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Ligações proveitosas

Empresas e universidades ganham mais se trabalharem em cooperação. A realidade comprova-o. Alguns dos produtos do seu quotidiano podem ter bases universitárias
17.05.2007


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Maribela Freitas e Marisa Antunes
A ligação entre as universidades e as empresas há muito que deixou de ser uma utopia. Apesar de ser desejável que se atinjam níveis mais elevados de cooperação, já existem exemplos de efectiva união entre o saber teórico e o prático que deram frutos. O processo de produção da nova Super Bock sem Álcool resultou, precisamente, de um projecto de investigação desenvolvido em parceria entre a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto/Departamento de Engenharia Química (FEUP/DEQ) e a Unicer. A empresa recebe alunos desta faculdade no âmbito da disciplina de projecto de investigação, há já cinco anos.


Em 2003 e durante um visita aos laboratórios de I&D da Unicer, Adélio Mendes, docente da FEUP/DEQ, teve uma ideia. “Na altura sugeri a possibilidade de se produzir cerveja sem álcool enriquecida nos aromas extraídos da própria cerveja”, lembra o professor. É que, as tecnologias disponíveis para extracção do álcool de uma cerveja removem também uma parte significativa dos aromas. “Assim, a cerveja produzida tem um sabor estranho, muitas vezes caracterizado como desenxabido.

A ideia proposta considerava a extracção dos aromas da cerveja acabada por um processo de pervaporação, seguida de remoção do álcool da cerveja e a posterior reintrodução dos aromas extraídos na cerveja já desalcoolizada”, pormenoriza o docente. Este processo é único e foi possível o registo de uma patente.

Nesta investigação, terminada no final de 2006, estiveram envolvidos elementos da Unicer e da FEUP/DEQ. Para Adélio Mendes, que coordenou a investigação, “este é o tipo de projectos que só teve êxito devido à parceria desenvolvida. Foram os conhecimentos específicos de ambas as instituições que levaram a obter um produto onde mais ninguém antes tinha chegado”. Quanto ao impacto destas parcerias no mundo académico, o docente afirma: “Tem-se verificado que os alunos envolvidos em projectos de êxito com a indústria, acabam por ficar nessas empresas ou têm muito mais facilidade em empregar-se”. As empresas têm ainda a possibilidade de aceder a conhecimentos e os universitários de adquirir competências que não são leccionadas nas escolas.

Na perspectiva das empresas, estas uniões são bastantes importantes. “A grande mais-valia nestas parcerias é trazer o trabalho de investigação para o campo prático. Quanto mais projectos existirem com aplicação que tragam valor acrescentado, melhor”, salienta Joana Queiroz Ribeiro, directora de comunicação da Unicer. Neste momento, a instituição tem em desenvolvimento parcerias com as Universidades do Porto, Évora, Católica e alguns institutos superiores.

No recém-inaugurado pólo de Inovação da Nokia Siemens Networks (NSN), em Aveiro, desenvolve-se, entre outros, o projecto das redes ópticas passivas. “Este projecto, que é do mais avançado que se está a fazer a nível mundial, vai ter uma aplicação prática e já está em fase de desenvolvimento”, refere João Picoito, responsável da NSN. Partindo de uma estreita colaboração com a Universidade de Aveiro (UA), a «joint-venture» para a área de redes da Siemens e da Nokia, instalou o seu laboratório no campus universitário onde se vai dedicar, nos próximos três anos, à investigação e desenvolvimento na área de soluções de telecomunicações.

Já com cinco centros de inovação mundial instalados em Portugal, a NSN aposta forte nestas parcerias académicas que, além da UA se estendem ainda às universidades de Coimbra e Minho, ao Instituto Superior Técnico e à Faculdade de Ciências de Lisboa. Uma mais-valia para a empresa mas também para estas instituições. “Além da transferência de tecnologia de que beneficiam as universidades, estes projectos, sendo aplicáveis no mundo inteiro, garantem-lhes um acesso mundial”, frisa João Picoito.

Também a colaboração entre a IBM e o Instituto Superior Técnico (IST) tem sido proveitosa. Recentemente, estas duas entidades colocaram em produção o sistema de computação de alto desempenho (habitualmente designados de HPC, ou seja, High Performance Computing) mais denso, económico e rápido do país.

Concluído em quatro meses, o projecto consiste na criação de uma infra-estrutura de computação paralela de alto desempenho para Investigação, Desenvolvimento e Inovação (ID+I) em física de plasmas e lasers ultra-intensos. Através desta nova infra-estrutura, o IST fica apto a responder a desafios mais ambiciosos, reduzindo o tempo de desenvolvimento.

Luís Oliveira e Silva, professor associado do IST e coordenador do projecto, realça a importância do sistema, lembrando que “os modelos computacionais funcionarão cada vez mais como experiências virtuais capazes de acelerar o processo de descoberta científica em todas as áreas do conhecimento”.

Ainda segundo este responsável, a complexidade de uma solução desta natureza levou-os a eleger um parceiro com experiência em computação de alto desempenho. “A IBM entendeu os nossos problemas e necessidades e apresentou uma solução que foi ao encontro da nossa visão”, sublinha o docente.

Para Luís Diniz Santos, responsável pelo departamento de Soluções de Inovação da IBM Portugal, a preocupação foi, “desde o início, proteger os interesses do IST através de uma solução fiável e tecnologicamente avançada, de forma a garantir um arranque em produção o mais rápido possível e, simultaneamente, garantir a longevidade do investimento feito”. Este projecto, no valor de 330 mil euros, foi fornecido em parceria com a Prológica e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, inserindo-se no Programa Nacional de Reequipamento Científico.





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