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Formação muito geral e teórica

24.04.2003


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Ruben Eiras

O ACTUAL modelo de formação pedagógica inicial de formadores assenta em necessidades teóricas e gerais e não no conhecimento das realidades concretas das empresas.


A conclusão é do estudo "O sistema de formação de formadores", recentemente publicado pelo Observatório do Emprego e Formação Profissional (OEFP). Os autores elaboraram a pesquisa com base na análise do sistema de certificação de formação, em inquéritos a formadores e em 10 estudos de caso.

Do cruzamento de dados, uma conclusão foi unânime: as acções de formação de formadores passam ao lado das novas tendências laborais, como a gestão de grupos, o trabalho em equipa, a diferenciação de públicos, a aprendizagem permanente e as novas tecnologias.

Além disso, os investigadores detectaram uma contradição entre as orientações pedagógicas do sistema de formação de formadores e o de formação profissional (que emprega uma grande parte dos formadores).

É que enquanto o último está concebido para transmitir competências a serem desenvolvidas pelos trabalhadores, o de formação de formadores gira à volta de áreas temáticas gerais em que o formador é o centro do processo de aprendizagem e não o formando. "Estes diferentes modelos conceptuais não proporcionam a coerência entre os dois sub-sistemas de formação", refere o estudo.

Outra das críticas patentes na pesquisa é o facto das funções de formador estarem muito restringidas às tradicionais funções de formador em sala, quando o mercado reclama por um perfil mais alargado. Neste respeito, a investigação salienta que "são necessárias equipas formativas que identifiquem e analisem as necessidades de formação equacionadas a partir da evolução tecnológica e dos contextos onde se realizam as profissões".

Formar para inovar

Para inverter esta situação, no domínio da oferta formativa de formadores, os autores sugerem o investimento na formação contínua de formadores em moldes flexíveis e modulares.

Esta deverá ter como alvo o desenvolvimento de competências de auto-formação e aprendizagem permanente, para que os formadores assimilem metodologias inovadoras e activas.

Além disso, também defendem que o modelo de formação inicial deverá ser mais coerente com o sistema de formação profissional, incorporando as novas competências exigidas na função de formador.

Quanto às metodologias de formação, o estudo considera que deverão ser valorizados os métodos formativos de projecto, a fim de reforçar as competências dos formadores a nível da concepção e da acção.

Dada a necessidade de aproximar os formadores às novas tecnologias de informação, o documento salienta que não só deverá ser realizado um forte investimento na formação de formadores através do "e-learning", como também na criação e difusão de produtos e serviços multimédia com este objectivo.

Para aproximar os formadores do mundo do trabalho, uma das medidas a tomar será a promoção da formação em alternância, modalidade que combina a aprendizagem em contexto laboral com a realizada em sala.

Outra das linhas de força para concretizar esta meta é o apoio a projectos que promovam a interacção e o intercâmbio de experiências entre os vários tipos de formadores, a saber, o consultor-formador (que combina a assistência técnica com formação profissional), o formador "clássico" ligado a instituições formativas e o tutor (ou "coacher") que acompanha a formação nas empresas.



 





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