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Negócio em fermentação

08.02.2003


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Maribela Freitas

PARA dar largas à sua paixão pelo vinho e pela região do Douro, onde cresceu, José Carlos Monteiro Pinto resolveu em 1998 constituir uma empresa dedicada à produção do néctar dos deuses.


Tinha então 30 anos e o sonho de ter um projecto só seu. Hoje essa é uma realidade e a empresa que criou carrega o seu nome, gere 22 hectares de vinha e tem como objectivo atingir a venda de 300 mil garrafas durante este ano.

"Só com uma grande paixão pelo vinho, por aquilo que ele representa, à mistura com uma enorme capacidade de sacrifício e dedicação é que é possível ser bem sucedido nesta área", revela José Carlos Monteiro Pinto.

Além disso considera que "este é um negócio rentável a médio prazo mas é necessário paciência para o cimentar, aferir constantemente a estratégia empresarial e estar muito atento ao mercado".

No caso deste empreendedor, a história da sua empresa começou primeiro pelo gosto do trabalho nesta área e só depois pela estratégia. Com uma formação superior em engenharia agrícola, aos 25 anos José Carlos Monteiro Pinto juntou-se com uns amigos e criou um primeiro negócio.

Cinco anos mais tarde, deixou esse projecto, repensou a sua vida e verificou que tinha outras ambições. "Cheguei a uma altura em que queria dar uma volta à minha vida, pois estava a entrar em rotina. Como cresci no meio do Douro e tenho o gosto pela terra e além disso adoro desafios, pensei em seguir a área da produção de vinhos", explica José Carlos Monteiro Pinto.

Começou por pedir umas amostras de vinho a um amigo e foi para o mercado, com o intuito de realizar capital para investir. Nessas suas deambulações encontrou uma empresa distribuidora que acreditou no seu sonho e lhe pagou antecipadamente parte do vinho que iria produzir. "Foi nesta altura que criei a empresa, vendi tudo o que tinha para arranjar capital e comecei pela produção numa antiga quinta da família", revela o empreendedor.

Foi bem sucedido no seu esforço e produziu o seu primeiro vinho, o Capela Mor. Tudo isto aconteceu na região do Douro, em Loureiro, no concelho de Peso da Régua onde ainda hoje produz o seu vinho.

"Desde esses primeiros tempos as coisas correram bem e fui crescendo mas sempre numa perspectiva de médio, longo prazo. Esta é uma área de negócio que necessita de muito investimento e é preciso coragem para avançar"
, salienta José Carlos Monteiro Pinto.

Ao fim de dois anos de trabalho na sua empresa, este empreendedor foi convidado para exercer funções no Grupo Amorim. Até Setembro de 2002 conciliou uma actividade profissional com a empresarial. José Carlos Monteiro Pinto confessa ainda que deixou o Grupo Amorim porque "o projecto em que estava envolvido estava concluído e queria voltar a fazer aquilo que me dava gozo, ou seja, dedicar-me apenas à minha empresa".

Adquiriu mais uma quinta no Douro para a produção de vinho, gere actualmente 22 hectares de vinha, produz cinco vinhos diferentes - de entre os mais conhecidos o "Ferrugento", "Capela Mor" ou "Quinta de Estremadouro" -, criou oito postos de trabalho e no ano passado facturou 650 mil euros.

Para este ano o empreendedor afirma querer gerir entre 250 a 300 mil garrafas e sua lógica de mercado é apostar numa gama média elevada, elaborar uma estratégia de consolidação de marca no mercado e apostar numa relação cada vez mais próxima com o consumidor.

Para isso desenvolveu um sítio na Internet (http://www.capelamor.pt) onde "revela" os segredos dos seus vinhos e a partir de Março vai desenvolver um serviço de garrafeira onde "as pessoas compram o vinho, não o levam para casa e desde que nos avisem com um ou dois dias de antecedência, entregamos as garrafas na casa do consumidor", explica José Carlos Monteiro Pinto.

Neste como em muitos negócios o investimento efectuado ainda não foi recuperado, mais ainda quando José Carlos Monteiro Pinto revela que "acabo por investir 100% do que a empresa me dá. Até agora já apliquei dois milhões de euros e um projecto precisa em média de quatro ou cinco anos para que o investimento seja recuperado".

Se existem segredos para que um negócio seja bem sucedido, José Carlos Monteiro Pinto aponta a "dedicação total". Neste momento o empreendedor explica que o seu negócio está numa fase de afirmação, por isso optou por não crescer mais mas sim consolidar a sua posição no mercado.







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