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Geradores de emprego

Os parques empresariais e tecnológicos são pequenos grandes oásis de emprego no actual cenário desolador de crise económica. Só em três regiões do norte do país, já foram, ou vão ser criados, a curto e médio prazo, mais de 25 mil postos de trabalho.
02.11.2007


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P align=justify>Cátia Mateus e Marisa Antunes
Os parques empresariais e tecnológicos tardaram a multiplicar-se em Portugal, mas apesar do atraso começam agora a surgir os primeiros frutos do investimento feito na inovação, investigação e sinergias, um resultado que se traduz na criação de novas empresas e de postos de trabalho. Na região Norte, a mais martirizada com o fenómeno do desemprego, têm surgido alguns casos de sucesso que contribuem para minimizar o impacto negativo da crise económica.

Só nas regiões dos Vales do Lima e Minho, a dinâmica dos 22 parques e pólos empresariais permitiu a instalação de mais de uma trintena de empresas e a criação de cerca de 10 mil postos de trabalho. Criado com a missão de impulsionar o desenvolvimento económico desta área geográfica, foi constituído o Conselho Empresarial dos Vales do Lima e Minho (CEVAL) que abrange várias associações empresariais circundantes, de Melgaço a Monção, de Arcos de Valdevez a Viana de Castelo, de Ponte de Lima a Vale do Âncora, entre outras.

O presidente do CEVAL, Carlos Jorge deu alguns exemplos da recente evolução do tecido empresarial do Alto Minho. No Parque Industrial de Lanheses, onde 80% dos lotes foram vendidos, encontram-se empresas já em início de laboração, estimando-se que sejam criados cerca de 700 postos de trabalho directos, uma boa parte absorvidos pelo grupo multinacional ENERCON, de produção de componentes para conversores eólicos. Entre outras áreas de representatividade, estão ainda os granitos e rochas ornamentais, componentes automóveis, transformação de vidro, serralharia, alimentação, metalomecânica e mobiliário. Só nos dois pólos industriais de Vila Nova de Cerveira e no parque empresarial do Fulão, inaugurado em Junho de 2006, estão instaladas 81 empresas, que empregam cerca de 2000 pessoas e actuam essencialmente na área da indústria dos componentes de automóveis.

Por sua vez, em Arcos de Valdevez, os três parques de empresas (Mogueiras, Paçô e Padreiro) abrangem 44 organizações que absorvem 2100 trabalhadores. Para o responsável do CEVAL, “o impacto dos parques empresariais na região tem sido crescente”. “Assiste-se a uma «clusterização» de alguns sectores importantes das indústrias modulares (automóvel, electrónica, construção naval) e as energias renováveis, sobretudo no que respeita ao aproveitamento das condições naturais existentes, quer em termos de energia eólica quer no aproveitamento de biomassa. A construção de parques eólicos apresenta já algum desenvolvimento, estando o sector a passar por um «upgrade» da fileira produtiva a partir da qual outras actividades associadas podem emergir (metalomecânica, polímeros, transportes, componentes eléctricas, etc.)”, diz Carlos Jorge.

O responsável realça ainda o “impacto do crescente investimento financeiro das autarquias dos Vales do Minho e Lima nas últimas duas décadas e a aposta dos investidores privados nesta região, nomeadamente de empresas provenientes da região da Galiza, que resultou na criação de milhares de postos de trabalho, distribuídos pelos diferentes municípios do Alto Minho”.

Também no município de Vila Nova de Gaia, o investimento na criação de parques empresariais se faz notar. Marco António Costa, vice-presidente da autarquia, desvendou ao Expresso Emprego a nova ‘cidade empresarial' que se perspectiva para o município. “Esta aposta da câmara surge não apenas pela necessidade de atrair investimento para Gaia, mas pela urgência em reorganizar o tecido económico e industrial local que se encontra disperso desordenadamente pelo município”, clarifica Marco António Costa enfatizando que “90% da nossa indústria está dispersa”.

