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Terra perdida

A agricultura tem vindo a perder trabalhadores e não há quem os queira substituir
24.03.2006


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Fernanda Pedro/ Maribela Freitas e Marisa Antunes
Nos últimos dois anos a agricultura portuguesa tem vindo a perder, em média, todos os meses, cerca de 800 trabalhadores. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, entre o quarto trimestre de 2003 e período homólogo de 2005, este sector diminuiu de 521 mil para 501 mil pessoas.


«Mas esta redução do emprego não veio gerar desemprego, pois o abandono deve-se essencialmente a pessoas que entretanto morreram ou se reformaram», realça Lima Santos, professor de Economia Rural no Instituto Superior de Agronomia, da Universidade Técnica de Lisboa.

A saída dos mais velhos não é compensada pela renovação de sangue novo. «A área média de exploração não consegue gerar rendimento suficientemente atractivo para fixar os mais jovens. E os grandes empregadores não querem contratar pessoas com um grau académico superior, uma vez que eles próprios não o têm», acrescenta o especialista. «Apesar de não existir capacidade de absorção do mercado, cerca de uma vintena de universidades e politécnicos estatais, de norte a sul do país, continuam a formar todos os anos centenas de jovens», critica ainda Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal.

Para os licenciados uma das vias possíveis de emprego é a criação do seu próprio negócio. Contudo, e segundo Firmino Cordeiro, presidente da Associação dos Jovens Agricultores Portugueses, «Portugal tem a taxa mais baixa de jovens agricultores da União Europeia, cerca de 3% do total dos activos do sector».

Mas se os licenciados têm dificuldade de integração no mercado de trabalho, o mesmo não se passa com as profissões intermédias. Patrícia Monteiro, directora da Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Cister, garante que os cerca de 25 alunos que terminam anualmente um curso técnico-profissional nesta escola têm emprego garantido. «O mercado pretende trabalhadores qualificados em determinadas áreas e os nossos alunos são quase todos absorvidos pelas empresas locais», conclui a responsável.





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