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Tacos que valem milhões

08.09.2006


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Marisa Antunes MOVIMENTA 1,8 mil milhões de euros anuais, sustenta 100 mil postos de trabalho directo e indirecto e atrai a Portugal 275 mil turistas por ano. Considerado por muitos como o «cluster» económico de maior sucesso no nosso país desde o vinho do Porto, o golfe está a abrir uma imensa janela de oportunidades para quem até agora vivia unicamente do turismo do sol e mar.


"Enquanto a indústria está a deslocalizar serviços e a provocar desemprego, o turismo de golfe em Portugal está a relocalizar. As pessoas que jogam golfe gostam de comer, comprar, gastar. Por isso, neste momento, pode-se dizer que entre quem trabalha directamente nos campos, e aqueles que prestam outro tipo de serviços a estes turistas nos hotéis, restaurantes, agências de viagens e de aluguer de carros, só para citar alguns exemplos, serão cerca de 100 mil postos de trabalho directos e indirectos gerados por esta actividade", realça Fernando Nunes Pedro, presidente-executivo do Conselho Nacional Indústria do Golfe (CNIG), lembrando que só 20% dos gastos dos jogadores estão directamente associados a este desporto, sendo o restante dispendido nos outros serviços turísticos.

Elidérico Viegas, presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) corrobora: "O efeito multiplicador do golfe é de cinco vezes nas outras actividades ligadas ao turismo. O golfista é um turista que tem um poder de compra elevado, que habitualmente vem integrado num grupo de amigos, também golfistas e que fazem despesa. Existe ainda um outro benefício: são pessoas que vêm na época baixa para jogar e regressam depois na época alta ao Algarve, em lazer, com as famílias".

Até há uma década, quando o Verão terminava e os visitantes abandonavam as praias, o Algarve transformava-se num deserto. Agora, desde que o verde dos campos de golfe começou a cobrir a região, o turismo deixou de ser sufocantemente sazonal. Considerado o "Melhor Destino Mundial de Golfe Estabelecido em 2006" pela maior organização internacional desta indústria, o IAGTO (International Association of Golf Tour Operators), o Algarve abarca 32 de um total de 75 campos existentes no nosso país.

A Lusotur Golfes, do grupo de André Jordan, tem dado um contributo importante para este prestigiante posicionamento. Recentemente os cinco campos que o grupo gere em Vilamoura receberam o "Prémio Especial Periodigolf" do jornal espanhol "Madridiario.es", e um deles, o Victoria Clube de Golfe, inaugurado há muito pouco tempo após um investimento de 25 milhões de euros, foi também contemplado com a nota de 18 valores em 20 pela publicação "Peugeot Golf Guide".

"Os nossos campos foram os primeiros do mundo a receber a norma ISO 14001, de certificação ambiental. As nossas regas não são a olhómetro. Temos censores de humidade na relva ligados ao sistema computorizado que faz uma gestão racional e que na prática nos permite poupar 40% de água", enfatiza o administrador-executivo da Lusotur Golfes, António Henriques da Silva.

Para se fazer uma ideia da procura crescente deste tipo de turismo basta dizer que na Lusotur Golfes, que emprega 200 pessoas, os lucros aumentaram 143% nos primeiros seis meses deste ano, atingindo os 2,4 milhões de euros. "Só Vilamoura recebe 70 mil jogadores durante a época baixa o que permite esbater a sazonalidade aqui no Algarve. Há oito anos, era impensável que muitos hotéis da região ficassem lotados em pleno mês de Novembro ou Janeiro", sublinha António Henriques da Silva, que preside ainda à Associação Algarve Golfe.

Principalmente entre Outubro e Novembro, e de Janeiro a Maio, os campos de golfe nacionais enchem-se de estrangeiros. Vêm do Reino Unido, da Irlanda, Alemanha, dos países nórdicos. Onde chove sem parar durante meses a fio e a prática do desporto em campos tão empapados se torna impossível. A mais-valia de Portugal, em especial do Algarve, não se restringe ao sol durante todo o ano. É o clima ameno, sim, mas essencialmente, seco.

Destinos como o Brasil, por exemplo, onde reina o húmido calor tropical deixa os golfistas a suar em bica e literalmente exaustos num curto espaço de tempo, lembra o responsável do CNIG. "O clima em Portugal é o nosso petróleo e apostar no turismo de golfe só irá criar mais emprego. Quem lucra é a nação", enfatiza Fernando Nunes Pedro, lembrando que existem actualmente condições para triplicar o número de campos de golfe para 235.

Para já, os 275 mil golfistas que procuram o nosso país estão a permitir a criação de serviços específicos para a satisfação das suas necessidades. Como relembra Eduardo Abreu, da consultora Neoturis, "o impacto tem sido grande na construção e manutenção dos hotéis e nas outras actividades turísticas, mas não só: existem quadros específicos em várias empresas, como as agências de viagens que só tratam do turismo de golfe. Se não houvesse golfe no Algarve alguns milhares de postos de trabalho estariam em risco após o final do Verão".

Nas Viagens Gheisa, por exemplo, apostou-se forte no turismo de golfe e na definição de programas específicos. "Queremos trazer para cá os golfistas de França, Dinamarca e Suécia, um nicho ainda por explorar e que levou à criação de serviços únicos para quem pratica este desporto", resume Luís Lima, responsável pela empresa, um «franchising» espanhol.





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