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Emigração: quando ser temporário é uma vantagem

Emigração: quando ser temporário é uma vantagem

Por muitos ainda associado à precariedade laboral, o trabalho temporário está a ganhar adeptos entre os portugueses que decidem procurar novas oportunidades profissionais noutros países. E desengane-se quem pensa que se tratam apenas de funções de curta duração e salários baixos. Além de minimizar os riscos de uma emigração mal sucedida, esta modalidade contratual pode ser a melhor forma de conhecer o país de destino e as suas práticas profissionais em segurança. 

29.01.2015 | Por Cátia Mateus


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Entre 2010 e 2013, Portugal perdeu cerca de 146 mil habitantes, segundo dados do site de estatísticas Pordata. Nesta redução pesam, entre diversos fatores, a diminuição do número de nascimentos no país mas também o aumento da emigração que nos últimos anos se intensificou em Portugal, abrangendo várias gerações da população nacional. Portugal exporta hoje tanto profissionais com menor grau de qualificação ou especialização, como talentos altamente qualificados, mas nem por isso menos expostos aos riscos de uma emigração mal sucedida. Para André Coroa, administrador da empresa de recrutamento D’ACCORD, o trabalho temporário, promovido por empresas habilitadas para o efeito, pode ser uma porta de entrada noutros mercados, minimizando os riscos para os profissionais.

“Em Portugal, ainda não há um grande esclarecimento das pessoas em relação a situações que correm menos bem em processos de emigração”, explica André Coroa. Para o administrador da empresa de recrutamento D’ACCORD que desde 2011 atua no mercado de trabalho temporário em Portugal e em França (para onde vão cerca de 65% dos trabalhadores que coloca), “quando algo não corre bem, é comum associar às empresas de trabalho temporário, quando na realidade o principal foco de problemas reside nos angariadores de trabalhadores que vem a Portugal contratar profissionais sem que depois lhes assegurem o devido acompanhamento”.

Para André Coroa, as empresas de trabalho temporário credenciadas podem até ser um importante aliado dos profissionais que ponderam emigrar, desde logo porque, como refere, “possibilitam aos profissionais ter um primeiro contacto com o mercado de trabalho no país de destino, com a devida segurança”. Só em 2014, a empresa que lidera deu resposta a 960 oportunidades de trabalho em França, maioritariamente nas áreas da construção e da indústria. “Dos trabalhadores portugueses recrutados para estas vagas, cerca de 60% assinaram mais do que um contrato em 2014 e têm nesta data uma situação de emprego quase permanente”, explica o administrador enfatizando que “em muitos casos, os profissionais acabam por ser contratados pela empresa de destino de forma permanente ou, estando no país, por conseguirem oportunidades de trabalho também permanentes noutras áreas que possam considerar mais adequadas ao seu perfil”.

André Coroa acredita que ao contrário da conotação que ainda lhe é atribuída, o trabalho temporário constitui, efetivamente, uma porta de entrada para o mercado laboral (em perfis com maior ou menor grau de qualificação e maior ou menor grau de experiência). Um foco de oportunidade que, realça, “é muito evidente no caso da emigração, pelo facto de gerar oportunidades de trabalho seguras e com todo o acompanhamento necessário a um profissional que atua fora do seu país”.

Mas como se processa o recrutamento temporário para o mercado internacional? Por norma, as empresas de trabalho temporário certificadas acompanham os profissionais selecionados desde o recrutamento em Portugal, até à chegada ao país de destino, assegurando as viagens de partida e regresso, bem como o alojamento no local e todo o acompanhamento necessário ao profissional, seja para tratar de questões burocráticas ou imprevistos que possam surgir. André Coroa reconhece que “é muito difícil a um profissional que parte para um país estrangeiro chegar lá e conseguir assegurar, por exemplo, um alojamento digno”. É nestas questões que a atuação das empresas é particularmente relevante. “Toda a logística é assegurada pela empresa e o profissional tem sempre, à chegada um profissional à sua espera que é responsável por lhe prestar todo o apoio necessário no país de destino e por tratar na sua integração junto da empresa contratante”.

