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Empresas apostam na diferença

26.11.2004


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Fernanda Pedro e Maribela Freitas

EM PORTUGAL existem empresas que estão sensíveis para os problemas da integração laboral das pessoas portadoras de deficiência. Por isso, apostam na sua qualidade de trabalho e integram-nas nos quadros das suas empresas. A TAP – Transportes Aéreos Portugueses, SA e o Grupo Auchan são disso exemplo.

 


No ano passado a transportadora aérea integrou nos seus quadros quatro trabalhadores portadores de deficiência e essa acção fez com que recebesse o prémio de mérito 2003, 2.ª categoria, do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), destinado às entidades empregadoras que contribuíram para a integração sócio-profissional de pessoas com deficiência.

«A nossa empresa admitiu sempre pessoas portadoras de deficiência para funções variadas e, há alguns anos, começámos a ter protocolos de estágio com instituições que trabalham nesta área», explica Maria Margarida Torres, responsável pela formação profissional da TAP. Os candidatos passam por um período de estágio — acompanhado por um técnico da empresa e pelas escolas de onde provêm — e podem mais tarde vir a ser contratados ou mesmo integrados nos quadros da empresa.

Carlos Gomes, de 25 anos e Paulo Pinto, de 30 anos, ambos portadores de deficiência auditiva, são dois desses casos. O primeiro tem o 12.º ano de escolaridade e exerce as funções de empregado administrativo. «O início de trabalho foi mais ou menos difícil. No entanto, os colegas auxiliaram-me sempre em tudo e quando não percebo algo, escrevem ou pergunto ao meu chefe», explica Carlos Gomes.

Quando «fala com as mãos» sobre o seu emprego, este trabalhador efectivo da TAP fá-lo com entusiasmo. Esse gosto pelo trabalho desenvolvido é partilhado também por Paulo Pinto, com o 11.º ano de escolaridade, que até há pouco tempo desenvolveu a sua actividade profissional na reprografia da empresa. Actualmente está efectivo e trabalha na área de correspondência. «Gosto daquilo que faço e tenho um bom relacionamento com os meus colegas de trabalho», frisa Paulo Pinto.

Para Maria Margarida Torres «estes trabalhadores são empenhados. Temos também de nos adaptar um pouco a eles e ter a sensibilidade de lhes atribuir tarefas que sejam capazes de desempenhar». A responsável pensa ainda que deveriam ser mais as empresas a contractar esta população.

Também Belinda Cardoso, funcionária da TAP que tem vindo a acompanhar o trabalho de estágio e de integração desta população na empresa considera que «estes trabalhadores são muito eficientes, responsáveis e assíduos». Acrescenta que a aceitação por parte dos colegas tem sido boa.

O Grupo Auchan Portugal também tem vindo a desenvolver uma política de integração de pessoas portadoras de deficiência. «Pretendemos integrar em cada loja três a cinco cidadãos portadores de deficiências físicas ou mentais e promover um estágio por ano em cada loja, tendo como objectivo que alcancem uma produtividade semelhante a um colaborador normal», refere João Martins, responsável pelos recursos humanos do Jumbo de Faro. O responsável adianta que no final de 2003 o grupo contava com 25 destes cidadãos «totalmente integrados nas lojas e sede».

No Jumbo de Faro, o processo teve o seu início em 2000, com a integração de um colaborador paraplégico. Neste momento são funcionários efectivos do Jumbo de Faro. Além deste mais uma pessoa com deficiência mental foi integrada na conferência de mercadoria, uma pessoa com Trissomia 21 na secção de padaria e quatro invisuais no balcão de informação.

Segundo João Martins, a integração destas pessoas foi realizada com toda a acuidade para que este processo se realizasse de forma consolidada em benefício dos próprios e das equipas onde se integram. «Esta integração efectuou-se com a parceria das instituições que estas pessoas frequentavam e do IEFP de Faro», explica.

Acção gratificante

Foi devido a esta iniciativa que o Jumbo de Faro recebeu o prémio de mérito 2003, 1ª categoria atribuído pelo IEFP. Para o director dos recursos humanos, a integração destas pessoas é gratificante para a empresa, «pois permite realizar uma das nossas ambições que é desenvolver uma consciência social em toda a organização e nos nossos clientes».

E se, para a empresa, a integração é uma prioridade, «os restantes colaboradores da empresa aceitam as pessoas com deficiência de forma calorosa o que só dignifica esta forma de integração e nos dá mais alento para continuar. Acima de tudo, o tratamento de que são alvo, após o período de integração, não é diferente de qualquer outro colega, o que os faz sentir membros de uma equipa e não pessoas diferentes», salienta João Martins.

Para este responsável, estes trabalhadores tentam todos os dias dar o seu melhor, mostrando empenho e dedicação, «são colaboradores excelentes». No futuro a empresa espera continuar a empregar pessoas com deficiência.

 

 






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