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Jornalismo: esta equipa quer alavancar carreiras

Jornalismo: esta equipa quer alavancar carreiras

Identificar e alavançar o talento de jovens jornalistas é a missão da startup portuguesa begin.media que na próxima segunda-feira se lança no mercado. A sua equipa de fundadores quer apoiar profissionais da comunicação em início de carreira e levar o público a pagar pela informação que consome.

23.10.2015 | Por Cátia Mateus


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O conceito é simples: jornalistas mais velhos (mentores) apoiam jornalistas mais novos (beginners) no acesso à profissão e o público paga pelos conteúdos que consome. Exposto desta maneira, poderá parecer perfeito, não fossem os desafios que a equipa de mentores da startup begin.media sabe que terá de enfrentar para operacionalizar este modelo, numa área profissional onde a empregabilidade é hoje uma dificuldade tão consistente quanto os modelos de financiamento dos media. Foi exatamente este contexto de dificuldades que se coloca a quem escolhe o jornalismo como profissão que inspirou Marta Velho, João Pedro Machado e Marília Abrantes, na criação de um projeto focado em “criar mercado para as centenas de jovens que todos os anos saem dos cursos de Comunicação Social e não encontram saídas profissionais que correspondam às suas expectativas”. Antes mesmo de estar lançada (o qu só acontece na próxima segunda-feira, dia 26), plataforma captou a atenção da Web Summit, a conferência mundial de tecnologia que Portugal recebe no próximo ano, que selecionou a startup portuguesa para integrar o seu programa ALPHA, direcionado para projetos em fase de lançamento.

“Hoje em dia é muito difícil ser jornalista. As taxas de desemprego e precariedade são cada vez maiores e os mais novos saem das faculdades para encontrar um deserto de oportunidades. Muitos acabam por desistir dos seus sonhos”, explica Marta Velho, CEO da startup begin-media, que soma ela própria um percurso de cinco anos no Grupo Renascença e a co-fundação do projeto Youth Press Portugal (atualmente desativado). A Marta juntam-se, no desafio de alavancar a carreira profissional de jovens jornalistas em formação, João Pedro Machado (o gestor que lidera a direção de Vendas da Zomato) e Marília Abrantes, ex-jornalista da TVI e especialista em gestão de marcas e social media. Juntos conceberam, em junho deste ano, uma plataforma - a begin.media - que potenciar a empregabilidade das novas gerações de jornalistas e “dar uma nova valorização à forma de fazer jornalismo, através de um sistema em que os mais velhos ajudam os mais novos e o público paga pelo que consome”, explicam destacando o mote que inspira este projeto e que é, simultaneamente, a sua assinatura: #givebacktojournalism (retribui ao jornalismo).
Colocar o fogo nos beginners

A plataforma é de fácil utilização e entra online, nesta fase ainda numa versão beta, na próxima segunda-feira, 26 de outubro, ainda sem que todas as suas funcionalidades estejam operacionais. O grande desafio da equipa será levar os consumidores de informação a pagar pelo conteúdo disponibilizado. “Nós sabemos que as pessoas não pagam conteúdo. Não o valorizam o suficiente para tal. Por isso desenvolvemos um sistema que leva cada leitor a contribuir para o trabalho e a carreira do jornalista, em vez de estar a pagar o conteúdo em si“, explica João Pedro Machado, gestor do modelo de negócio e estratégia do projeto garantindo que “cada cêntimo irá para a conta do autor”. ?

Nesta primeira fase de lançamento, em que o objetivo é testar a atratividade do projeto, a funcionalidade de pagamento será “meramente indicativa” estando a equipa a estudar a melhor forma para a potenciar. “Por definição do projeto, 100% do valor que o leitor contribua para ler artigos será distribuído pelos autores, os beginners, e o que estamos a estudar neste momento é a melhor forma legal de transferir depois esse dinheiro”, explica Marta Velho. ?O aspeto financeiro do projeto não é, segundo a equipa, a única mais-valia da plataforma begin.media. Há, como garantem, um enorme potencial na promoção do portefólio dos profissionais em início de carreira, já que além de permitir que mostrem o seu trabalho, a equipa pretende também “estabelecer parcerias com órgãos de comunicação social, permitindo-lhes escolher e publicar algumas histórias”, realçam. Trata-se de “colocar o foco no trabalho dos beginners” garantindo que sejam pagos pelo público, mas também que tenham destaque nas melhores publicações.

O que ganha a equipa de fundadores neste processo? “Teremos um retorno semelhante a qualquer página online e, por isso, ganharemos em função da dimensão da plataforma e do que esta conseguir em termos de retorno publicitário”, esclarecem os mentores que por agora mantém as suas funções profissionais em paralelo com o desenvolvimento do projeto.

Como funciona a plataforma?
Dar impulso à carreira de jovens jornalistas, recém-licenciados em cursos de jornalismo, é o objetivo da begin.media. “Na plataforma, os autores - ou diremos antes, os beginners - vão escrever e publicar as suas melhores histórias com o apoio editorial de jornalistas mais experientes, os chamados mentores, personalidades reconhecidas no mundo da comunicação social que se associaram ao projeto para ajudar os mais novos”, explica a equipa de mentores do projeto. Segundo Marta Velho, apenas um excerto do texto ficará disponível e para ter acesso ao trabalho na sua totalidade, o público tem de fazer uma contribuição monetária que reverterá “em cada cêntimo” para a conta do autor.?

Em paralelo, a equipa da begin.media estará a promover o portfólio dos jovens autores junto de órgãos de comunicação social, procurando realizar a ponte para o mercado de trabalho e garantindo a publicação de algumas das histórias. “O nosso trabalho fica terminado quando algum deles consegue uma proposta de trabalho e é absorvido pelo mercado”, explica Marília Abrantes, responsável pela comunicação da startup portuguesa.?Nesta fase de lançamento a plataforma conta com uma carteira de seis mentores de vários órgãos de comunicação nacionais, prontos para ajudar os beginners a aperfeiçoar as suas competências profissionais e adaptá-las às exigências do sector. “Até agora recebemos 400 candidaturas, das quais 90 vieram às sessões de apresentação que realizamos, resultando num total de 54 propostas de trabalhos já apresentadas à plataforma”, realça Marta Velho.



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