Por norma, uma missão temporário no estrangeiro dura entre dois a quatro meses, dependendo sempre da tipologia da função e das necessidades da empresa cliente. O líder da D’ACCORD assegura, contudo, que os profissionais que aceitam este tipo de missões atuam quase como que num cenário de emprego permanente. Pela especificidade que as funções de trabalho temporário em cenário internacional comportam, a empresa contrata normalmente os mesmos profissionais. “Não temos muita rotatividade na nossa bolsa de colaboradores e damos prioridade a integrar quem já trabalhou connosco em anteriores missões de trabalho temporário internacional, pela experiência prévia e pela confirmação da sua capacidade de adaptação”. Em França a D’ACCORD tem atualmente uma bolsa ativa de 150 profissionais portugueses. “Em média, estes profissionais estão parados apenas dois meses por ano, período em que recebem o subsídio de desemprego a que têm direito”, refere André Coroa destacando o caráter quase permanente desta modalidade de trabalho.

E desengane-se quem pensa que a este tipo de funções estão associados baixos salários. “A maioria das vagas que ajudamos a preencher são nas áreas da hotelaria e da construção. Isto tem a ver também com a nossa opção de especialização. Não atuamos, por exemplo, na área da saúde ou nas limpezas, onde também há muitas oportunidades em França, mas onde entendemos que ainda não estamos preparados para dar aos profissionais expatriados o acompanhamento necessário, e não trabalhamos (por opção) com o setor de call centres”, explica. Nas áreas em que a D’ACCORD atua, “o salário bruto médio praticado é de dois mil euros mensais, sendo que viagens e alojamento são asseguradas pela empresa. Só a alimentação fica a cargo dos profissionais”, explica André Coroa.

Para o especialista em recrutamento, “ser temporário numa fase inicial do processo de emigração resulta numa clara vantagem para os profissionais, em múltiplas vertentes”. A segurança e fiabilidade do processo de recrutamento é, desde logo, a primeira vantagem apontada ainda que o candidato não deva demitir-se da obrigatoriedade de confirmar todos os aspetos do processo (ver caixa). Mas André Coroa destaca ainda a disponibilidade que o sistema confere aos profissionais para conhecerem o mercado de trabalho local e procurarem, no local, novas oportunidades permanentes adequadas ao seu perfil e ambições profissionais.

Cuidados a ter antes de emigrar
Para quem sai de Portugal pela primeira vez, há aspetos a assegurar para minimizar os riscos de uma má experiência. André Coroa elencou ao Expresso Emprego as regras básicas para um “emigrante de primeira viagem”. Tome nota.

. Estrutura do recrutador:
deve assegurar sempre que a empresa que está a liderar o processo de recrutamento tem uma estrutura credível. É fundamental investigar o contexto de atuação da empresa e extrair referências da sua atuação junto de outros profissionais ou junto do mercado (as redes sociais e a internet podem ser bons pontos de partida para esta pesquisa e para o cruzamento de referências);

. Quem contrata: é fundamental perceber para quem vai trabalhar no país de destino. Deve aplicar a este “reconhecimento” os mesmos procedimentos que aplicou na análise que realizou para a empresa de recrutamento, procurando perceber a natureza do futuro empregador, o índice de satisfação dos seus profissionais, as práticas de pagamento e as condições que oferece;

. Transporte e alojamento: clarifique junto da empresa responsável pelo processo de seleção em Portugal quem é responsável pelas viagens até ao país de destino e pelo alojamento no local. No caso das empresas de trabalho temporário devidamente habilitadas, estas despesas são normalmente asseguradas pela empresa, sendo o custo final imputado à empresa cliente;

. Apoio no país de destino: é fundamental que saiba a quem se pode dirigir no país de destino caso necessite de algum apoio em termos legais, de saúde ou de simples acompanhamento nas burocracias próprias da adaptação a um país estrangeiro;

. Confirmação das condições oferecidas: certifique-se de que as condições prometidas no momento do recrutamento correspondem, efetivamente, às que lhe serão oferecidas na empresa e se são realistas face ao mercado e ao custo de vida do país de destino;

. Contrato assinado: não parta sem um contrato assinado;

. Cruzamento de referências: procure saber sempre quem são as estruturas por detrás das contratações e não parta de Portugal sem cruzar referências sobre a empresa com outros profissionais que lá tenham estado antes. Este procedimento é muitas vezes suficiente para minimizar o risco de fraude;

. Assegure o regresso: garanta sempre que não parte sem a capacidade financeira passa assegurar a sua viagem de regresso, caso algo corra mal. 



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