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Técnicos, profissionais e bem pagos

Não queimaram pestanas durante anos a fio, mas ganham mais do que muitos licenciados e, na maioria dos casos, o desemprego passa-lhes ao lado
10.02.2006


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Cátia Mateus e Marisa Antunes
NÃO é preciso um canudo para subir na vida. São muitos os profissionais no mercado que, apesar de terem apenas uma formação técnica, ganham mais que muitos licenciados. Um chefe de cozinha pode ganhar em Portugal dez mil euros por mês e os electricistas ou os serralheiros mecânicos chegam facilmente aos 2.500 euros. Mas não só. Como revelam os responsáveis de algumas das maiores empresas de trabalho temporário, o mercado quer mas não consegue recrutar todos os efectivos que pretende nas áreas das vendas, manutenção aeronáutica, operação de tráfego aéreo, soldadura, manutenção hidráulica e metalomecânica, operação de suporte técnico em «call-centers», secretariado administrativo, carpintaria e chaparia automóvel e condução de pesados para os circuitos internacionais.


«Existe uma notável falta de profissionais nas áreas da manutenção. De todo o tipo. Dos instrumentistas aos tubistas, passando pelos serralheiros e electricistas de alta e baixa tensão», especifica Luís Gonzaga, director comercial da Select Vedior, líder do sector de trabalho temporário e gestão de recursos humanos. Os cozinheiros de todas as categorias têm também muita procura, «até porque muitos são os que partem para países como a Alemanha, Bélgica ou a Holanda, onde chegam a ganhar o dobro», reforça Luís Gonzaga.

Fausto Airoldi, presidente do Sindicato dos Cozinheiros e Pasteleiros de Portugal, lembra que além da questão remuneratória que os leva a encetar outros voos além-fronteiras, são muitos os que desistem da carreira pouco depois de terminarem a sua formação nas escolas de hotelaria. «Os jovens acham a profissão engraçada no início, mas, ao fim de pouco tempo, começam a achá-la cansativa, pois é necessário trabalhar à noite e aos fins-de-semana», aponta Fausto Airoldi, que é também chefe de cozinha na Bica do Sapato.

Além disso, acrescenta, «existe em Portugal a mania das licenciaturas e que só com uma se consegue ser alguém na vida». Para contornar esta questão, a Inftur, instituto de formação para o turismo, onde Fausto Airoldi é consultor, quer criar um curso de cozinha avançada, com a duração de dois anos após o 12.º ano.

Nuno Pinto tem 31 anos e contrariou a tendência seguida pela maioria dos jovens da sua idade. Optou por não ingressar no ensino superior e, ao invés disso, especializou-se e tornou-se técnico de electricidade e telecomunicações, já lá vão 14 anos. A opção veio a revelar-se acertada, já que falta de trabalho não é um problema. Nuno Pinto reconhece que «actualmente a maioria dos jovens foge destas áreas técnicas, optando por licenciaturas que muitas vezes não garantem emprego».

Há quatro meses tornou-se «franchisado» da Mr. Electric, uma empresa americana especializada na prestação de serviços na área eléctrica, para a qual já colaborava como funcionário há quatro anos. Mas garante que, «mesmo trabalhando por conta de outrem, esta é uma área onde há muita procura e não se ganha mal».

O electricista realça, no entanto, que «ainda se recorre muito à pessoa ‘jeitosa' que percebe alguma coisa e que vai tentar resolver o problema sem oferecer garantias». Uma realidade que diz não dignificar a profissão e afasta os jovens da actividade. O agora empresário acredita mesmo que isto já está a acontecer em áreas como a climatização e canalização e que «atrair os jovens para estas profissões passa pela capacidade de credibilizá-las».

Na Randstad, empresa que conquistou em apenas cinco anos o Top 3 do sector do trabalho temporário, destacam-se, além das profissões já referidas, os técnicos de manutenção aeronáutica. «Estes profissionais podem ganhar entre os 860 e os 2.500 euros e são muito procurados pelo mercado de trabalho», exemplifica Liesbeth Peters, «marketing manager» da Randstad.

Apesar das carências, só a TAP lecciona o curso de iniciação para estes técnicos, na modalidade de aeronaves com peso superior a 5.700 quilos, como refere Vítor Mesquita, do Sindicato de Trabalhadores de Aviação e Aeroportos. «O sindicato apresentou um projecto, que despertou interesse a muitas escolas, para integrar um curso de manutenção aeronáutica entre o 10.º e o 12.ºano, mas continuamos à espera de uma resposta do Instituto Nacional de Aviação Civil», atira o dirigente.

Igualmente bem cotados no mercado estão os profissionais ligados à área comercial. Luís Gonzaga, da Select, lembra que «quanto maior é a crise mais se investe nos vendedores», apesar da componente fixa dos seus salários não exceder um terço do total. «Os técnicos comerciais fazem os seus próprios salários. Mas há muita falta de bons vendedores», acrescenta.

Filipe Godinho, de 31 anos, tem 14 de experiência nesta área. Não nega que é uma carreira aliciante, mas frisa que «há uma certa dificuldade das empresas em reter os seus comerciais». Para Filipe Godinho, «o comercial é o primeiro rosto da empresa, a primeira e muitas vezes única imagem que os clientes têm, daí que seja fundamental a quem quer apostar nesta área ter boas capacidades de comunicação, conhecimentos de línguas (cada vez mais o espanhol) e uma capacidade de adaptação que lhe permita adequar a apresentação de um mesmo produto a diferentes pessoas».

Esta mutação reflecte-se também no nível salarial, com «salários base cada vez mais residuais e as comissões variáveis a assumirem uma importância cada vez maior no vencimento mensal». Para Filipe Godinho, «o futuro desta profissão passa pela capacidade de as empresas apostarem na formação de gestores comerciais — profissionais que acompanham toda ligação comercial entre o cliente e a empresa — e não apenas vendedores ou comerciais interessados em escoar produto».

Os mais procurados

Não têm mais do que uma formação técnica, mas são tão requisitados que não chegam para preencher as necessidades do mercado de trabalho.

Cozinheiros de todas as categorias

Electricistas de alta e baixa tensão

Tubistas, instrumentistas e fresadores

Técnicos comerciais

Operadores de suporte técnico em «call-centers»

Motoristas para circuitos internacionais

Motoristas de transporte de resíduos perigosos

Carpinteiros e chapeiros para sector automóvel

Técnicos de manutenção aeronáutica

Serralheiros, soldadores e torneiros

Secretárias administrativas





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