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Estudar para além do curso

Findo o curso são cada vez mais as pessoas que, por falta de alternativas, se mantêm na escola
19.08.2005


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Fernanda Pedro

NOS últimos anos, a oferta de cursos de pós-licenciatura tem vindo a aumentar significativamente em quase todas as áreas científicas. A prová-lo estão os dados do Observatório da Ciência e do Ensino Superior que revelam que em 2002 o número de mestres em Portugal totalizava 2885. Um número que contrasta com os 1953 que o país registava em 1999. Grande parte dos licenciados que se inscrevem numa pós-graduação ou num mestrado, fazem-no para adquirir mais conhecimentos. No entanto, segundo os especialistas, muitos fazem-no para fugir ao desemprego.


Domingos Caeiro, docente de cursos de pós-graduação e mestrados na Universidade Aberta, estas especializações servem para aprimorar a formação e actualizar os conhecimentos, «algo fundamental para quem não quer ficar para trás no actual mercado de trabalho e para quem não quer ficar parado depois da licenciatura».

Sónia Antunes é um desses casos. Aos 25 anos já se encontra a frequentar um mestrado em Sociologia Económica. Licenciada em Sociologia, Sónia não conseguiu integrar o mercado de trabalho após a licenciatura. Depois de várias tentativas para encontrar um emprego, a jovem decidiu que iria continuar a apostar na formação. «Esta foi a forma de não ficar parada. Assim, em vez no desemprego procurei aumentar os meus conhecimentos», revela.

Sónia Antunes explica que «apostando na formação podem ser adquiridas outras ferramentas para uma inserção mais fácil no mercado de trabalho». Domingos Caeiro, adianta que a formação permanente e a competitividade, constituem não apenas exigências do mercado de trabalho, mas pilares para uma sólida carreira. «Mesmo quando a pós-graduação não traz resultados imediatos, o estudo aprofundado de uma área amplia perspectivas», salienta o especialista.

Cursos de mestrado mais procurados

Só que nem sempre acontece assim. Paulo Vitorino, de 30 anos, apostou numa pós-graduação, a pensar na progressão profissional, mas... enganou-se. «Após a licenciatura em História com especialização em museologia, estive quatro anos na Direcção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) e nesse período tirei a pós-graduação em Ciências Documentais, pois pretendia prosseguir carreira», explica. Entretanto, o jovem não entrou nos quadros da DGEMN e quando terminou a especialização já estava desempregado.

Actualmente trabalha numa loja FNAC numa actividade nada relacionada com a sua formação. «Se fosse hoje tinha tirado uma especialização quando estivesse numa situação segura, porque assim não foi uma grande ajuda para o meu percurso profissional», admite o jovem.

Naturalmente, que nem em todas as áreas esta situação acontece. Isabel Sabino, coordenadora do mestrado de Pintura e presidente do conselho científico da Faculdade de Belas Artes de Lisboa, refere que, para as áreas artísticas, os mestrados são frequentados por licenciados já com alguma experiência profissional.

Todavia, Isabel Sabino, adianta que pontualmente surgem casos de recém-licenciados nos mestrados que ainda não integraram o mercado de trabalho e admite mesmo que, do ponto vista sociológico, essa situação tende a aumentar.

E, se dúvidas houvesse, quanto à baixa de idade dos mestrandos, os dados estatísticos não enganam: em 2003 foram realizadas 1063 inscrições de jovens com apenas 24 anos, contra as 719 dos 40 a 44 anos.

Estes números demonstram que, cada vez mais, os jovens enveredam por uma especialização logo após a licenciatura. Mas Domingos Caeiro alerta para os perigos de uma formação pós-licenciatura. «Constato habitualmente que esses formandos frequentam os cursos porque querem ser ‘alguém', querem mudar a sua vida. Todavia, também se encontra muita ‘gente' que não sabe definir com clareza por que é que está ali, qual é verdadeiramente o seu objectivo. Muitas vezes tenho a sensação de que a continuidade nos seus estudos, mais não é do que uma fuga para a frente», conclui o especialista.




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