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Negócios com 'sabor' internacional

03.10.2003


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Cátia Mateus e Maribela Freitas

A área da restauração tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos entre os que vêem no 'franchisng' uma forma de fazer negócio. Mas, além deste sector, outros há igualmente 'apetitosos'


UM VOLUME de negócios na ordem dos três milhões de euros e a criação de qualquer coisa como quatro mil novos postos de trabalho, só em 2002, são o melhor cartão de visita do "franchising" em Portugal.

Um saldo bastante positivo para o qual terá contribuído a crescente adesão a esta modalidade de negócio.

Na realidade, para quem quer enveredar pela via do empresariado, o "franchising" poderá ser uma boa porta de entrada.

O empresário não está sozinho no projecto, tem toda uma equipa que o suporta, com quem partilha experiências, dificuldades, mas também vitórias.

Uma hipótese a considerar é pois trazer para Portugal uma marca internacional em regime de "franchising". As oportunidades são diversas, em quase todos os ramos de actividade. O difícil é mesmo escolher o negócio à sua medida.

A maioria dos "franchisings" existentes em Portugal são conceitos importados do estrangeiro. Ideias que vingaram lá fora e que cá ganharam um aliado de peso.

É que, apesar de existirem sempre ideias novas, actualmente há muitas que já foram pensadas e desenvolvidas por algum empreendedor no mundo e que poderão ser uma boa aposta para quem quer investir neste tipo de empresa.

E se, no mundo do "franchising", como em todos os negócios, é necessário sentido de oportunidade e visão para seleccionar a área de aposta (ver caixa "Dicas para uma boa escolha"), o rigor na condução de todo o processo não é menos importante. Embora, na opinião de Eduardo Miranda, presidente do Instituto de Informação em Franchising (IIF), "a actual conjuntura exija alguma cautela, nomeadamente ao nível financeiro, esta é uma altura de oportunidades para quem procura investir no 'franchising'".

João Papa, presidente do conselho de administração da Associação Portuguesa de Franchise (APF), acrescenta mesmo que "o panorama económico que atravessamos é até certo ponto positivo, na medida em que o aumento do desemprego (nomeadamente ao nível de quadros médios e superiores) veio potenciar o interesse por este modelo de negócio, como forma de aplicação de algum capital resultante de indemnizações que normalmente acompanham estas saídas".

Embora o investimento no "franchising" possa fazer-se "dentro de portas", para Eduardo Miranda, "existem algumas vantagens em trazer para Portugal um conceito desenvolvido fora do país".

Na realidade, ao optar por esta solução, o empreendedor poupará esforços no processo de construção do negócio e conta já com a credibilidade da marca.

Desenvolver um novo conceito demora tempo e exige muitos recursos, não só na fase de concepção como também no que respeita aos aspectos legais e burocráticos associados a todo o processo.

Além disso, há que contar também com o trabalho e o custo que representa dar dimensão e notoriedade no mercado a uma marca. Portanto, e ao apostar numa marca internacional, este trabalho já está realizado.

Ainda ao nível das vantagens encontradas em investir num "franchising" nascido e criado "fora de portas", está a experiência. É que, em todo este processo, conta-se também com o trabalho já realizado pela empresa estrangeira em regime de "franchising".

Uma conjuntura que poderá evitar uma série de dificuldades ao futuro empreendedor. Ao importar um conceito já testado, as regras estão fixas, são claras e existe já um quadro organizacional e de relacionamento estável.

Para o responsável pelo IIF, "são óbvias as vantagens de adquirir um projecto já testado noutros países". Quando se importa um conceito, está-se a trazer igualmente a marca e, desta forma, o "master" beneficia de um trabalho já feito no âmbito da divulgação e promoção.

Além disso, a marca pode ser já conhecida dos portugueses, apesar de ainda não estar cá representada. No entanto, há que ter em atenção que é sempre necessário avaliar a possibilidade de sucesso do negócio em território nacional.

Existem várias áreas de negócio com fortes possibilidades de sucesso se aplicadas em Portugal. E embora confesse acreditar mais num conceito inovador do que num sector de actividade de sucesso, Eduardo Miranda lança algumas ideias que poderiam ter boa aceitação no mercado nacional.

Serviços (domésticos, de reparação de anomalias) ou até em áreas mais tradicionais, como a limpeza de escritórios, são para o responsável negócios com futuro, se tiverem associada a componente inovação.

Comida étnica com potencial

Além destes conceitos, aponta também a restauração (comida étnica). Eduardo Miranda considera que, "se o conceito for bom e inovador, qualquer sector pode vingar, mesmo num mercado concorrencial".

Já para João Papa, "a tendência actual de maior desenvolvimento do 'franchising' é no sector dos serviços". Mas, à lista de Eduardo Miranda, acrescenta que "o turismo e a ocupação de tempos livres poderão ainda dar lugar a algumas surpresas agradáveis neste campo".

E, apesar das diversas oportunidades que surgem do exterior (ver caixa "Oportunidades à espreita"), o responsável da APF adianta que "existe uma tendência geral para que certas actividades que eram seguidas pelo modelo de negócio 'tradicional' passem a ser desenvolvidas segundo o modelo de 'franchising'".

