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Nanotecnologia made in Portugal gera emprego

Nanotecnologia made in Portugal gera emprego

Portugal foi país escolhido pelo Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL) para fixar a sua sede, em Braga. Na decisão daquele que é o único instituto internacional dedicado à nanotecnologia, criado em 2008, pesou a localização estratégica da cidade e a sua proximidade a centros de investigação, universidades e à indústria. Mas nesta equação entrou também a capacidade nacional de formar recursos humanos altamente qualificados na área.

14.08.2015 | Por Cátia Mateus


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Nos últimos anos, a indústria da nanotecnologia cresceu e expandiu-se em Portugal. O país soube captar o interesse de profissionais e investidores estrangeiros, formar profissionais qualificados e potenciar a criação de novos negócios numa área onde o potencial de expansão ainda é grande, assim percebam os diversos ramos da indústria as vantagens de aplicar a nanotecnologia ao seu negócio. A nanotecnologia made in Portugal está a entrar no mapa e a ganhar mercado. Além de albergar o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), onde trabalham atualmente 140 profissionais de diversas nacionalidades, Portugal mantém-se também o centro de produção da Innovnano, a fábrica de nanotecnologia do Grupo CUF que a partir de Coimbra serve mercados como o do Reino Unido e Estados Unidos.

A partir de Braga, o INL “investiga o potencial da nanotecnologia e da sua aplicação em benefício da sociedade”, explica Lars Montelius, diretor do instituto que destaca a relevância internacional do instituto nos objetivos que cumpre. O instituto tem desenvolvido pesquisas aplicadas à área da saúde, segurança ambiental, alimentar, tecnologias de informação e energia, prova da sua transversalidade de aplicações. Na área da saúde, por exemplo, o INL tem desenvolvido trabalho de investigação para a deteção de células cancerígenas circulantes. Já na indústria alimentar, destaca-se o trabalho do instituto na deteção de toxinas nos alimentos. “A nanotecnologia é uma tecnologia-chave que pode ser aplicada em todas as indústrias modernas. Esta tecnologia de aplicação transversal agrega diferentes disciplinas, como a biologia, a química, a física e a engenharia, que pode ser aplicada em quase todos os produtos. Nanoestruturas como o tubos de carbono permitem criar materiais mais leves e, simultaneamente, mais resistentes. Nanopartículas de prata, por exemplo, podem criar superficies antibacterianas”, explica Lars Montelius para exemplificar o potencial da indústria nanotecnológica. Segundo o diretor do INL, “o objetivo do instituto é posicionar-se como um hub para o desenvolvimento tecnológico mundial, potenciando a sua posição como parceiro na área da ciência e inovação”. Um papel que o organismo tem vindo a conquistar, à medida em que também em Portugal a indústria da nanotecnologia tem vindo a ganhar expansão.

Em 2010 a Innovnano, a empresa do Grupo CUF anunciava a criação de uma nova unidade de produção na área da nanotecnologia no Coimbra iParque, o centro científico e tecnológico apadrinhado pela Câmara Municipal de Coimbra. O projeto nasceu com a convicção de que mais de 90% da sua produção tinha como destino mercados internacionais e assim foi. Dois anos passados, André Albuquerque, líder da Innovnano traça um balanço positivo das operações. A Innovnano tem neste momento oito famílias de patentes registadas, desde 2014 que exporta ativamente e tem como mercados preferenciais o Reino Unido e os Estados Unidos. Também neste caso, a localização da empresa beneficiou da proximidade à academia e indústria. Ainda assim para André Albuquerque, esta é “uma área de forte potencial de desenvolvimento em Portugal que ainda está muito longe da sua plena capacidade”.

O líder da Innovnano reconhece que o país tem todos os requisitos para dar cartas neste sector, desde a componente humana à localização e tecnologia, “e tem feito enormes progressos nesta matéria”, mas compatarivamente a outros países Portugal ainda não alcançou a plena adoção da nanotecnologia por parte de outros sectores, nomeadamente os amis tradicionais que, algo que só deverá suceder perto de 2030, segundo o responsável. ?Nessa altura, acredita André Albuquerque, a indústria nanotecnológica nacional deverá também estar mais perto de potenciar em pleno a criação de novos postos de trabalho no sector. Muito embora, o volume de postos de trabalho nacionais na área seja já expesssivo, na quantidade e na qualificação dos profissionais que já operam a partir de Portugal.

