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O engenho da georeferenciação

30.05.2003


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Pedro Maia Ramos

O revés do desemprego fez Paulo Parreira descobrir um nicho de mercado por explorar: a minúcia dos mapas de pormenor


A VONTADE e o prazer de fazer algo útil e ter um meio de sustento motivou Paulo Parreira, 30 anos, a lançar-se num novo projecto empresarial.

No Bairro Alto, em Lisboa, onde cresceu e vive, germinou um espaço, misto de cibercafé com escritório de informação turística, aliado à exposição de pequenos quadros que vendia como lembranças. Baptizou-o de "Inlisboa.com" em Julho de 2002, após ficar desempregado em Janeiro do mesmo ano.

"Os turistas entravam e compravam... mas senti que a informação verbal que dava era, por vezes, incompleta. Faltava algo... e surgiu a ideia de um mapa de pormenor. Com uma georeferenciação mais completa, com um levantamento de todos os elementos que compõem as ruas, praças, jardins", explica Paulo Parreira.

Cerca de 5000 fotos e muitas horas de campo e de estúdio depois, surge o primeiro mapa. A adesão dos comerciantes e dos turistas do Bairro Alto foi imediata.

Diplomata com visão de negócio


Da vida académica (Relações Internacionais pela Universidade Autónoma de Lisboa, pós-graduação em Estudos Europeus), trouxe a aptidão de encarar novas situações e contactos.

Depois de seis anos ligado ao meio estudantil, desde lojas de material académico até revistas "on-line", arrancou com um portal para estudantes, um projecto em parceria com um grupo económico, durante o "boom" da internet.

Mas o declínio do comércio "on-line" ditou o seu afastamento. "Já não sentia o gozo inicial no que fazia (portal) e as relações estavam 'azedas'. Saí. Como o espaço do Bairro Alto é de família, o investimento foi menor e avancei com a ideia".

Sem nunca descurar o projecto "on-line", bem pelo contrário, "quando, em Setembro passado, surgiu a hipótese de abrir uma loja nos Restauradores, aproveitei. Era, 'a glória ou morte' do negócio". O investimento inicial foi na ordem dos 25 mil euros que espera reaver em três anos.

Apostar no capital intelectual

As ideias e projectos são dele, as obras não. Do passado trouxe uma carteira de contactos. Hoje, conjuga o trabalho de estudantes, finalistas e licenciados de Belas Artes e de outras áreas. "Actualizam a página da web, levantam perfis sócio-cultural e histórico, traduzem e estudam sugestões de percursos".

Estão executadas cartas de georeferência do Bairro Alto, Baixa e Chiado, e os projectos de Alfama e Mouraria "'estão na calha' para o Verão. Para já, a aposta maior é nos conteúdos na internet". A ideia é lançar os mapas físicos e a edição "on-line" em simultâneo.

Das lembranças iniciais e dos mapas saltou para outros projectos. De Lisboa foram retratados teatros, eléctricos da Carris, fontes e chafarizes, praças e largos, igrejas. As tradições portuguesas, navios, faróis também constam do portfolio, nos mais variados suportes, do azulejo ao cartaz e sob diversas técnicas, do acrílico à aguarela. Sob encomenda, executam foto-reportagens e criação de sítios e portais para a internet.

Arte para todos

"É bom para o artista, ou quem trabalhe para a empresa, para o público e para mim". Defende a arte, mais perto das massas, mais barata, "mas com qualidade. Barato, não é sinónimo de mau".

Apesar de saber que "nenhum negócio é 100% seguro", arriscou num projecto só seu. Não faz publicidade, mas refere que tem "a melhor. É o 'boca-a-boca'. Quem gosta, compra e divulga. Os estudantes/artistas passam palavra e vêm oferecer os préstimos".

Não recusa as parcerias, mas não quer "ficar subsídio-dependente". Um acordo com o Turismo de Lisboa permite ter os produtos expostos nos quiosques desta instituição. "É a mesma obra, mas com mais visibilidade".

Prefere dar "pequenos, mas seguros passos". Acredita que o êxito virá da "conjugação das lojas físicas e virtual", e sente que "estou a criar uma base sustentada, e além disso, gosto daquilo que faço", concluiu Paulo Parreira.





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