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Portugal mais global

Portugal mais global

Os últimos dos anos demonstram que as empresas portuguesas têm competências globais. A braços com uma crise na procura interna, as exportações posicionaram-se como um fator-chave na recuperação económica, com um progressivo aumento do seu peso no PIB. Na renovada cartografia das exportações nacionais novos países estão a emergir e um número crescente de produtos ganham escala internacional. 

21.06.2013 | Por Cátia Mateus


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Mais do que uma forma de contornar a austeridade nacional, as exportações têm demonstrado ser um catalisador de novos empregos. Um estudo recente do ISCTE revela mesmo que a internacionalização de 14 mil PMEs portuguesas teria potencial para gerar 70 mil novos postos de trabalho. Têxteis e calçado, cluster automóvel, bens alimentares, produtos agrícolas, pastas celulósicas e papel, máquinas e aparelhos, metais comuns, plásticos e borracha, químicos, vinhos e azeites ou soluções de saúde são bons exemplos de produtos made in Portugal que têm vindo a ganhar uma crescente escala global, representando um importante foco de crescimento para muitas empresas portuguesas.

A portuguesa nbcMedical, que comercializa internacionalmente medicamentos, lançou a sua operação em Angola onde já opera com a marca nbcMedical Angola e Farma.log – logística farmacêutica. Com o lançamento da nova operação a empresa criou 10 postos de trabalho a nível local e aumentou também a sua equipa nacional para suportar o acréscimo de trabalho proveniente do lançamento da atividade no novo mercado. A administradora na empresa, Mariana Belmar, assume como meta entrar já este ano em novas áreas de negócio em Angola e expandir a abrangência geográfica da empresa no território.

Pedro Reis, presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), realça a crescente dinâmica das exportações portuguesas, mas reforça que “apesar destas estarem a ser o único motor de crescimento económico nos últimos anos e de ser desejável que possamos continuar a aumentar o seu peso no PIB, é importante reanimar o mercado doméstico, porque da sua vitalidade virá também mais atividade para as nossas exportadoras e captação de investimento”. De acordo com os dados do Banco de Portugal, em 2012, as exportações portuguesas de bens e serviços ascenderam a 64,6 mil milhões de euros. O número representa um aumento de 3,8% face a 2011 e constitui o melhor registo desde 1996. O país passou de um défice comercial de 6,5 mil milhões de euros em 2011 para um superavit de 111 milhões de euros no ano passado. Este ano, os mesmos dados apontam já para um crescimento de 1,3% face a igual período do ano passado, alcançando o melhor registo dos últimos cinco anos.

Para Pedro Reis, “o país está a empreender uma estratégia de diversificação de mercados que a AICEP acompanha e impulsiona, com o objetivo de aumentar as vendas nacionais a países extracomunitários, onde os efeitos da crise internacional não se fazem sentir com tanta intensidade como na Europa”. Ainda assim, explica o presidente da AICEP, “a Europa é incontornável no peso das nossas exportações”. Espanha, Alemanha e França são responsáveis, respetivamente por 23%, 13% e 12% das exportações nacionais. Juntos, os três mercados recebem quase 50% das exportações portuguesas.

“Em termos de bem, Portuagl exportou em 2012 45 mil milhões de euros”, explica Pedro Reis. As máquinas e aparelhos, lideram a tabela dos produtos mais exportados, com 6,8 mil milhões de euros. Logo a seguir estão os veículos (€5,3MM), os combustíveis (€5,3MM), os metais comuns (€3,7MM) e os plásticos e borracha (€3MM). No que diz respeito á exportação de serviços, o país totalizou 19 mil milhões de euros no ano passado. Um valor que está a crescer já este ano, muito impulsionado pela dinâmica das viagens e turismo, transportes, serviços de construção, informação, informática e comunicação.

Rotas de ouro na exportação lusa
Portugal está a reescrever a sua rota de exportações e a conquistar novos mercados. Nos primeiros quatro meses do ano, as exportações nacionais cresceram 4% face a igual período de 2012, ano em que o país alcançou os melhores índices de sempre. A subida é sobretudo conquistada em nova rotas. O país viu cair as suas exportações para Espanha ou para a Alemanha (ainda que ambas se mantenham como destinos preferenciais), mas está a conquistar novos mercados com vasto potencial. A Europa continua a concentrar a maior fatia das exportações nacionais, mas o top 15 das exportações lusas já integra seis países extra comunitários, com um peso muito substancial:
Angola é já o quarto maior destino de exportação das empresas nacionais, atingindo em 2012 os três mil milhões de euros. Desde 2010 o peso deste destino cresceu 57,3%. Vinhos, azeite, vestuário e acessórios, medicamentos, algodão ou produtos cerâmicos, figuram entre os produtos mais procurados, mas Portugal também se está a revelar um excelente fornecedor de soluções de formação e recursos humanos de várias especialidades.

Estados Unidos subiu no primeiro trimestre deste ano para a sexta posição no ranking das exportações nacionais, segundo os dados do Instituto nacional de Estatística (INE). Desde 2010, a presença de produtos portugueses naquele mercado cresceu 41% e mais poderá crescer se as empresas souberem tirar partido da diáspora lusa presente no pais.

Brasil continua a ser um destino das exportações nacionais, agora com uma dinâmica reforçada. Desde 2010, as exportações para o país cresceram 54,6%. Azeite, fruta e calçado figuram entre a lista de produtos com maior sucesso em terras brasileiras.

Argélia ocupa a 11ª posição no ranking dos principais destinos de exportação nacionais. No primeiro trimestre deste ano 1,5% das exportações nacionais tiveram como destino a Argélia.

Marrocos figura em 12º lugar na lista das exportações portuguesas com uma percentagem de 1,5% registada no primeiro trimestre deste ano. O índice de exportações matem-se estável face a igual período do ano passado, altura em que Marrocos representava 1,3% das exportações portuguesas.

China registou em dois anos um crescimento de 234% nas exportações portuguesas, atingindo um valor de 778,6 milhões de euros no ano passado. Só as vendas de vinhos para o país aumentaram 123%.



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