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Remar contra a maré

As mulheres estão a perder terreno ao não optarem pelos cursos do futuro: os tecnológicos. A IBM Portugal quer inverter essa tendência
06.07.2007


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Marisa Antunes
As mulheres já provaram que são tão boas (ou melhores) que os seus colegas masculinos em todas as áreas em que resolvem apostar, mas em pleno século XXI algumas ideias preconcebidas teimam, espantosamente, em perpetuar-se no tempo. Falamos da pouca apetência do sexo feminino para os cursos tecnológicos, actualmente dos poucos que estão incólumes à ameaça do desemprego e que representam o grande futuro do mercado de trabalho.

Apesar das inúmeras vantagens, as estatísticas continuam a revelar a fraca presença feminina num universo marcadamente masculino: segundo a Ordem dos Engenheiros, existe um total de 315 engenheiros informáticos inscritos e apenas 54 são mulheres, ou seja, uns escassos 17%. Também de acordo com os dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, oito em cada dez universitários dos cursos de engenharia e informática são homens.

A propagação de estereótipos em relação a pretensas profissões de homens ou de mulheres explica que, apesar das boas notas em Matemática, sejam poucas as estudantes que querem seguir carreira nas novas tecnologias, como revela um estudo da Society of Women Engineers que apurou uma taxa de 75% de jovens, com idades entre os 12 e os 17 anos, que logo após o ensino básico põe de parte essa hipótese.

Para que possa ocorrer uma mudança deste cenário, a multinacional IBM, numa óptica de responsabilidade social, tem vindo a dar o seu contributo com a realização de um programa exclusivo para meninas, entre os 11 e os 13 anos, o EXITE (EXploring Interests in Technology and Engineering) onde o grande objectivo é dar a conhecer o universo das engenharias.

Durante uma semana, cerca de 50 colaboradores voluntários da IBM dão a conhecer a 30 jovens (metade da Escola Secundária Eugénio dos Santos e a outra metade filhas de colaboradores da IBM), as bases da tecnologia e da engenharia através de um conjunto de actividades práticas como a desmontagem e montagem de computadores, a construção e articulação de um robô, construções de páginas na Internet ou a elaboração de um jornal, explica Conceição Zagalo, «manager» de Programas Externos da IBM Portugal.

“Queremos mostrar-lhes que a matemática não é um papão, a geometria não é um tabu e as ciências não são uma chatice”, resume a responsável. Em Portugal, o programa da IBM Portugal vai já na terceira edição e seguiu o exemplo da casa-mãe e de outros filiais em vários pontos do globo. Este ano, mais de 1600 raparigas participarão nos 53 campos EXITE espalhados pelo mundo. Desde o início, em 1999, perto de 85% das mais de 5000 jovens que participaram no programa EXITE indicaram que considerariam a hipótese de seguir uma formação académica superior em áreas técnicas ou relacionadas com a engenharia.

A experiência do EXITE, que teve a duração de uma semana e que terminou ontem, prossegue ao longo de todo o ano lectivo pois as participantes vão ser acompanhadas por mentoras, que têm nas mãos a tarefa de as motivar e as manter interessadas pelas áreas mais técnicas, numa óptica de desenvolvimento pessoal e profissional.

“Nós somos fornecedores de Tecnologia de Informação e a tecnologia é algo que está presente cada vez mais em tudo, até no desenho de um bailado se for caso disso. E se nós não trouxermos para o mercado mais engenheiros e engenheiras não conseguimos fazer os avanços tecnológicos. E como é de pequenino que se torce o destino, começamos com estas jovens que ainda vão a tempo de fazer essa opção”, salienta Hélia Jorge, gestora do projecto Mentorplace, que acompanha as meninas ao longo do ano.

Um esforço que já está a colher frutos. Liliana Ferro e Susana Oliveira, 14 e 13 anos, respectivamente, completaram agora a sua experiência com a IBM e fazem um balanço francamente positivo. Vocacionada para as artes, Liliana imagina-se agora a conciliar essa sua paixão com a tecnologia, numa opção que poderá passar, por exemplo, pelo design gráfico. Já a Susana, aluna de 5 a Matemática, confessa que uma das actividades do EXITE, a construção do robô, a influenciou de tal forma que se imagina a optar pela engenharia na área da robótica.

Ambiente tem mais saída

Para o bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando Santo, “as novas gerações já começam a olhar para as engenharias de forma diferente”. Ainda assim, dos cerca de 31.500 engenheiros das várias especialidades inscritos na Ordem apenas 20% são mulheres, ou seja, pouco mais de 6.300.

Apesar de constituírem ainda uma minoria, não há queixas de discriminação registadas na Ordem. “Pelo contrário: só para citar um exemplo, até nos estaleiros de obra onde o ambiente é marcadamente masculino e com pessoas com outro tipo de formação social, as engenheiras civis são protegidas pois eles partem do princípio que as mulheres para estarem ali, é porque realmente gostam da sua profissão”, sublinha Fernando Santo.

As engenharias civil e a química continuam a ser aquelas que tradicionalmente recebem mais alunas, sendo a civil a que tem mais membros femininos inscritos, especificamente 3273 a que se somam mais 13.732 homens. Mas imbatível mesmo é a engenharia do ambiente, a única onde a presença feminina é mais forte que a masculina e cuja especialidade tem apenas oito anos. “Proporcionalmente aos homens, a especialidade com mais mulheres é a do Ambiente. O número de mulheres é de 621 e o de homens é de 341. É uma área nova, com várias valências e muita diversidade”, lembra o bastonário. No campo oposto está a Engenharia Mecânica, uma especialidade que tem já 71 anos, mas apenas 176 mulheres inscritas.

Segundo um estudo elaborado pela professora Maria de Lurdes Rodrigues, algum tempo antes de tomar posse como ministra da Educação, foi na década de 80 que a percentagem de mulheres a frequentar cursos de engenharia e a exercer a profissão, deu um salto significativo. Outro dado relevante mostrou que as mulheres se distinguem por serem a população mais jovem entre os engenheiros já que a percentagem das que têm menos de 40 anos atinge os 80%.





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