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Em luta contra o abandono

Um grupo de empresários portugueses quer revolucionar o ensino português e fazer baixar as históricas taxas de insucesso escolar. A sua metodologia é já considerada um case study e vai ser apresentada na conferência da Educação de Bill Clinton, apadrinhada pelo Presidente Obama
17.09.2009


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Marisa Antunes
Quer ser árbitro ou jogador de futsal e aos 16 anos coleccionava negativas e marcava passo no 8º ano de escolaridade na escola Isabel de Portugal, no concelho de Odivelas. Mas Vasco Rodrigues garante que a sua vida “deu uma volta de 180 graus” assim que começou a ser acompanhado pela mediadora da EPIS (Empresários pela Inclusão Social), uma associação com um trabalho meritório no combate ao insucesso escolar que grassa pelo país. No caso de Vasco, a diferença foi significativa: passou de sete para uma negativa no final do passado ano lectivo.

A EPIS nasceu em 2006, conta no seu conselho científico com figuras de relevo como os ex-ministros da Educação Marçal Grilo e Roberto Carneiro e reúne empresários de mais de 100 empresas, entre as quais a EDP, a Galp ou a Ericsson.

Focalizada na qualificação dos jovens e da sua importância como factor estruturante do tecido empresarial do país, a EPIS lançou-se numa missão nos últimos dois anos lectivos, tendo já colhido os primeiros frutos nas escolas com as quais colaborou.

Como conta Diogo Simões Pereira, director-geral da EPIS, a ideia é contribuir para reduzir a triste taxa de insucesso escolar no 3º ciclo, que chega aos 20%. Aliás, recorde-se que Portugal tem a maior taxa de abandono escolar entre os 36 países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) abrangidos no estudo ‘Education at a Glance', divulgado muito recentemente.

A partir de uma parceria muito próxima com o Ministério da Educação e as autarquias, a EPIS tem vindo a testar a sua metodologia junto de 6000 alunos dos 7º e 8º anos, de escolas problemáticas de 10 concelhos do país (Amadora, Aljezur, Odivelas, Matosinhos, Paredes, Resende, Santarém, Setúbal, Tavira e Vila Franca de Xira).

“Convidámos as autarquias e identificámos as situações de risco nas escolas. A reacção foi extremamente positiva: a maioria dos estabelecimentos quer ter o projecto e 87% das famílias dos alunos identificados aceitarem o nosso acompanhamento”, realça o responsável da EPIS, que irá estar na próxima semana em Nova Iorque, a 23, na conferência anual da Educação. O projecto da EPIS é um dos case studies em análise na Clinton Global Initiative, de Bill Clinton, cuja abertura contará com o Presidente Barack Obama.

Partindo de uma rede de 65 mediadores (professores, psicólogos, assistentes sociais), a EPIS acompanhou os 6000 alunos, tendo conseguido um aumento na ordem dos 15% de sucesso escolar entre este grupo de risco.

Jovens a quem foi aplicada a metodologia da EPIS agora publicada em livro (ver caixa) e que a associação espera ver implementada junto de outros concelhos. “Gostávamos muito de estabelecer parcerias em escolas de Lisboa, Porto, Sintra e Gaia, por exemplo”, enumera Diogo Simões Pereira.

Uma ambição localizada sem deixar de lado o sonho maior: a adopção desta metodologia em todas as escolas do país e a criação de uma rede nacional de mediadores para o sucesso escolar no 2º e 3º ciclos de escolaridade. Até porque como remata o responsável da EPIS, “bastavam cerca de 1000 mediadores, entre psicólogos e professores para fazer a diferença”.

Manual de boas práticas

Estão entre as melhores das melhores e por isso foram apelidadas ‘Escolas de Futuro'. Através de uma parceria com o Ministério da Educação e com a consultora McKinsey & Company, a EPIS realizou um inquérito junto de 500 escolas do país, das quais apurou 29 que se destacam pelas boas práticas de gestão e resultados notáveis no sucesso escolar dos alunos face ao seu contexto socioeconómico e familiar.

Durante mais de um ano, uma equipa de seis elementos da EPIS (Diogo Simões Pereira, Ana Rita Bessa, Álvaro Almeida dos Santos, João Paulo Mineiro, Luís Leandro Dinis e Teolinda Silveira) percorreu o país para constatar in loco as razões do sucesso das 29 escolas apuradas.

Ao longo de 150 páginas, a equipa da EPIS enumera e esmiúça as 130 boas práticas existentes nestes estabelecimentos que fazem a diferença no rendimento dos seus alunos. Eis algumas linhas de acção incluídas no livro “Escolas de Futuro – 130 Boas Práticas de Escolas Portuguesas”, editado pela Porto Editora :

1) Por trás de uma grande escola está sempre um grande director. A liderança forte é fundamental, pois permite implementar um projecto educativo consistente, adequado às necessidades, devendo ser partilhado por todos;

2) Flexibilidade na elaboração dos horários, de modo a acomodar as necessidades dos professores;

3) Instituição de um gabinete de apoio ao aluno e à família, que permita identificar os problemas;

4) Reconhecimento público da excelência de alunos e docentes através de iniciativas várias, por exemplo, os quadros de honra;

5) Monitorização através de inquéritos do grau de satisfação dos professores e funcionários, de forma a identificar pontos fortes e os que podem ser melhorados.



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