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Secretárias em formação

Devido à crescente procura de secretárias, o ISLA ministra uma licenciatura em secretariado e comunicação empresarial, uma pós-graduação em assessoria empresarial e um curso de especialização em assistentes de direcção.
02.11.2007


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Maribela Freitas
Ao Gabinete de Integração Profissional do Instituto Superior de Língua e Administração (ISLA-Lisboa) chegam diversas ofertas de trabalho na área de secretariado a que esta instituição não consegue dar resposta. A maioria das pessoas considera que esta é uma actividade rotineira e pouco prestigiante o que leva à sua exclusão das opções de trabalho. Contudo, esta ideia está a mudar e a formação fora da licenciatura que a escola ministra nesta área começa a ser procurada por pessoas com formações tão distintas como línguas ou história, que estão a tentar reconverter-se profissionalmente para uma área com empregabilidade.

Neste momento o ISLA ministra uma licenciatura em secretariado e comunicação empresarial, uma pós-graduação em assessoria empresarial e um curso de especialização em secretariado/assistentes de direcção. No primeiro caso é procurada por quem não tem experiência e quer ingressar nesta área e por quem trabalhando já no ramo quer progredir na carreira. “A pós-graduação abrange dois níveis, nomeadamente um grupo de licenciados em diversas áreas com fraca empregabilidade como línguas e história, que procuram integrar-se no mercado de trabalho e as pessoas que já trabalham nesta área e pretendem especializar-se ou actualizar conhecimentos”, explica Maria João Borges, directora executiva do departamento de formação do ISLA-Lisboa.

Igual cenário surge no curso modular de secretariado/assistentes de direcção que tem como objectivo formar pessoas para iniciarem esta actividade profissional e o de actualizar quem já exerça a profissão. “O percurso formativo é construído caso a caso, para suprir as lacunas de conhecimentos que o formando evidencia e que nos é dado perceber que o mercado exige. Ao nível das habilitações dos candidatos que querem tentar uma nova via profissional, este curso é procurado por pessoas com formação superior, licenciados jovens na área das humanidades: sociologia, história, línguas e literaturas modernas, e por outros apenas com o ensino secundário, por vezes não concluído, mas ambos numa situação de desemprego ou emprego precário”, salienta Maria João Borges. Lembra ainda que “os licenciados que se inscrevem neste curso precisam rapidamente de encontrar emprego, mas existe um intervalo de tempo durante o qual ainda têm esperança de encontrar uma saída profissional na sua área de especialização”.

O que é certo é que existe procura ao nível do secretariado no mercado. “De facto esta é uma área em que há grande procura por parte de empregadores e pouca capacidade de resposta por parte dos candidatos. Confrontamo-nos diariamente com pedidos a que não conseguimos dar resposta às entidades por falta de candidatos”, refere Isabel Moço, directora do Gabinete de Integração Profissional ISLA-Lisboa.

De acordo com esta responsável, a incapacidade de resposta aos pedidos deve-se também às exigências dos candidatos que não estão disponíveis para estágios não remunerados, pois sabem que facilmente encontram outra possibilidade mais atractiva de entrada no mercado de trabalho, coisa que não acontece noutras áreas de formação. Algumas ofertas já requerem experiência, coisa que muitas vezes os candidatos ainda não estão aptos a responder. “Muitos dos nossos candidatos são ex-alunos que recorrem a nós, não porque estejam desempregados, mas porque sabem que a oferta é muito grande e apostam em conseguir melhor do que têm”, acrescenta Isabel Moço.

No ano de 2005, 30% das ofertas de trabalho e estágio apresentadas no GIP dirigiam-se à área de secretariado e assessoria. A 30 de Setembro deste ano, essa oferta era já de 32,7% do total. Nos números do GIP não cabem, como é lógico, os alunos que conseguem pelos seus próprios meios gerar as suas oportunidades de trabalho. Na opinião de Isabel Moço, ainda prevalece a ideia de que “esta é uma actividade pouco prestigiante, rotineira, com limitadas oportunidades de progressão na carreira, quer ao nível salarial, quer ao nível dos desafios que se lhes colocam, o que é de facto um mito na maioria dos casos”.

Os valores de remuneração das propostas de trabalho que chegam ao GIP andam entre os 500 euros para recém-formados, até aos dois mil euros para profissionais já com significativa experiência na actividade. Nestes valores não estão incluídas regalias. No caso de profissionais com especializações, os valores podem subir. Isabel Moço considera que “esta actividade tenderá a evoluir para que o profissional de secretariado seja, cada vez mais, um apoio técnico, e não meramente administrativo, aos processos de decisão”.

Na lógica de continuidade dos processos de aprendizagem, talvez a formação na actividade tenda a evoluir para a especialização em diversos ramos, como por exemplo, na área financeira, legal ou de recursos humanos. “No fundo, para áreas técnicas com uma grande componente administrativa”, finaliza a responsável do GIP.





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