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Inovação à escala nacional

Lisboa e Porto lideram o «ranking» das cidades que mais inovação produzem. Mas o ‘Portugal Inovador’ percorre outras terras e lugares
21.06.2007


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Cátia Mateus
Os dados existentes no país não permitem determinar, geograficamente e com precisão, qual a cidade que mais inovação produz no panorama nacional. Nem mesmo o Inquérito Comunitário à Inovação disponibiliza uma desagregação por cidades. Contudo, o Expresso cruzou dados e ouviu especialistas para tentar perceber qual o berço da inovação nacional. As contas não são fáceis, mas mesmo assim não fogem à regra no que toca à liderança: Lisboa e Porto encabeçam o «ranking».

O Lisbon Scorecard — o indicador europeu que analisa o comportamento dos indicadores estruturais relativos à Agenda de Lisboa, nomeadamente no campo da inovação, em 27 países — coloca Portugal na 16ª posição no que toca a inovação. Uma posição favorável que recompensa publicamente o esforço do país em pontuar neste terreno. Um esforço que pode não ser de âmbito nacional e encontrar, bem vincadas, algumas nuances regionais.

O registo de patentes é talvez a forma mais linear de analisar a inovação. Os dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), não desagregam a inovação por cidades, mas fazem-no por regiões. Em 2006, segundo este instituto, a região de Lisboa foi a que registou mais patentes (98 exactamente), seguida do Porto (com 75) e da região Centro (com 49). Contudo, não é surpresa que a grande fatia da inovação nacional nasce nos bancos das universidades transitando posteriormente para as empresa. Partindo desta premissa, a análise do ano de 2006 gerou também dados curiosos.

Os dados do INPI revelam que no ano passado, pela primeira vez, as universidades ultrapassaram as empresas no número de pedidos de patentes. O Instituto Superior Técnico lidera a lista das escolas que mais invenções reclamaram, com 44% dos registos. Seguem-se a Universidade do Minho, a de Aveiro, a Universidade Nova, a de Coimbra e a do Porto. Uma relação que não espanta Lino Fernandes, presidente do conselho de administração da Agência da Inovação (AdI) para quem, “muita da inovação produzida em Portugal tem origem nas universidades, resultante quer da I&D que levam a cabo, quer do seu « networking» internacional”. Ainda assim, o responsável enfatiza a ideia de que “essa inovação, no sentido do conhecimento valorizado no mercado, é, em última análise protagonizada pelas empresas”.

Talvez por isso, acredite que a geografia da inovação nacional não se restringe a Lisboa e Porto como numa primeira análise os dados possam denunciar. Lino Fernandes diz não dispor de uma informação estatística exacta sobre a desagregação da produção de inovação por cidades, mas confessa ter uma percepção da geografia da inovação, em particular da I&D empresarial, que reflecte simultaneamente o papel do ensino superior e a distribuição do perfil de especialização do tecido económico nacional.

Assim, “usando os dados do investimento em I&D dos projectos de investigação em consórcio apoiados pela AdI, por concelhos de localização da sede da empresa teríamos, por ordem decrescente de importância, os ‘dez' mais: Lisboa, Matosinhos, Oeiras, Porto, Coimbra, Maia, Almada, Braga, Marinha Grande e Aveiro”, revela o presidente da AdI.

Lino Fernandes reforça que “segundo o último Inquérito Comunitário à Inovação, o número relativo de empresas com actividades de inovação está, em Portugal, ao nível da média comunitária”. O especialista diz acreditar que “embora com grande atraso, o país apostou forte na melhoria dos recursos humanos e essa aposta reflectiu-se nas empresas, incluindo no nível de formação dos empresários e dos seus quadros” e destaca que “o crescimento da inovação, em particular o aumento da I&D empresarial, segue de perto esta mudança do perfil de especialização, sendo protagonizada em particular por novas gerações de empresários”.

Mas nem só a classe empresarial e as universidades podem ser agentes de inovação. É desejável que os municípios também o sejam. Fátima Fonseca, investigadora na área da inovação para o INTELI, tem vindo a defender publicamente a importância do papel dos municípios no fomento e expansão do espírito inovador.

A investigadora acredita que “as autarquias devem actuar enquanto parceiras junto das empresas e outros «stakeholders» locais, regionais ou até internacionais envolvidos em projectos inovadores”. Além deste papel, devem também apostar em práticas exemplares de inovação ao nível da prestação de serviços e até da sua gestão de recursos.

Com estes e outros esforços (ver caixa), Lino Fernandes não tem dúvidas de que “na próxima década o ‘Portugal Inovador' reúne condições para se transformar no modelo dominante da economia pelo duplo efeito da sua rápida internacionalização e do impacto da sua «clusterização»”. Mais defende que “muitas das empresas que temos possuem um forte potencial de crescimento internacional, em segmentos dinâmicos de procura mundial”.

Top das prioridades

O presidente do conselho de administração da Agência da Inovação, Lino Fernandes, defende que os resultados do aumento do investimento na I&D empresarial e na inovação são já visíveis no país, mas não nega que há algumas prioridades a cumprir para levar a inovação nacional a competir a uma escala global. A saber:

. Manter o esforço para recuperar o atraso no nível de formação da população nacional;
. Introduzir ajustamentos nos mecanismos públicos de apoio à inovação, criando, por exemplo, apoios públicos adequados à intensificação da I&D empresarial;
.
Desburocratizar a cadeia de decisão do sistema de apoio à I&D empresarial e à inovação, com avaliação mais focada nos resultados do que no ‘controlo do papel' e introduzindo mecanismos que premeiem o sucesso;
. Criação de uma ‘via verde' nos mecanismos de decisão pública para facilitar uma chegada mais rápida ao mercado dos resultados da I&D, nomeadamente aos mercados internacionais;
. Definição de políticas activas de apoio à difusão de resultados inovadores que permitam reduzir o dualismo da economia portuguesa, tirando partido do que temos de mais moderno e inovador.





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