Consciente que hoje os parques empresariais são vistos não só como instrumentos de ordenamento territorial, mas também como indutores da competitividade económica e social das regiões onde se inserem, o vice-presidente da Câmara Municipal de Gaia encara este investimento como determinante para o futuro. A autarquia tem neste momento em desenvolvimento parques “muito virados para as actividades relacionadas com ciência e tecnologia, a designada indústria do conhecimento — Parque Empresarial de S. Félix da Marinha, Parque Empresarial de Perosinho e Parque Empresarial de Sandim”.

Para a viabilização destes projectos, a autarquia — através da sua Agência Municipal de Investimento, a AMIgaia — rodeou-se de outros parceiros institucionais, como empresas e universidades. Cada um destes parques tem públicos e metas distintas. Em S. Félix da Marinha vai nascer o Gaia.Park vocacionado para a ciência. Segundo Marco António Costa, “a meta é criar aqui um pólo catalizador de novas competências científicas e tecnológicas de apoio à actividade económica local, como forma de contribuir para a criação de um contexto económico e social favorável à captação de investimento tecnologicamente avançado e à fixação de mão-de-obra qualificada”. O novo parque tem uma área de 100 hectares, acolherá 75 empresas ligadas ao sector dos serviços que deverão absorver cerca de 750 trabalhadores. Paralelamente, funcionará também neste espaço o INOVA Gaia, um Centro de Incubação de Base Tecnológica, que abarcará 28 empresas ligadas à tecnologia em fase de arranque, num total de 100 postos de trabalho.

Em Perosinho nascerá o Parque Empresarial de Brandariz que deverá atrair novos investimentos em áreas ainda a definir mas que segundo o vice-presidente da autarquia “deverão complementar as actividades já existentes na região para permitir a redinamização do tecido empresarial local”. Perosinho terá capacidade para 80 empresas e prevê-se que possa gerir 400 profissionais. Já o Parque de Sandim, “combina a criação de uma área de acolhimento empresarial ajustada aos novos imperativos de ordenamento do território e da qualificação ambiental, num espaço pensado para acolher iniciativas empresariais predominantemente de natureza industrial”, explica. Vai abranger 70 empresas e absorver, quando estiver em pleno funcionamento, cerca de 350 pessoas.

Também com boas perspectivas de emprego, principalmente em relação a mão-de-obra qualificada, o AvePark, o Parque de Ciência e Tecnologia de Guimarães, está praticamente a postos para a sua abertura no início do próximo ano. Projectado para receber 200 empresas tecnológicas e quatro mil pessoas, durante os próximos dez a quinze anos, o AvePark tem já formalizados os primeiros contactos para a arranque de actividade a muito curto prazo. “A CRH assinou na semana passada um contrato com o AvePark para a instalação de um pólo da empresa no prazo de sete meses, prevendo-se a criação de 400 novos empregos na área do «call-center»”, exemplifica Carlos Remísio, director-geral do Parque de Ciência e Tecnologia.

O grupo CRH pretende associar a sua estratégia de crescimento à Universidade do Minho, que está directamente ligada ao AvePark, e que pode conferir as competências tecnológicas necessárias aos recursos humanos da empresa. “Além de 10 «spin-offs» da Universidade do Minho temos também mais duas empresas ligadas à área da construção civil e uma outra à biotecnologia”. acrescenta o administrador. Apesar de se localizar no coração da região do Vale do Ave, com toda a carga negativa que isso representa ao nível do desemprego no sector têxtil, este parque constitui uma oportunidade essencialmente para os quadros superiores, ligados à inovação e investigação da Universidade do Minho.

“É confrangedor a falta de qualificação das pessoas que estão no desemprego e que estavam directamente ligadas aos têxteis. Mas não tenho dúvidas, que o AvePark irá constituir uma oportunidade para os profissionais qualificados e para os empreendedores universitários”, reforça ainda Carlos Remísio.





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