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Imobiliário volta a contratar

Imobiliário volta a contratar

Depois dos anos difíceis vividos entre 2008 e 2013, o sector imobiliário nacional começa a dar sinais de dinamismo. A retoma do crédito bancário que já se faz notar e o interesse crescente dos investidores nacionais e estrangeiros no país, estão a gerar impacto direto no mercado de trabalho no sector. A face mais visível desta tendência é o reforço das contratações nas mediadoras imobiliárias que, tanto no segmento residencial (tradicional ou luxo) como no não residencial (escritórios), estão a investir forte no reforço das suas equipas.

27.03.2015 | Por Cátia Mateus


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Os dados relativos à evolução de negócio das principais consultoras de mediação imobiliária a operar em território nacional são o melhor dos barómetros para medir a recuperação do sector em solo nacional. Em todos, o denominador comum é o crescimento, no volume de faturação e nas transações. Um otimismo que está a potenciar a criação de emprego e a levar as empresas de mediação a procurar no mercado reforços, maioritariamente para as suas áreas comerciais e de contacto com o cliente. Até ao final deste ano, as sete empresas contactadas pelo Expresso Emprego deverão superar a fasquia dos quatro mil novos empregos criados, num sector cada vez mais especializado e que fruto do interesse crescente que o país está a registar junto de investidores estrangeiros, tem hoje um grau de exigência muito superior em matéria de recrutamento.?Depois de um longo período de adversidade, o sector imobiliário nacional parece ter entrado numa fase de correção e crescimento que é transversal aos seus vários segmentos de mercado.

ERA, Remax, Century 21, Cushman &Wakefield, Engel & Völkers, LUXIMO's Christie's International Real Estate e Fine & Country, têm em comum o otimisto e o denominador de crescimento e qualificação da suas equipas. No segmento residencial, Rui Torgal, diretor de operações da ERA em Portugal, confirma que “o contexto económico é claramente mais favorável. O aumento do crédito à habitação. a procura do mercado internacional e o surgimento de investidores nacionais têm vindo a impulsonar positivamente o mercado”. Fruto desta evolução, a rede imobiliária  prevê para este ano um crescimento de 20% na faturação, a abertura de 25 novas lojas em Portugal, e com elas a contratação de pelo menos 500 profissionais para a sua equipa. Recrutamentos que servirão para reforçar a estrutura comercial da marca, mas também a administrativa.

?A Century 21 segue uma estratégia idêntica, mas com números superiores. Ricardo Sousa, administrador da marca, prevê mil novas contratações ainda este ano. “Esta criação de postos de trabalho é determinada por três fatores: a abertura de novas lojas - sobretudo em Lisboa, Grande Porto e Algarve -, as necessidades de contratações específicas nas lojas já existentes e a expansão ibérica da Century 21 que está a gerar oportunidades na central ibérica da empresa, localizada em Lisboa”, explica o líder realçando que as oportunidades se alargam da área comercial, aos recursos humanos, marketing, área financeira e de formação com um foco comum: qualificação e especialização para atuar num mercado competitivo como o imobiliário.

?Na Remax as previsões são semelhantes. Beatriz Rubio, CEO da marca em Portugal, quer contratar este ano 500 novos agentes e, garante, “trabalhar em simultaneo na retenção dos que já detém”. Da equipa nacional da Remax fazem parte mais de 3500 profissionais. Beatriz Rubio fala de uma taxa de retenção na ordem dos 60% que a orgulha, mas que é, segundo destaca, fruto de um trabalho intenso da marca na formação e motivação dos seus profissionais. Uma estratégia cada vez mais determinante num mercado com níveis de exigência e qualificação crescentes. “O mercado está mais complexo, o que obriga os seus intervenientes a serem mais especializados, tornando a sua qualificação um fator relevante”, explica a CEO da Remax acrescentando que “o mercado imobiliário é visto, cada vez mais, como uma oportunidade de grande retorno profissional, o que faz com que as agências recrutem novos consultores com um grau académico bastante amis elevado do que anteriormente”. Uma aposta que não só melhora a imagem do mercado perante os clientes, como o torna mais aliciante aos olhos dos profissionais.

Oportunidades globais
Foi exatamente o grau de exigência e dinâmica do sector que atraiu Marta Esteves da Costa e que hoje a conduziu a uma função internacional como diretora de Research & Consultoria Ibérica da Cushman & Wakefield, a consultora especializada no mercado de escritórios. Licenciada em Economia e com um percurso também consolidado na banca, Marta revela que “a entrada no sector imobiliário surgiu de forma inesperada, mas rapidamente se tornou uma paixão”. Desde 2009 que participava em projetos de consultoria internacionais da Cushman & Wakefield, coordenando equipas multidisciplinares nos mais diversos mercados, até que surgiu a oportunidade de internacionalizar a sua carreira.

