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O guião de um bom negócio

16.05.2003


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Fernanda Pedro

Escrever é a palavra de ordem das cerca de 35 pessoas que compõem a equipa da Ficções Reais, uma empresa sediada em Setúbal, que se destina a redigir guiões.


Apesar de ter apenas cinco sócios, todos fazem parte do negócio. A mistura de idades e de formação é um factor de enriquecimento da equipa, onde a hierarquia não faz parte do funcionamento da empresa. Mas numa questão são peremptórios: "A qualidade no trabalho apresentado é o principal objectivo da Ficções Reais".

A comprovar esta teoria, está um dos projectos que a equipa desenvolve neste momento, o guião para um filme em Hollywood sobre a vida e obra de Che Guevara, onde António Banderas será o protagonista. Tudo aconteceu quando um dos elementos da equipa visitou um "sítio" da internet onde se falava contra Che Guevara. A Ficções Reais interessou-se pelo tema e durante 18 meses trabalhou na pesquisa sobre o homem mítico de Cuba.

Submeteram depois o guião à apreciação de uma das centrais de compras de Hollywood, que coopera com a Universal Films. O trabalho despertou logo a atenção dos norte-americanos que assinaram de imediato um pré-acordo com a Ficções Reais para a escrita do guião. "Três anos após o nascimento da Ficções Reais esta é sem dúvida a melhor forma de reconhecimento pelo trabalho que realizamos", revela Guilherme Pereira, guionista e um dos sócios da empresa.

Após esta grande conquista, a empresa partiu novamente para o trabalho, porque de Hollywood veio a exigência de filmar em Cuba e a Ficções Reais teria de abrir caminho nesse sentido.

Foi realizado um contacto com o embaixador de Cuba em Portugal, Reinaldo Calviac, que se mostrou disponível para ouvir a equipa portuguesa ao ponto de se dirigir à cidade sadina para conversar com os elementos da Ficções Reais.

"O embaixador abriu-nos de imediato as portas do Centro Che em Cuba, que é dirigido pela viúva do guerrilheiro. Assim, dentro de pouco tempo vão partir para terras cubanas três elementos da nossa equipa"
, explica Frederico Rocha, um dos elementos da equipa que se irá deslocar a Cuba.

Na verdade, quando iniciaram o seu percurso não tinham a ideia de um projecto empresarial, porque o produto a vender era os conhecimentos que cada um tinha e a sua capacidade de escrita. "De qualquer forma, foram necessários cinco sócios-fundadores mas meramente formais e um investimento de cinco mil euros. Conseguimos um espaço no Centro de Empresas e de Inovação de Setúbal mas basicamente para reunir a equipa porque o espírito é trabalhar em rede", explica Guilherme Pereira.

Com guiões escritos para todas as estações televisivas, a Ficções Reais têm em mãos muitos projectos em desenvolvimento mas referem que não se sujeitam a escrever textos sem qualidade.

"Vamos estudando as fraquezas do mercado e apresentamos trabalhos inovadores", explica Eduarda Taveira, outro membro da equipa que trabalha na área da pesquisa. Neste momento, entre outros projectos estão a escrever duas novelas e um magazine de informação para a RTP.

E que perfil ou formação terá de ter um guionista? Vanessa Pereira diz que em Portugal não há formação nesta área e o essencial é saber escrever e depois ir aprendendo à medida que for entrando no mundo dos guiões.

Nesse sentido, a equipa da Ficções Reais segue a linha de pensamento de que a diversificação de formação e profissões dos elementos é importante. "Por esse motivo, a política interna da empresa é que ninguém deve deixar os estudos nem as profissões que exerce para trabalhar aqui", salienta Clara Barroso, pesquisadora da empresa.

Enquanto negócio Guilherme Pereira garante que a Ficções Reais é rentável mas neste momento apenas consegue pagar aos seus trabalhadores. "Também não queremos crescer muito porque não temos pessoas para assegurar o trabalho. É difícil encontrar pessoas que escrevam bem. Falta criatividade aos portugueses", admite o empreendedor.





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