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Luzes, câmara... trabalho

28.10.2005


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Marisa Antunes

O MERCADO do entretenimento televisivo em Portugal já viveu melhores dias. O volume de negócios das produtoras independentes tem vindo a diminuir, tal como os salários reais de grande parte dos 4.500 profissionais que desenvolvem a sua actividade neste sector, 70% dos quais «freelancers». Quem o diz é o presidente da Associação dos Produtores Independentes de Televisão (APIT), Frederico Ferreira de Almeida: «O mercado do audiovisual, actualmente estimado em 60 milhões de euros, teve um decréscimo na ordem dos 30 a 35%, nos últimos sete anos. Que se reflectiu também no rendimento dos trabalhadores. Se há uns anos, um bom operador de câmara ganhava 250 euros por dia, hoje recebe em média 150 euros. Só para citar um exemplo».


O fenómeno instalado da «horizontalidade da grelha» em todos os canais generalistas levou a uma menor diversidade na programação, aponta o presidente da APIT, uma associação com 23 produtoras, representativas de 90% do mercado audiovisual.

«Antigamente era possível ver programas diferentes, todos os dias. À 2.ª passava um concurso, à 3.ª a novela, à 4.ª uma série... Agora, assiste-se de 2.ª a 6.ª feira, sempre ao mesmo concurso ou à mesma novela»
, exemplifica Frederico Ferreira de Almeida, que é também director da produtora Freemantle. «Há pouca variedade de produtos porque é mais barato. Mas isso gera menos facturação para o mercado do entretenimento».

Nuno Artur Silva, das Produções Fictícias corrobora: «O período de muito dinheiro na televisão generalista já passou. Os custos de um programa de anedotas, por exemplo, são muito menores do que uma série de ficção». Apesar da crise generalizada do sector e da preferência dos canais de televisão pelos produtos de baixo custo, a carga horária de ficção nacional na televisão portuguesa tem vindo a aumentar graças à SIC e à TVI, tendo-se fixado em 2390 horas, no ano passado.

A aposta da Media Capital na NBP, para produzir novelas a transmitir na TVI, trouxe algum dinamismo a um mercado volátil, que se rege pelo «prime-time», por «shares» e níveis de audiência. «Os preços a pagar a quem trabalha neste mercado dependem do tipo de projecto e por quanto se vende esse mesmo projecto. Uma série de ficção não vale o mesmo se passar às nove da noite ou às sete da tarde. Ou se um episódio de uma série leva uma semana em gravações ou apenas dois dias», diz José Cruz, um dos três sócios da Herman Zap, em conjunto com Herman José e Nuno Artur Silva.

Na Antinomia, empresa produtora da actriz Filomena Gonçalves, uma série escrita pelo seu marido Moita Flores, com uma média de 13 episódios, demora cerca de três meses a gravar. Segundo o escritor e professor de guionismo, os técnicos podem ganhar entre 1.000 a 7.500 euros por mês e o «cachet» dos actores varia entre os 3.000 e os 6.000 euros.

Primando pela qualidade, as séries de Moita Flores, como o «Processo dos Távoras» ou a «Raia dos Medos», já arrecadaram prémios e elogios da crítica nacional e internacional. «Escrevi a primeira novela há 24 anos — os ‘Desencontros' — em parceria com o Luís Filipe Costa. Desde então, nunca mais parei. Adoro escrever e pretendo conciliar a minha actividade autárquica com a escrita», afirma Moita Flores, recentemente eleito presidente da câmara de Santarém.

Nuno Artur Silva é outro apaixonado pela escrita, que nunca descurou, apesar das suas actividades como administrador das Produções Fictícias ou sócio na Herman Zap. Catapultada para o sucesso com os guiões escritos para Herman José ou para os bonecos do Contra-Informação, as Produções Fictícias colaboram com 24 guionistas, criativos e argumentistas. «O processo de recrutamento passa pelos cursos e ‘workshops' para guionistas que organizamos ou através dos textos que aqui nos chegam. Todos os dias há pelo menos uma pessoa a contactar-nos», refere o criativo.

A primeira leitura dos textos é feita pelo próprio Nuno Artur Silva, que se apoia posteriormente na opinião de mais duas pessoas. Se passar o teste, «o candidato a guionista é contactado e desafiado a participar num projecto», pormenoriza. Uma característica comum às produtoras independentes em Portugal é a reduzida dimensão da estrutura fixa e o recurso generalizado a trabalhadores independentes sejam eles guionistas, actores, directores de fotografia, maquilhadores ou especialistas em pesquisas, para citar apenas algumas das profissões do sector.

Na Herman Zap, o quadro de pessoal efectivo restringe-se a dez funcionários (na Antinomia e nas Produções Fictícias a estrutura fixa não vai além das quatro pessoas).

Cursos para o mercado audiovisual

Com o aumento do interesse pelas áreas ligadas ao mundo dos «media», a maior parte das instituições de ensino alargou a sua oferta de cursos a estas temáticas. Tome nota de algumas das instituições onde pode aprender mais sobre esta área:
. Instituto Superior Miguel Torga (incluído na licenciatura em Ciências da Informação)
. Universidade Nova de Lisboa (incluído na licenciatura em Ciências da Comunicação)
. Universidade Autónoma de Lisboa (licenciatura em Ciências da Comunicação)
. Universidade Moderna (curso de Produção e Realização de Projectos Audiovisuais)
. Universidade Lusófona (licenciatura em Cinema Vídeo e Comunicação Multimédia)
. Universidade Independente (licenciatura em Ciências da Comunicação, variante Audiovisuais)
. Universidade do Minho (incluído na licenciatura de Comunicação Social)
. Escola Técnica de Imagem e Comunicação (ETIC)





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