindo-se posteriormente em três grandes áreas: realização, guionismo, edição e sonoplastia, que corresponderão, de alguma forma, aos principais interesses do mercado, facilitando a colocação dos alunos em postos de trabalho deste sector.

São vários os objectivos do curso, desde logo formar profissionais com competências teóricas e técnicas nesta área, "contribuir para o desenvolvimento do cinema português e consequente afirmação da identidade nacional" e "formar investigadores e críticos cinematográficos capazes de pensar o cinema na sua autonomia e respectivas intervenções no espaço cultural".

As saídas profissionais incluem, além das empresas do audiovisual, o ensino, a investigação e a consultadoria nesta área, estando os alunos particularmente habilitados para exercer funções de análise e de crítica cinematográfica, pelos conhecimentos técnicos e teóricos disponibilizados pelo curso.

Nesta altura ainda não é conhecido o número de vagas para o primeiro ano, uma vez que o Governo solicitou às universidades que reduzissem globalmente a sua oferta em cerca de dez por cento, como forma de equilibrar as contas e de diminuir os cursos com poucos alunos. Por essa razão a Universidade da Beira Interior está ainda a tentar estabelecer com o Ministério da Ciência e do Ensino Superior um número razoável de vagas para esta licenciatura.

Recorde-se que a Covilhã tem uma afinidade bastante grande com o cinema, ali existindo uma das mais conhecidas associações cinematográficas do país, o Cine Clube da Beira Interior.

Qualificar o ensino

Para o presidente desta instituição, "nunca foi prestada a devida atenção ao ensino do cinema em Portugal, ao contrário do que acontece em Espanha, onde há grande dinamismo em torno dos cursos superiores de cinema, com resultados visíveis".

Frederico Lopes, que é também docente da UBI e um dos entusiastas desta iniciativa da universidade, sustenta que a reflexão e a crítica sobre o cinema são essenciais para o desenvolvimento das competências de quem trabalha no sector, "apesar de os bons realizadores se poderem formar vendo filmes e lendo sobre as questões do cinema".

O presidente do Cine Clube da Beira Interior espera que a licenciatura em cinema possa captar investimentos, não apenas de Portugal mas também do estrangeiro, e admite que, no médio prazo, "possam partir da Covilhã técnicos especializados para outros mercados".

Essencial, na opinião de Frederico Lopes, é garantir que os alunos tenham as condições de trabalho mínimas à realização deste curso, sabendo-se que, em termos financeiros, a criação de uma licenciatura em cinema é relativamente exigente.





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