Fernanda Pedro
DEPOIS de uma carreira de sucesso até chegar ao
cargo de administrador de empresa de um grupo financeiro, Rui Barroso
de Moura acordou uma manhã e decidiu que iria ser empreendedor.
Deixou para trás um percurso profissional bem sucedido e um óptimo
ordenado para ser patrão de si mesmo. Foi assim que se deu início
à história de Rui Barroso de Moura, que sem ter uma ideia
definida do negócio que iria abraçar aventurou-se no mundo
empresarial e revelou-se um verdadeiro empreendedor compulsivo.
Rui Barroso de Moura contou a sua história durante as jornadas
de empreendedorismo realizadas pela Escola Superior de Ciências
Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal. Neste
evento foram muitos os jovens alunos desta instituição que
procuraram tirar o máximo de informação e de dúvidas
sobre o empreendedorismo.
Desejando ser também eles, no futuro, empreendedores, ouviram e
procuraram saber quais os conselhos que Rui Barroso Moura lhes daria para
se iniciarem no mundo empresarial.
Para este empresário, a principal estratégia para ser um
bom empreendedor é revelar-se essencialmente um bom comunicador,
ter conhecimentos, experiência e contactos. Mas para além
disso, o factor sorte também é importante e "sobretudo
ter atitude, ou seja mesmo que esteja em baixo tem de mostrar uma atitude
positiva", explica o empresário, que acrescenta ainda
que, "os empreendedores são uma espécie rara".
É que para o sucesso dos negócios, o empresário aconselha
à procura de apoio, quer seja "na companheira, ou companheiro,
bem como um importante 'backoffice'". Rui Barroso de Moura referiu
também que há regras que se devem respeitar, tais como,
"não há negócio que valha um amigo, sozinho
é mais complicado, não viver obcecado pelo controle de capital,
resistir até certo ponto aos convites que lhes sejam feitos, na
altura de chegar o dinheiro dos lucros distribuí-los por quem de
direito e não fazer muito alarido dos seus negócios".
Esta foi uma visão diferente de alguém que se torna de um
dia para o outro um empreendedor sem que tenha um negócio definido.
E para quem ainda não tem uma ideia da área onde poderá
actuar, Jorge Humberto Silva, director do departamento de promoção
e animação da Região de Turismo de Setúbal
- Costa Azul, referiu que nesta região existem oportunidades de
negócio em quatro áreas no âmbito do turismo.
Segundo este responsável é possível com pequenos
investimentos criar PME de serviços turísticos, como por
exemplo; organização de percursos pedestres, de bicicleta,
de balão, de cruzeiros no Sado, entre muitas outras oportunidades
de serviços.
"Temos cerca de 3500 camas turísticas e precisamos de dar
um rosto e uma personalidade ao nosso turismo e a oferta de serviços
nesta área não é muito grande e falta por vezes a
qualidade. Apesar das cerca de 25 empresas na região a actuarem
neste segmento de mercado há ainda muitas por se criarem",
explica Jorge Silva.
Oportunidades de negócio na área do turismo
Outras oportunidades de negócio, podem surgir com o complexo de
Tróia. De acordo com este responsável, também serão
necessárias empresas de serviços para apoiar este espaço.
Em seguida, surgem a restauração e a gastronomia e "também
aqui é necessário apostar na qualidade do atendimento e
na criação de atmosfera e a criação de roteiros
gastronómicos pode ser uma das oportunidades de negócio".
Por fim, não há que descurar a área do turismo náutico.
Para Jorge Silva, negócios ligados à navegação
podem ser muito viáveis no futuro, "principalmente quando
foram construídas as marinas previstas no rio Sado".
E se o incentivo ao empreendedorismo motivou muitos dos jovens presentes
nestas jornadas, o exemplo de sucesso da empresa Y Dreams, fundada em
Junho de 2000 foi muito importante para dar estímulo a muitos deles.
António Câmara, um dos sócios da empresa e professor
na Faculdade de Ciências na Universidade Nova de Lisboa no Monte
de Caparica, mostrou como se pode fazer crescer um projecto empresarial
a partir de parcerias criadas na faculdade.
Esta empresa é orientada para serviços baseados em localização
e entretenimento móvel tornou-se líder a nível mundial
neste segmento. Depois de relatar o sucesso da Y Dreams, António
Câmara revelou que desde o primeiro dia que a empresa tem lucros:
"em 2002 conseguimos quatro milhões de euros de lucros
e em 2007 queremos estar em Nasdaq".
Na verdade, foram muitos os jovens universitários que ficaram com
a ideia de que a criação de um emprego pode ser a solução
para a difícil tarefa que vão encontrar quando ingressarem
no mercado de trabalho.