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Quando a imagem é decisiva

Por muito que contrarie as éticas profissionais, a verdade é que há determinadas profissões que estão vedadas a quem não está dentro dos cânones de beleza. Os empregadores preferem falar de um conjunto de atributos, mas o que é certo é que para aparecer na TV ou trabalhar como assistente de bordo nos aviões, a imagem tem um peso muito significativo
02.05.2008


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Marisa Antunes e Maribela Freitas
As pessoas bonitas são mais bem sucedidas a nível profissional? Vários estudos académicos garantem que não só abre mais portas, pois 70% da probabilidade de se ser aceite num emprego está associada à primeira impressão deixada junto do empregador, como também permite assegurar melhores salários. Mas não só. Há determinadas profissões onde a imagem conta tanto que quem sai fora dos padrões normais da estética, por mais competente que seja, tem poucas hipóteses de singrar. Dificilmente se verá assistentes de bordo com excesso de peso ou pivôs de televisão cheios de borbulhas.

‘Muito boa imagem' é um dos requisitos mínimos de candidatura para um recente processo de recrutamento de comissários/assistentes de bordo aberto pela TAP Portugal. Este aspecto surge no anúncio de emprego a par de outros como ter no mínimo o 12.º ano de escolaridade, idade entre os 21 e 26 anos, altura entre 1,60m e 1,90m, peso adequado e bom domínio do inglês e francês. “A imagem é naturalmente um dos requisitos pedidos, já que estamos a falar de profissionais que atendem directamente os clientes da empresa, usam o seu uniforme e são, por assim dizer, o rosto da TAP junto dos passageiros. O que se pretende afinal é que a sua imagem se enquadre nos padrões de elegância e imagem da companhia”, frisa a TAP.

Por isso, e sem distinção de sexo, pede-se bom senso na apresentação (como por exemplo não ter tatuagens ou «piercings» visíveis), tirando o melhor partido da sua imagem pessoal e valorizando-a. “Além de estar expresso nas condições de recrutamento, são transmitidas aos candidatos, ao serem convocados para entrevista, regras específicas sobre a imagem pretendida, tais como a indicação de corte de cabelo normal ou o uso de fato para os homens e de saia para as senhoras, entre outros exemplos”, salienta a fonte da TAP.

Para a psicóloga e formadora Verena Santos, “uma boa imagem, para quem lida com o público deve ser cuidada, sem ser necessariamente uma estampa, deve saber estar e ter um bom sorriso”. Na opinião da psicóloga, “a imagem não passa apenas pelo aspecto físico, mas também pela voz, a forma de olhar, a maneira como sorri e se relaciona com as pessoas”. Critérios que são também relevantes quando se entra no processo de escolha para um apresentador ou pivô de notícias em televisão.

Jorge Nuno Oliveira, jornalista da TVI e coordenador do curso de Televisão no Cenjor (Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas) reforça ainda: “A questão da imagem é importante mas não é decisiva. É verdade que os critérios estéticos interessam mas é fundamental que o pivô consiga ser natural, eficaz e tenha facilidade de expressão diante da câmara”. A psicóloga Verena Santos lembra também que uma boa imagem não basta para garantir credibilidade. “Um tom de voz que expresse confiança e uma expressão corporal que transmita segurança e tranquilidade, são mais sinónimos de credibilidade do que propriamente a beleza”, sublinha a especialista.

Mas quem possui credibilidade e a esta associa uma boa aparência física é meio caminho andado para triunfar no competitivo mundo das vendas. Carlos Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Profissionais de Marketing, lembra que “a imagem tem um impacto inicial imediato”. “Por mais raciocínios intelectuais que se façam, é do âmbito da psicologia que se tem uma reacção emotiva em relação às outras pessoas consoante a sua imagem”, realça o especialista.

Além disso, a sociedade assenta num sem-número de estereótipos que nos levam a criar expectativas em relação à apresentação de determinados profissionais, refere ainda Carlos Oliveira. “Basta dar o exemplo de que quando se vai a um banco ou a uma seguradora não se está à espera de ver um homem vestido de calças de ganga mas sim de fato e gravata”. Expectativas que se geram também nos processos de recrutamento. Não conta só o currículo e a experiência profissional mas também a apresentação do candidato.

Segundo conta a psicóloga Verena Santos, “alguns estudos levaram a perceber que em caso de dúvida, o empregador opta pelo candidato com melhor imagem. No entanto, hoje em dia o processo de selecção é mais rigoroso e há outras características que entram em linha de conta e colocam o aspecto físico mais de lado”. Para tentar perceber o peso da beleza no sucesso profissional, um professor da universidade de Texas, Daniel Hamermesh acompanhou um grupo de jovens advogados que, graças à sua boa aparência, ganhavam mais do que os seus colegas menos beneficiados pela genética.

Este economista também concluiu que os advogados menos bonitos trabalhavam mais em cargos estatais enquanto que os mais bem parecidos se encaixavam facilmente em escritórios particulares, onde os ordenados são mais bem remunerados. Em estudos anteriores, Daniel Hamermesh já se tinha debruçado sobre o poder da aparência física no ambiente de trabalho tendo concluído que os profissionais com melhor aparência física ganhavam mais 5% que os outros.





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