Uma opção que coloca em sintonia Eric van Leuven, diretor geral da Cushman & Wakefield, e Pedro Martins, especialista em recrutamento e  manager da Michael Page Enigeering & Property, ao admitirem que a crescente especialização do sector elevou também as oportunidades de carreira dos seus profissionais. O líder da Cushman, confirma que dois terços dos profissionais da empresa têm formação superior e uma média de sete anos de experiência no mercado. “Hoje, valorizam-se muito mais do que há alguns anos, as competências financeiras e analíticas, por exemplo”, explica Eric Van Leuven relembrando que “o facto de ter passado a haver cursos específicos de gestão e avaliação imobiliária também contribuiu para aumentar a qualificação dos profissionais” e, consequentemente, a sua valorização no mercado. ?

Pedro Martins confirma-o: “o mercado imobiliário nacional está cada vez amis especializado. Os profissionais de qualidade são uma mais valia em qualquer área de negócio, acrescentando valor ao que está a ser produzido e transacionado e o sector imobiliário não é exceção”, sobretudo, com o crescente nível de exigência potenciado pelo interesse estrangeiro no imobiliário de luxo nacional, também em crescimento.

O especialista em recrutamento, realça que “a procura de comerciais nesta área tem aumentado no último ano e espera-se que continue a aumentar em 2015”, com fortes probabilidades de aparecimento de oportunidades internacionais e bons índices salariais no sector imobiliário e da construção. “Um project manager neste sector receberá em média 40 a 50 mil euros anuais, um diretor de obra, entre 35 a 45 mil euros/ano e no caso de um business developer, a remuneração pode variar entre os 40 e os 50 mil euros/ano”, refere o especialista a título de exemplo.

Profissionais de luxo
Cada vez mais especializado, o setor imobiliário tem vindo a apostar de forma crescente em profissionais qualificados. A tendência aplica-se não só às áreas da construção, mas também da comercialização de imóveis, sobretudo no segmento de luxo. “Além da formação académica base, se existirem nos Cvs aspetos diferenciadores, estes constituem sem dúvida uma mais-valia na hora de escolher os profissionais”, explica Pedro Martins, manager da Michael Page Engineering & Property. Mas no segmento de topo de gama, no momento do recrutamento, a especificidade destes “aspetos diferenciadores” não é deixada ao acaso.

“Comercializar um imóvel de luxo exige um perfil muito específico. Os nossos clientes são somente 5% da população. Os 5% com mais poder financeiro, habitualmente em posições de liderança e com altos padrões de exigência”, explica Ricardo Alves da Costa, CEO da LUXIMO’s Christie’s International Real Estate. Razão pela qual, o CEO garante que na sua equipa só cabem profissionais com um conjunto muito restrito de características que não se encontram em todos os profissionais. Além de um posicionamento “absolutamente íntegro”, da persistência e exigência, Ricardo Alves da Costa privilegia perfis com “uma política de serviço incomparável aos clientes, interessantes e interessados, dinâmicos, totalmente disponíveis, atentos ao detalhe, sóbrios, motivados para a formação contínua e com as características de responsabilidade e discrição que lhe estão associadas”. Um perfil que aplica não só ao recrutamento de comerciais que contactam com o cliente, mas também de todos os elementos que integrem a sua equipa.

O domínio de vários idiomas é também uma tendência crescente no recrutamento para as equipas que operam no setor imobiliário, ainda que o CEO da LUXIMO’s prefira colocar o foco na formação que os profissionais têm de ter antes de entrarem no terreno. “No plano teórico, o luxo não é uma commodity, logo todos os aspetos relacionados com a venda de um artigo de luxo, tal como o serviço de mediação, não deverão destoar, pelo contrário deverão realçar as características do produto”, explica. Uma visão também corroborada por Nuno Durão, managing partner da Fine & Country, apesar do especialista destacar que para a empresa que lidera “luxo não significa caro, mas algo com características ímpares, único e que coincide com o critério do comprador”. É esta sensibilidade que procura nos profissionais que seleciona e que, nesta ótica, deverão “escolher e conhecer muito bem os imóveis e as características que os tornam únicos, mas sobretudo saber interpretar e entender exatamente as necessidades e anseios dos compradores”. A equipa que lidera integra 12 pessoas, oito alocados às vendas. Nuno Durão reconhece o potencial desta carreira, mas também o seu elevado grau de exigência: “é uma carreira dura e às vezes frustrante já que tem de estudar em profundidade o mercado imobiliário nacional e internacional, saber ouvir e interpretar o cliente, compreender o vendedor e o comprador e demonstrar muito conhecimento do mercado de modo a não fazer o cliente perder tempo e encontrar-lhe o que pretende quanto antes”.

Em pleno processo de expansão global, a Engel & Völkers prepara-se para recrutar este ano 2000 profissionais em todo o mundo, Portugal incluído. Ignácio Fiter, diretor de Expansão Ibérica da Engel & Völkers, realça também a exigência da  função. “Os clientes deste segmento imobiliário exigem um bom aconselhamento, análise e informações detalhadas e exatas sobre preços, localizações e produtos mercado. Desta forma, a venda deste tipo de produto tem de ser feita por profissionais que possam por à disposição do cliente não só todo um conjunto de informações complementares, mas também a facilitação de serviços de apoio que muitas vezes são decisivos na escolha das propriedades”, explica. Orientações que exigem, segundo o especialista, uma crescente especialização e qualificação por parte dos profissionais, levando as empresas a recrutar cada vez mais perfis em áreas diversas e transversais à atividade do setor.



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