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O Verão por um estágio

Jovens aproveitam as férias para trabalhar
09.08.2007


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Marisa Antunes e Maribela Freitas
Em tempos agrestes para conseguir emprego, o canudo, por si só, já não basta. Quem contrata pode exigir mais do que uma média alta, um curso tirado numa universidade de prestígio ou a fluência de vários línguas. A ausência de experiência profissional de um candidato tem custos, já se sabe, para os empregadores que por essa razão valorizam cada vez mais os recém-licenciados que entretanto já acumularam algumas valências profissionais. Estagiar no Verão é pois para muitos estudantes, uma forma de se tornar visível para o mercado de trabalho.

Carla Oliveira, responsável pelo departamento de recursos humanos e qualidade da Adecco, explica que “os estágios são um primeiro contacto com o mundo empresarial e a realidade de uma profissão”. Nesta perspectiva é sem dúvida uma mais-valia para o estudante. Além do mais, acrescenta, “caso o estágio se efectue dentro da sua área de formação, o estudante tem a vantagem de adquirir experiência no âmbito do que poderá vir a ser a sua profissão e se demonstrar entusiasmo e corresponder ao perfil, existirá provavelmente a possibilidade de ser convidado, após a finalização do curso, a integrar a empresa na qual estagiou”.

Pedro Vasques é um exemplo disso. Com 21 anos, tem a mais-valia de ser um recém-licenciado em Gestão de Empresas da Universidade Católica onde os índices de empregabilidade dos finalistas, ainda antes de terminarem o curso, estão acima dos 60% - os restantes arranjam trabalho num período máximo de três meses após o fim do curso. Mas foi o facto de ter sido seleccionado para um estágio no Verão passado que lhe permitiu este ano a entrada directa para os quadros da multinacional de consultoria A.T.Kearney.

O acesso ao estágio de dois meses foi possível após uma apresentação da empresa na Católica, que pretendia recrutar um aluno para essa experiência. Após a triagem de mais de 60 candidatos, Pedro Vasques acabaria por ser o seleccionado. “É muito positiva esta proactividade por parte das empresas porque nos dá acesso a uma panóplia de opções. E como somos ainda muito jovens facilitam-nos essa transição entre o mundo académico e o profissional”, realça Pedro Vasques. Inicialmente, o jovem gestor estava indeciso entre duas das principais saídas profissionais do seu curso: banca ou consultoria. Contudo, o estágio clarificou-lhe o futuro. “Gostei muito do trabalho em equipa, que não acontece tanto quando se está na banca, da diversidade das tarefas, dinamismo, contacto com os clientes e a experiência internacional inerentes à actividade de consultoria”, frisa.

Na A.T.Kearney, os estágios de Verão fazem parte da política de recrutamento da empresa desde 1999. Os pré-finalistas passam pela experiência e pela cultura da organização durante dois meses e, se corresponderem ao pretendido, no ano seguinte são contratados assim que terminam o curso, como explica Inês Zenha, directora de recursos humanos da multinacional.

“Existe um acompanhamento muito próximo por parte de um mentor e do gestor do projecto no qual o estagiário é integrado. Durante esse período é possível conhecer as capacidades e o potencial de aprendizagem do candidato”, acrescenta a responsável. Se tiverem “garra e gosto, esse talento é retido” tal como aconteceu com o Pedro Vasques, acentua Inês Zenha.

Ciente de que a experiência conta para uma melhor integração no mercado de trabalho, Tiago Alves (na foto), de 23 anos, resolveu procurar um estágio de Verão. Para tal recorreu ao gabinete de estágios da Universidade da Beira Interior, onde frequenta a licenciatura em design industrial. “O objectivo era conseguir alguma experiência no meu ramo”, conta. Até ao final do mês, vai completar o estágio de dez semanas na Bithium, uma empresa de Lisboa que desenvolve soluções e produtos para comunicações sem fios.

Desta experiência Tiago Alves realça o bom ambiente, a oportunidade de aprender com quem tem experiência e desenvolver trabalho de equipa. Tudo aspectos que dificilmente se aprendem numa faculdade, porque, como o próprio afirma “uma coisa é a teoria universitária e outra a realidade da empresa, pois é aí que nos apercebemos das falhas que temos e quais as áreas em que é preciso melhorar”.

A um ano de terminar a licenciatura, Tiago Alves considera que “este estágio poderá vir a ser uma porta de entrada para o mercado de trabalho e será sem dúvida uma mais-valia para quem me quiser contratar”. Essa ideia é partilhada por António Muchaxo, director da Bithium. “O acolhimento de estagiários é uma boa medida para conhecer talentos e incrementar os quadros das empresas”, salienta. A Bithium começou por receber estagiários em 2004. O objectivo é “perceber como é que os jovens trabalham em equipa e se estão ou não habituados com os processos de trabalho. Depois, podemos contratá-los ou não”, finaliza.





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