No top mundial dos investigadores

Segundo André Albuquerque, “Portugal está no top mundial na área da investigação aplicada à nanotecnologia”. O líder da Innovnano destaca o relevante papel que o INL tem desempenhado, a partir de Braga, para posicionar a nanotecnologia ibérica à escala mundial e, em simultâneo, chamar a atenção para a excelência dos profissionais que trabalham no sector, atraindo para solo nacional investigadores de várias nacionalidades.

Na Innovnano trabalham atualmente 20 elementos permanentes e dez estagiários ou temporários. “50% dos estagiários que recebemos ficam na empresa depois do estágios”, explica André Albuquerque enfatizando que há na sua equipa elementos de três nacionalidades distintas. No INL os números são superiores. Lars Montelius soma na sua equipa 140 profissionais (entre investigadores e elementos de suporte) que desenvolvem diariamente atividade no instituto. “Mais de 50% são doutorados e chegam de 20 nacionalidades distintas”, revela o diretor do INL enfatizando que “esta multidisciplinaridade de talentos permite a constituição de equipas interdisciplinares - biólogos, engenheiros químicos e físicos -, que conferem valor acrescentado aos projetos”. ?

Para Lars Montelius, “o potencial de criação de emprego do sector em Portugal é imenso”. O especialista acrescenta que a previsão internacional é que “o número de empregos no sector possa duplicar nos próximos 18 meses, devido à crescente dinâmica que a área tem estado a registar”. O instituto que lidera esta focado em estreitar a ligação à indústria e levá-la a reconhecer o seu potencial. Um reconhecimento que se traduzirá, forçosamente, na criação de emprego. As posições de investigação disponíveis no INL são divulgadas em processos de recrutamento globais. “As diferentes posições necessitam de perfis muito específicos. O que significa que para as áreas de investigação e desenvolvimento teremos menos candidatos compatíveis, com as tais competências específicas, do que para as tradicionais posições de administração”, explica Lars Montelius.

Contudo, o diretor do centro recursa que existam dificuldades de contratação no sector. “A abertura do sector à escala internacional e a sua orientação global são uma vantagem em matéria de recrutamento”, enfatiza. André Albuquerque corrobora, mas realça aquela que é, na sua opinião, a maior dificuldade associada ao recrutamento nas áreas de investigação e desenvolvimento: “encontrar em Portugal profissionais altamente qualificados com experiência na indústria. Bons investigadores encontramos nas universidades nacionais, mas perfis de investigação com ligação á indústria é mais difícil”, reconhece.?“As universidades e as empresas têm ADNs diferentes. Mas apesar disso, e olhando para o cenário internacional e para a realidade de universidades com as quais trabalhamos, como a de Austin Texas, percebemos que essa ligação à indústria é determinante até para captação de investimento”, explica André Albuquerque adiantando que “é forçoso que as universidades se abram à indústria e que sejam criadas parcerias com as empresas”.

A formação de profissionais com a capacidade de investigar na área da nanotecnologia e, simultaneamente, potenciar esta ligação é determinante e poderá constituir uma mais valia em termos de empregabilidade futura. Mais perto das empresas A par com a investigação na área da nantoecnologia, o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, quer promover a aplicação prática da I&D e a ligação prática às empresas. O instituto liderado poe Lars Montelius acaba de lançar uma incubadora de empresas que agregará em Braga novos negócios (portugueses, espanhóis ou europeus), em fase de criação ou lançamento no mercado. A nova estrutura terá capacidade para incubar dez negócios - aos quais cederá o espaço para lançamento de produtos ou serviços e disponibilizará os seus equipamentos e suporte técnico e científico - e tem já um primeiro inquilino, “uma empresa na área da biotecnologia que está a trabalhar na área dos diagnósticos clínicos”, explica Lars Montelius, o presidente do INL. ?

Com esta plataforma o INL reforçará o seu objetivo de se posicionar como um organismo e parceiro de referência mundial na área da nanotecnologia. Lars Montelius explica que na nova incubadora há espaço para “empreendedores com profundo conhecimento na área da nanotecnologia e que a queiram aplicar numa solução ou produto e pessoas que tenham uam necessidade identificada que possamos ajudar a preencher com recurso à nanotecnologia. Na essência, qualquer pessoa com uma boa ideia”. Para se candidatarem a um lugar na incubadora do INL, os empreendedores deverão apresentar o seu projeto ou ideia à StartupBraga, integrada na InvestBraga. Garante Montelius que “a capacidade de apoio do INL a projetos incubados não está limitada ao número de empreendedores, mas sim à necessidade de acompanhamento específico que os seus projetos possam requerer”.



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