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Qualificação urgente

22.02.2003


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Ruben Eiras

SE O ritmo de qualificação não acelerar, em 2010 mais de dois quintos da força de trabalho nacional na faixa etária dos 25 aos 28 anos ainda possuirá baixas qualificações.

A projecção está patente no estudo "Growing Skills in Europe: the Changing Skill Profiles of France, Germany, the Netherlands, Portugal, Sweden and the UK", uma análise comparativa da mudança dos perfis de competências naquele grupo de países, efectuada por Åsa Murray, investigadora no Stockholm Institute of Education e Hilary Steedman, do Centre for Economic Performance da London School of Economics.

De acordo com aquela pesquisa, entre as décadas de 80 e 90, o nosso país foi aquele que registou o maior crescimento das qualificações no segmento juvenil: a percentagem sem nenhuma qualificação caiu de 35% para 19%, ou seja, diminuiu 16%. Em simultâneo, houve também um crescimento de 16% de jovens que obtiveram formação de nível secundário e superior.

Mas apesar deste rápido aumento de competências, o ritmo de convergência nacional com o quadro de qualificações da UE ainda é demasiado lento, devido ao baixo investimento das empresas na formação dos seus activos, à elevada taxa de abandono escolar (45%) e às deficiências estruturais do sistema de educação e formação.

"Se as tendências dos últimos 12 anos continuarem, os perfis de competências serão cada vez mais semelhantes entre o grupo de países comparados. Mas em Portugal e no Reino Unido, onde as proporções de baixas qualificações ainda são muito altas, o processo vai ser mais longo", observa Hilary Steedman.

Um aviso à navegação do Governo, que se prepara para aplicar reformas nos sistemas de educação e formação profissional. "É crucial envidar uma grande dose de esforços focalizados na eliminação do grupo de baixas qualificações para Portugal ultrapassar esta barreira estrutural", reforça Åsa Murray.

Só que ainda não se vislumbra qualquer estratégia nacional de longo prazo neste campo, prevalecendo a navegação à vista, com aumento do desemprego e a destruição de 12 postos de trabalho por dia, segundo dados do INE. Isto é, Portugal arrisca-se a mergulhar num ciclo prolongado de desemprego de longa duração se não acelerar a qualificação da sua força laboral.

A via única da reconversão

Isto torna-se ainda mais significativo se tivermos em conta que o país, segundo a análise da OCDE, assentou a criação de emprego em indústrias desqualificadas.

E neste momento a única via para atrair investimento de qualidade é a requalificação. "Para as pessoas com baixas qualificações a esperança é a sua reconversão profissional. Mas com formação a sério, não é com teorias", salienta Pedro Câmara, consultor em recursos humanos.

Entretanto, surgem iniciativas pontuais que destoam da inércia latente no sistema central de educação e formação. Segundo Jorge Marques, presidente da Associação Portuguesa de Gestores e Técnicos de Recursos Humanos, uma das vias para acelerar o aumento da qualidade das competências é o exemplo da iniciativa da Câmara de Oeiras. A autarquia decidiu estudar e fazer um levantamento de todos os tipos de competências existentes no seu concelho: as das pessoas que ali trabalham e das que moram naquele território.

"Isto vai servir para, próximo da residência e com vista à entrada no mercado de trabalho, fazer a qualificação de desempregados e formação contínua, de acordo com as necessidades locais e de desenvolvimento económico. A médio prazo, com uma população mais qualificada, a região será mais atractiva para investimentos com alto valor acrescentado", explica.

Uma política também defendida por Joaquim Lavadinho, sociólogo do trabalho e director-geral da HumanQuare, uma empresa de consultoria em recursos humanos. "É necessário que as autarquias e outras instituições regionais apostem no desenvolvimento de programas associados ao desenvolvimento do capital humano, da mesma forma que até aqui apostaram em infra-estruturas físicas", acrescenta.

Por sua vez, é exigida uma actuação mais rigorosa por parte das instituições públicas responsáveis pela educação e formação. Com efeito, a OCDE, no seu último relatório económico sobre Portugal, recomenda com urgência "um aumento da eficácia e eficiência das políticas de emprego e formação".

Um compromisso já assumido por Luís Pais Antunes, em entrevista já publicada no EXPRESSO Emprego, na qual o governante reconheceu que os recursos financeiros públicos da formação profissional deverão ser atribuídos de acordo com o grau de desempenho de cada centro de formação do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). "O Governo vai no bom caminho, mas urge uma clarificação estratégica neste domínio", conclui Jorge Marques.

 


 





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