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Empreender e empreendedores

27.06.2003


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Maria Márcia Trigo*

Quatro Pontos sobre empreendedorismo em Portugal.


1 - Gerar, mobilizar e apoiar os empreendedores.

Somos um país que não valoriza o risco, o novo, a ousadia, o espírito inovador e empreendedor, os que transformam o "Cabo das Tormentas" em "Cabo da Boa Esperança", os que inventam ou descobrem novos caminhos e novas Índias a haver.

Apreciamos ainda menos os que erram uma e outra vez porque procuram o que ainda ninguém encontrou; e por isso caem e se levantam uma e outra vez para recomeçar de novo com mais e melhor energia e mais competências, daquelas estratégias e críticas que integram o "core business" do "negócio-ócio" de cada um.

Essa mistura explosiva de "trabalho-lazer-trabalho", a que deve juntar-se mais e mais persistência, trabalho continuado e muita organização (flexível e em rede), embrulha-se depois em muito e bom "just in time", de preferência com bastante antecipação e visão do futuro, e temos garantido o sucesso.

Mas se algo não der certo nesta mistura (que nunca pode reduzir-se a uma soma) é porque alguma coisa falhou; e, então, é preciso corrigir, alterar, alinhar de novo, recomeçar como se fosse o primeiro dia do resto das vidas de gente que gosta de fazer e realizar projectos e de "empreender & empreender".

2 - Por onde começar?

Identificar as "traves-mestras", aquelas que sustentam a estrutura (seja organizacional, social ou conceptual) e "mexer/trabalhar/melhorar/alterar/ substituir/renovar" apenas e só essas. Esse é um dos grandes "milagres da Galateia", porque o resto vem por acréscimo.

A minha já longa experiência diz-me que frequentes vezes, nós, os portugueses, em diversos domínios da vida nacional, fazemos precisamente o inverso: mexemos no que está bem (ou menos mal) e até funciona, apenas porque, por isso mesmo, dá mais nas vistas e certamente foi feito por outrem, sendo pois obrigatório ficar pelo menos com outro nome, outra direcção, outra estratégia, após longas negociações e alguns estudos, muito semelhantes a muitos outros já feitos anteriormente.

Consumimos assim "tempo/dinheiro/pessoas/paciência/motivação/esperança", pela óbvia razão de que tudo deve ter o "meu" carimbo, ou a "minha" chancela, em vez da chancela do "made in Portugal" ou "made by portugueses".

3- Os custos de contexto e o princípio da realidade e da acção

Provocadoramente defendo e demonstro que a (des)qualificação generalizada dos jovens e adultos portugueses é não só o maior como o mais resistente e persistente "custo de contexto", quando devia integrar os "indicadores intangíveis", os tais que fazem a diferença e a vantagem competitiva.

Olhemos rapidamente, para uma comparação entre Portugal e três países europeus (Holanda, Dinamarca e Finlândia) e a média dos países da OCDE.

Comentário óbvio: não temos licenciados a mais, temos a menos - cerca de metade da média da OCDE e menos de um terço da Finlândia ou da Dinamarca, independentemente da qualidade técnica, tecnológica e científica da maioria das nossas licenciaturas.

Pior que isso: temos cerca de 3,2 milhões (em 4,9 milhões) de adultos activos que nem as competências básicas ou nucleares possuem. São sobretudo estes 62% da população activa que todos os dias ficam desempregados, que não conseguem acompanhar qualquer mudança, que só empatam, complicam e sobretudo constituem a base de selecção de todos os demais.

Ora se a base é frágil, muito frágil mesmo, não há estrutura social que resista. Só por acaso o "middle management", o "top management" e os demais "poderes" e "saberes" podem ser de excelência.

Portugal apresenta um panorama inverso aos dos outros países analisados, tendo começado a recuperar muito mais tarde e muito mais lentamente. No grupo etário dos 35-44 anos, Portugal tem um quarto da população qualificada da Finlândia e da Dinamarca, menos de um terço da Holanda e da média da OCDE.

E para o grupo etário dos 25-34 anos, a situação é praticamente semelhante, já que os avanços em Portugal têm sido muito lentos, sinuosos e caros. Os demais países continuam a cavalgar a esperança das competências, do conhecimento e da inovação, tudo regado com muito "espírito empreendedor".

Acresce que neste quadro não temos em consideração as características intrínsecas do Ensino Secundário, isto é, qual o seu conteúdo técnico, tecnológico e científico, o que no quadro seguinte explicitamos.

Face ao quadro anterior - o país, os ministérios, ministros e restantes responsáveis, incluindo os empresários e todos os parceiros sociais -, só podem ter andado no mínimo "distraídos", quando se trata obviamente de acção, de fazer, de realizar e não dos habituais discursos de "boas" intenções ou de produzir legislação que nunca passa a projecto.

De facto, o nosso Ensino Secundário é maioritariamente generalista, académico, liceal e muito pouco tecnológico, profissional, científico e qualificante. Fizemos todos os diagnósticos, mas temos medo de acção (medo não, terror!), acabando por nos constituirmos no único país da OCDE (pasme-se!) que apresenta apenas 1/3 dos alunos do Secundário em cursos tecnológicos e profissionais, contrariamente aos demais países e à média da OCDE. Crime, disse ela!

E devíamos todos gritar que o que estamos a fazer há muitos anos é um "crime nacional" que afecta muitas gerações de portugueses activos e, por arrastamento, a não-competitividade da economia portuguesa.

4- Formar líderes e executivos empreendedores na "business school" da UAL

Na UAL, queremos ser parte da solução e não do problema. Por isso, no quadro da "Escola de Gestão & Negócios" - uma "business school" que se orienta pelos princípios da realidade e da acção, casada com o mundo empresarial e dos negócios -, decidimos lançar um "Executive MBA in Business and Entrepreneurship", conjuntamente com mais quatro Executive MBA e dez pós-graduações executivas, nos mais diversos domínios do "core business" nacional e global. As inscrições estão abertas até final de Junho (1ª fase, com precedência sobre a 2ª fase, que vai até Setembro).

A sessão solene de abertura é a 29/09/2003, no Palácio dos Condes Redondo e, em Outubro, começa a "Aprendizagem Cooperativa e em Rede", a partir de "case study", jogos de simulação e "role playing", e, ainda, muito e estimulante "trabalho/pesquisa/debate" com docentes, todos oriundos do mundo dos negócios e das empresas (com formação científica sólida e reconhecida) e com os diversos "stakeholders" que quiseram ser parceiros de "Business School" da UAL, porque explicitam:

"Reduzir o divórcio entre a Universidade e o mundo económico-empresarial é mais do que um desafio e uma necessidade: é um desígnio nacional que consiste em trazer para a contemporaneidade a economia portuguesa e os demais subsistemas sociais, em especial o da Educação" porque "com a qualificação da mão-de-obra que temos só podemos concorrer com o terceiro mundo", (Silva Lopes, ex-governador do Banco de Portugal ao "DE", 2003).

*Coordenadora Escola de Negócios da UAL







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