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Faltam 4 mil profissionais à metalurgia nacional

Faltam 4 mil profissionais à metalurgia nacional

O sector nacional da metalurgia está em crescimento, muito devido ao aumento das exportações. Mas as crescentes dificuldades de contratação preocupam os empresários.

23.01.2017 | Por Cátia Mateus


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É um dos sectores líderes nas exportações nacionais, mas tem falta de recursos humanos qualificados para acompanhar o crescimento que tem consolidado nos últimos anos. É a associação do sector, a AIMMAP (Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal), quem lança o alerta: a metalurgia nacional tem um défice de quarto a cinco mil profissionais, entre operadores e técnicos especializados e outros perfis altamente qualificados. A incapacidade das estruturas formativas assegurarem a formação de novos profissionais, em número suficiente para as necessidades do sector, e o preconceito que os mais jovens ainda têm em relação às carreiras nas indústria, colocam nas mãos dos empresários do metal um problema difícil de ultrapassar.

Em 2015, a indústria metalúrgica e metalomecânica nacional viveu o seu melhor ano de sempre em matéria de exportações. Faturou em mercados internacionais mais de €14,7 mil milhões, aproximadamente metade do valor total da faturação anual (€28 mil milhões) das 14 mil empresas que, a partir de Portugal, operam no sector. Os números são avançados por Gonçalo Lobo Xavier, conselheiro (advisor) do conselho de gestão da AIMMAP e porta-voz da associação para as questões da empregabilidade e qualificação, que adianta que “em 2016, embora as contas ainda não estejam fechadas, o cenário não terá mudado muito”.

O risco é pecar por defeito
O sector, que assegura mais de 200 mil postos de trabalho, integra múltiplos sub-sectores, desde a produção de máquinas e equipamentos, cutelaria e loiça metálica, estruturas metálicas (pontes e suportes de habitação), agulhas, pregos, parafusos, até à produção de peças metálicas para sectores como a panificação, alimentar, automóvel. “Esta diversidade significa também necessidades diferenciadas em termos de recrutamento”, explica reconhecendo que “há um défice muito grande profissionais que atinge todo o sector”.

As contas da AIMMAP são feitas numa altura em que a metalurgia nacional inova e atinge picos de exportação, conquistando clientes em todo o mundo, levando o especialista a reconhecer que na contabilização do défice de profissionais “o risco é pecar por defeito”. Há “metal português” em mais de 200 países, fruto de um trabalho de internacionalização que tem vindo a ser desenvolvido pelas empresas nacionais que souberam “inovar, modernizar-se e olhar para o exterior com visão estratégica”, reforça o especialista.

Espanha foi em 2016, o maior mercado das exportações do sector. França, Alemanha, Reino Unido e Angola compõe uma lista que está em linha com as exportações nacionais: 70% dos produtos vão para mercados da União Europeia e 30% para o resto do mundo. E no resto do mundo, garante Gonçalo Lobo Xavier, os empresários portugueses “são muito competitivos”. Sobretudo em economias emergentes e exigentes como a Arábia Saudita, o Dubai ou a China que compram produtos de elevado valor e com grande grau de exigência técnica, como as máquinas e equipamentos, a cutelaria e a loiça metálica (nas gamas mais caras).

Em 2015 (os últimos dados ainda conhecidos), o sub-sector dos produtos metálicos (peças metálicas e componentes para vários sectores) e o das máquinas e equipamentos representaram juntos 43% das exportações nacionais afirmando-se, a par com o sub-sector dos materiais de transporte (30%) - carroçaria automóvel ou de navegação -, como os líderes das exportações nacionais nesta indústria. Números que, reconhece a AIMMAP, colocam ao sector múltiplos desafios de contratação.

Desemprego zero para os qualificados
“Não há, digo-o com toda a certeza, nas áreas de maior concentração de empresas deste sector - Águeda, Aveiro, Porto, Trofa ou Famalicão - desemprego para perfis especializados. Há uma enorme necessidade das empresas para absorver profissionais com as competências necessárias”, afirma Gonçalo Lobo Xavier. E que competências procuram as empresas? Soldadores, serralheiros, operadores das área de fundição e de moldes, serralheiros mecânicos, mas também engenheiros de produção de fábrica, de logística e de sistemas de informação para rastreabilidade de mercadorias e de produtos.

Uma necessidade que se torna crescente à medida que aumenta o negócio das empresas em mercados exigentes e numa área em particular: a da sub-contratação industrial de peças técnicas. “Estamos a falar de uma competência muito específica de Portugal para a produção de peças técnicas, com muita engenharia e elevada exigência, onde o país está a crescer bastante junto de segmentos como a indústria automóvel, aeronáutica, agroalimentar e nuclear”, explica. Em 2015, a faturação deste sub-sector rondou os €6 mil milhões para uma exportação direta de cerca de metade desse valor. Em 2016, estima o responsável, o crescimento terá sido na ordem dos 10%.

São áreas como esta que podem, argumenta o especialista, deitar por terra a ideia “ainda dominante junto dos jovens” de que a indústria metalomecânica é pouco apetecível e mal remunerada. “Isto não é hoje real. É um sector que exporta, que utiliza tecnologia de ponta, que inova e onde os salários podem ir dos €1200 aos €2000 para técnicos especializados, com competências muito específicas, e ultrapassar os €2000 para engenheiros de produção, por exemplo”, revela.

O entrave da tutela
O CENFIM (Centro de Formação Protocolar da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica) é o parceiro formativo do sector. A sua atuação, garante Gonçalo Lobo Xavier, “é vital para munir as empresas de profissionais qualificados”. Mas para o especialista, a estrutura “peca pela sua excessiva dependência ao Ministério da Educação”. Pese embora o envolvimento do CENFIM com as empresas, o organismo tem uma dependência tutelar que o porta-voz da AIMMAP classifica de “excessiva”. “É uma pena que o CENFIM não tenha mais autonomia da tutela para desenvolver cursos que realmente dêem resposta às necessidades das empresas. Está muitas vezes agarrado a uma visão do Ministério da Educação que está ultrapassada e que não responde ao atual dinamismo do mercado e às exigências das empresas. Isto preocupa-nos”, reforça. Gonçalo Lobo Xavier defende que o CENFIM deveria estar sob a alçada do Ministério da Economia: “é quem está perto das empresas e pode mais facilmente alterar procedimentos e orientações de modo a colmatar as enormes falhas que o mercado tem nesta matéria e assim ajudar a resolver o problema da carência de profissionais no sector”, argumenta.



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