Uma ideia corroborada por Eduardo Miranda, para quem há pequenos serviços que o "franchising" poderá ajudar a profissionalizar.

Contudo, o responsável alerta: "Há que ter em conta que o mercado nacional é pequeno e que o 'franchising' só faz sentido com potencialidades de expansão. Se a oportunidade não possibilitar uma expansão de pelo menos 20 a 30 unidades, não valerá a pena investir no 'franchising' como 'master'".

Ainda no domínio dos conselhos, João Papa refere que "o 'franchising' é um modelo de negócio que implica uma parceria muito estreita e de grande confiança mútua. É essencial que o interessado neste tipo de negócio tenha um bom nível de informação sobre quais as condições mínimas que um franchisador deve possuir, para que lhe possa prestar o suporte necessário para o seguimento do negócio".

Neste, como em qualquer negócio, a ideia é vencer e ser bem sucedido num mercado que é cada vez mais competitivo. Mas, mais do que um bom negócio, é importante ter um conceito bem elaborado, traçado para ter sucesso.

Oportunidades à espreita

SE É dos que pensa que pouco mais há para trazer para Portugal em matéria de conceitos franchising, desengane-se!
Aqui, damos-lhe a conhecer marcas de sucesso internacional em busca de um parceiro para conquistar o mercado português.

. Domti: Lojas de preço único, especializadas em artigos para o lar.

. Dandara: Moda feminina e acessórios

. Fastway Couriers: Franchising neozelandês de correio expresso

. Coldwell Banker: Rede imobiliária de origem norte americana

. Aromas de Dakar: Lojas especializadas na degustação de cafés, chás e complementos

. Arts Dental: Clínicas de odontologia e estética dental. A marca pertence à Syco Dental e está sediada em Madrid

. Asi: Marca madrilena especializada em prendas, bonecas, brinquedos tradicionais e pedagógicos.

. Smokend: Centros de desabituação do tabaco onde também é possível fazer tratamentos contra a obesidade e stresse

FONTE: Instituto de Informação em Franchising

Dicas para uma boa escolha

IMPORTAR um conceito de franchising exige não só encontrar a oportunidade certa, mas também o cumprimento de algumas regras.
Delas depende o sucesso do seu projecto e a minimização do factor risco, eterno inimigo do espírito de iniciativa. Tome nota:

1-Procure a oportunidade nos locais ideais. Feiras, guias de franchising, revistas especializadas e internet são pontos de paragem obrigatória

2-Seja cuidadoso na primeira selecção. Importa avaliar o histórico da empresa para compreender a fundo o conceito da marca e os valores dos dirigentes máximos da empresa.

Além deste factor, há que verificar a experiência internacional da marca, já que a empresa pode ser boa e eficiente mas não se dar bem com um modelo de franchising para a expansão dos seus negócios.

3-Avalie as potencialidades de aceitação do conceito no mercado nacional. Deverá ter em conta que determinado conceito pode ter sucesso lá fora e não se adequar à realidade portuguesa.

Para minimizar os riscos faça um estudo prévio do mercado onde quer investir que inclua: a dimensão; adaptação do conceito; análise da concorrência; obstáculos operacionais e legais e também o potencial de expansão da rede.

4-Se chegar à fase de negociação, informe-se sobre os vários tipos de acordos internacionais de franchising possíveis (www.infofranchising.pt) e escolha o mais adequado à sua situação.

Nesta fase poderá contactar um advogado especializado na matéria para assegurar que todo o processo até à assinatura do contrato decorra nos trâmites legais.

À conquista de Espanha

A 14ª edição do SIF&Co - Salón Internacional de la Franquícia, las Oportunidades de Negócio y el Comércio Asociado, que arranca a 22 de Outubro em Valência (Espanha), introduz uma mudança de peso para as marcas portuguesas de franchising que aspiram à internacionalização tendo o país vizinho como porta de entrada.

Pela primeira vez, Portugal estará representado no evento com uma comitiva de 10 empresas. Uma presença promovida pelo Instituto de Informação e Franchising (IIF) e que conta com o apoio do ICEP.

As empresas têm quatro dias para mostrar as suas potencialidades e para se apresentarem naquela que é para Eduardo Miranda, presidente do IIF, "a maior feira mundial dedicada ao franchising".

O intuito é promover e difundir as marcas "made in" Portugal. Das dez marcas presentes no SIF&Co, seis são conceitos originais de Portugal e os restantes internacionais cuja estratégia de expansão no mercado espanhol é liderada por empresários lusos.

Para Inmaculada Sataines, directora do SIF&Co "dada proximidade entre os mercados espanhol e português, o nosso país apresenta-se como uma óptima oportunidade de crescimento para as marcas portuguesas".

Uma conjuntura a que Eduardo Miranda não é alheio. "O principal objectivo desta missão é desenvolver uma participação coordenada das empresas portuguesas, permitindo uma melhor preparação na abordagem ao mercado espanhol", frisa.

Casa Alvarinho, Lune Bleu, Biju, Companhia da Água, Jet Bronze, Grupo Onebiz e Empório Júnior são algumas das marcas que integram a primeira presença portuguesa neste certame.





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