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Mulheres à beira de um emprego

30.05.2003


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Cátia Mateus

Movimento Democrático das Mulheres lança programa de combate à discriminação e precariedade laboral em Aveiro


EM SANTA Maria da Feira, distrito de Aveiro, o desemprego "escreve-se" no feminino. Em Março do corrente ano, 61% dos desempregados do distrito de Aveiro eram mulheres, segundo dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Uma conjuntura desfavorável também retratada por Anselmo Dias, da Comissão Nacional de Trabalho das Mulheres do Partido Comunista Português, no seu estudo "Itinerários da discriminação e da pobreza da mulher trabalhadora".

De acordo com o documento, há uma clara situação de discriminação das mulheres trabalhadoras naquela região do país. Segundo o autor, o concelho de Santa Maria da Feira é o mais problemático nesta matéria.

Em quase todos os sectores de actividade e profissões o nível salarial das mulheres é inferior ao dos homens. Revela o estudo que "em 61% dos casos há diferenças salariais homem/mulher entre 10 e 35%".

Anselmo Dias explica que é no sector têxtil que mais se sente essa discriminação. Em média, as 484 mulheres empregadas no sector auferem 334,6 euros enquanto que o rendimento médio mensal dos cerca de 1400 homens a trabalhar no concelho ronda os 466,7 euros.

Com 135.964 habitantes, Santa Maria da Feira é o concelho do distrito de Aveiro com maior industrialização. As mulheres representam 43,5% da força de trabalho por conta de outrem e além de serem, segundo o estudo, as mais mal pagas são também as mais afectadas pelo desemprego.

Um panorama que, segundo Alcina Fernandes, responsável do Movimento Democrático das Mulheres (MDM), tende a agravar-se ainda mais pela "baixa auto-estima da generalidade das mulheres operárias e pela perspectiva de centenas de novos despedimentos, numa região onde este problema já afecta demais as mulheres".

Combate cerrado à discriminação

Uma tendência que o MDM esta apostado em travar com o auxílio de um projecto ambicioso de combate ao desemprego e precariedade laboral das mulheres neste distrito. A iniciativa dá pelo nome de "Novos Caminhos para a Igualdade" e tem um prazo de execução de dois anos.

Com este programa, o movimento pretende fornecer ferramentas que facilitem a intervenção e interacção pessoal, familiar e social das mulheres. A acção dá agora os primeiros passos em Santa Maria da Feira, um concelho onde a situação das mulheres em matéria de desemprego é, na avaliação do MDM, preocupante.

Seis em cada dez desempregados existentes em Aveiro são mulheres. De acordo com Alcina Fernandes, responsável do MDM, "não há um só concelho no distrito de Aveiro onde o desemprego masculino seja superior ao feminino". A questão torna-se ainda mais grave se pensarmos que, como refere a responsável do movimento, "os novos despedimentos que se adivinham ocorrerão em empresas que empregam maioritariamente mulheres".

Daí que para a responsável da MDM, o projecto "Novos Caminhos para a Igualdade" seja uma nova porta de saída rumo à empregabilidade. Com esta iniciativa o movimento espera conseguir dar novas alternativas profissionais às mulheres do distrito de Aveiro.

A execução deste programa compreende o estabelecimento de parcerias entre autarquias locais e instituições de solidariedade social no sentido de permitir a valorização das mulheres operárias no mercado, bem como fomentar soluções de auto-emprego.

Para concretizar este projecto, a MDM conta com um apoio de 250 mil euros, provenientes de fundos comunitários, ainda em fase de apreciação pela Comissão da Igualdade e Direitos das Mulheres.





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