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Temporários conquistam empresas

23.05.2003


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Fernanda Pedro

CERCA de um terço dos funcionários da Microsoft desenvolvem a sua actividade em regime de trabalho temporário (TT). Neste momento entre cinco a seis mil pessoas trabalham nestas condições.


Em meados dos anos 90 a multinacional norte-americana alterou os seus estatutos internos de regulação do TT limitando os contratos de trabalho de TT a 12 meses. Apesar disso, muitos dos funcionários a trabalham há mais de 14 anos não viram a sua situação alterada.

Depois de um processo instaurado em 1992, só em 2000 foi resolvida a situação com o pagamento da empresa de cerca de 97 milhões de dólares (cerca de 110 milhões de euros) de indemnizações a todos os trabalhadores temporários.

Hoje a Microsoft tem a sua situação resolvida e os seus trabalhadores temporários estão legalmente integrados. Este é apenas um caso de uma empresa que se deixou tentar pela flexibilidade oferecida pelo trabalho temporário e contornar a lei. Um cenário que ainda campeia em Portugal, mas a legalidade começa a ganhar terreno.

Trabalho à medida

De acordo com os especialistas contactados pelo EXPRESSO, o recurso ao TT é positivo para a gestão empresarial, porque na maioria das empresas a produção está sujeita a diversos factores e variações, como a sazonalidade ou flutuações conjunturais do ambiente macroeconómico.

Essas variações impossibilitam às empresas de cumprirem à risca o planeamento e cronogramas estabelecidos. Mas não só. As encomendas extraordinários e o absentismo por motivo de doença, acidente, licença de maternidade e férias também contribuem para aumentar o nível de incerteza.

Neste panorama, o TT surge para o empresário como uma óptima opção, a fim de adequar o fluxo de mão-de-obra ao ritmo de produção, com menor custo. Por isso, o trabalho temporário acaba por se afirmar devido à sua relação custo-benefício. É que a empresa utilizadora não só pode findar o contrato sem custos de indemnização, como também transforma o custo fixo em variável.

Em Portugal, o recurso ao TT por parte dos empresários tem sido cada vez mais frequente. "O trabalho temporário é útil para a organização de tarefas rotineiras de curta duração ou em funções mais especializadas em que a empresa tenha a possibilidade de passar o trabalhador para os quadros. Neste contexto, o TT é utilizado como período de avaliação de uma futura relação profissional duradoura", explica Viriato Barreira, director de Recursos Humanos da Nextiraone, empresa na área das Tecnologias de Informação e Comunicação (antiga Alcatel).

De acordo com este responsável, o principal problema de se recorrer a esta forma de trabalho reside no facto de "os trabalhadores contratados não se sentirem ligados à organização uma vez que para eles a função desempenhada é encarada como uma 'passagem'. Esta situação foi mais notória algum tempo atrás em que o mercado se encontrava quase em pleno emprego para este tipo de funções".

O director da Nextiraone considera também que estes trabalhadores não empenham todo o seu potencial uma vez que se sentem exteriores à organização.

Naquela empresa, os trabalhadores temporários geralmente são utilizados em casos de substituição pontual de funcionários em situação de férias e também em situações de acréscimo de trabalho imprevistas e de curta duração.

As funções para onde são contratados são de carácter administrativo "Normalmente estes trabalhadores apresentam reduzida experiência profissional, com escolaridade ao nível do 12º ano ou frequência universitária", discrimina aquele responsável.

A LG Electronics de Portugal também utiliza com frequência trabalhadores temporários, sobretudo na área administrativa, desde escriturários, telefonistas, a secretárias. "Neste momento temos na empresa sete trabalhadores neste regime laboral. Um número que tem subido nos últimos tempos porque estamos num período de acréscimo de produção", revela Luís Lopes, director de Recursos Humanos da LG Electronics no país.

Segundo este responsável, se o aumento de produção continuar estes trabalhadores poderão entrar para os quadros da empresa. "Neste caso, a empresa poderá fazer uma selecção dos profissionais para as funções que necessita. Aqueles que mais se adequarem ao perfil pretendido podem ser os escolhidos", remata Luís Lopes.





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