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Emprego recua no sector automóvel

Em três anos o sector perdeu sete mil postos de trabalho
03.02.2006


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Marisa Antunes
O SECTOR automóvel, não só ao nível de vendas de novas viaturas mas também nas automecânicas, perdeu sete mil postos de trabalho nos últimos três anos. Só oficinas de reparação foram cerca de 900 — de um universo de dez mil — as que encerraram neste período.

A crise económica levou os consumidores a refrearam as suas compras, o que provocou uma abrupta queda de 23% no mercado de venda de viaturas a estrear. Por outro lado, as novas tecnologias aplicadas aos automóveis também resultaram em visitas menos frequentes às oficinas de reparação. «Em relação ao mercado de viaturas novas e para se fazer uma ideia do período de recessão que estamos a atravessar, basta dizer que em 2001 se venderam 361 mil veículos e em 2005 apenas 278 mil, menos 83 mil viaturas», disse ao EXPRESSO António Teixeira Lopes, presidente da Associação Nacional do Ramo Automóvel (ANRA).

O exemplo mais flagrante do impacto da crise na reacção às novas aquisições de quatro rodas, reforça Teixeira Lopes, ocorre logo após a tomada de posse do novo Governo. «O actual Governo entrou em Março de 2005, mês em que se venderam 27.738 viaturas, quando em Fevereiro as vendas não foram além das 21.288. Nos meses que se seguiram, as expectativas de melhoria mantiveram-se e em Junho atingiu-se o maior pico do ano, com 35 mil automóveis», aponta.

A «quebra de confiança» no Governo e o aumento dos combustíveis marcaram, a partir do mês seguinte, novo decréscimo até ao final daquele ano. Paralelamente à crise económica, outro factor veio abalar nos últimos tempos o sector automóvel, mais especificamente as oficinas de reparação. «A evolução tecnológica nas viaturas conduziu a grandes alterações nos planos de manutenção, cujos intervalos para as idas às oficinas se podem estender até aos 50 mil quilómetros», especifica Teixeira Lopes.

Além disso, estas alterações mecânicas e electrónicas nas viaturas mais actuais não estão a ser acompanhadas por um número significativo de oficinas, que não investem em equipamentos específicos como aparelhos de detecção de avaria electrónica.





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