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Empreender a uma só voz

09.01.2004


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Cátia Mateus

TODOS os estudos conhecidos colocam Portugal na cauda da Europa em matéria de empreendedorismo. O último "Global Enterperneurship Monitor" - estudo que monitoriza os níveis de iniciativa empresarial de 29 países - eliminou mesmo o país da sua lista, por considerar que os níveis de iniciativa empresarial eram irrelevantes face à média europeia.


Uma realidade que nada abona em favor de um país que vive um mau momento económico, com as taxas de desemprego mais elevadas de sempre, e que se torna mais grave se pensarmos que o conceito de "empreendedorismo" não é uma bandeira recente no país.

Há várias associações a batalhar no sentido de fomentar a iniciativa empresarial, mas as suas actuações estão dispersas.
É uma "guerra" em que os exércitos aliados lutam de costas voltadas, em que várias entidades caminham na mesma direcção mas em estradas paralelas (ver caixa).

Todas parecem carecer de apoios e reconhecem que o caminho se tornaria menos penoso se as dificuldades fossem partilhadas. Contudo, o empreendedorismo português continua fragmentado e sem qualquer concertação de estratégias.

O Instituto para o Fomento e Desenvolvimento da Iniciativa Empresarial (IFDEP) é provavelmente o mais recente aliado nesta batalha pela iniciativa no negócio. O seu presidente, António Henriques, acredita que "esta é uma área onde ainda está tudo por fazer".

O responsável frisa que "o que até aqui foi feito é globalmente positivo, embora, na maior parte das vezes, as acções não assentem num trabalho devidamente sustentado". Fala em "moda do empreendedorismo", e por isso não estranha que se assista a um multiplicar de iniciativas neste domínio.

A mesma opinião tem Carina Freitas, responsável pelo departamento de apoio a empresas da Associação Nacional das Empresárias (ANE). A responsável atribui à crescente taxa de desemprego esta apetência pelo empreendedorismo e mostra-se convicta de que "o desempenho das várias associações, tendo em conta os meios e as dificuldades existentes, tem sido muito bom".

Carina Freitas reconhece as dificuldades diárias de quem luta contra a tendência do emprego por conta de outrem e tenta fomentar a via empresarial. Tal como António Henriques, concorda que as instituições existentes só teriam a ganhar com um trabalho conjunto, coordenado e estruturado. Uma coordenação que poderá passar pela criação de uma entidade que agregue todas as instituições até agora dispersas.

Para António Henriques, "não existe nenhuma entidade que tutele o empreendedorismo, mas é inegável o trabalho que a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) tem vindo a desenvolver, dando contributos muito valiosos para o enraizamento do conceito no país".

Aquele dirigente acredita que a criação de um organismo de "tutela" está para breve - até porque "só mesmo uma enorme desatenção política poderá adiar por muito mais tempo essa realidade" . Mas esclarece que "a tutela virá, muito provavelmente, de um organismo público, já que não me parece que uma só associação consiga agregar todas as outras".

Armindo Monteiro, presidente da ANJE, encara também com optimismo esta lógica de cooperação e definição de estratégias comuns. Para o líder da associação pioneira na promoção à iniciativa empresarial em Portugal, "o empreendedorismo português necessita mais de acções concertadas do que de iniciativas avulsas".

Armindo Monteiro acredita que o país já ultrapassou importantes desafios em matéria de empreendedorismo, mas são muitas as limitações que ainda enfrenta. Desde a falta de incentivos a quem empreende até à quase ausência de capital de risco, passando pelo sistema de ensino que não estimula a iniciativa, para Armindo Monteiro este é um caminho que se torna mais célere com cooperação.

O presidente da ANJE acredita que a falta de iniciativas concertadas está a penalizar o país, que poderia direccionar os seus esforços para onde realmente são necessários."Há uma grande falta de sinergias neste domínio. Uma lacuna visível até no caso da COTEC - foi criada sem que as várias instituições que há muito trabalham no campo fossem ouvidas para partilharem a sua experiência", lamenta.

Na opinião de Armindo Monteiro, não é por falta de vontade que estas sinergias não se articulam, "é a velha maneira portuguesa de cada um ter o seu quintal em vez de criar um pátio colectivo".

A dúvida de Armindo Monteiro é se um órgão governamental seria o melhor para "tutelar a causa". O responsável credita que "o ideal era uma entidade completamente independente, formada por pessoas que conhecem os problemas práticos e não se restringem a políticas".

Tome Nota

SEGUE-SE uma lista com algumas das associações de empreendedorismo nacionais:

- www.anje.pt - Associação Nacional de Jovens Empresários

- www.ifdep.pt - Instituto de Fomento e Desenvolvimento do Empreendedorismo em Portugal

- www.apme.pt - Associação Portuguesa das Mulheres Empresárias

- www.ane.pt - Associação Nacional de Empresárias

- www.agep.pt - Agência para o Empreendedorismo em Portugal

- www.adi.pt - Agência da Inovação

- www.cotec.pt - COTEC

- www.tecminho.uminho.pt - Tecminho

- www.oficina.da.inovacao.com.pt/ - Oficina da Inovação





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