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Dos laboratórios para o mundo real

Como deixar de ser um cientista-bolseiro e tornar-se um empresário de base tecnológica foi um dos temas em debate no congresso sobre Emprego Científico realizado esta semana em Lisboa
18.12.2008


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Marisa Antunes
São altamente qualificados, têm ideias inovadoras e «know-how» para as fazer funcionar mas nem sempre conseguem realizar os seus objectivos, e são muitos os que se perdem no caminho. Mas chegar lá não é tarefa impossível e essa foi uma das mensagens subjacentes no congresso sobre Emprego realizado pela Associação dos Bolseiros de Investigação Científica, em parceria com a Agência de Inovação e que decorreu esta semana na Gulbenkian, em Lisboa.

Gonçalo Cabrita é um desses casos. Licenciado em Engenharia Química, na vertente de Biotecnologia, fez o percurso tradicional dos bolseiros científicos, tendo passado por três doutoramentos. Em 2005, resolveu materializar o seu projecto e criou a primeira empresa em Portugal a dispor de um laboratório de criopreservação, que permite recolha e conservação das células estaminais provenientes do cordão umbilical do recém-nascido.

Depois da habitual ‘via sacra' em busca de financiamento, a Bioteca ganhou forma através da Biodex, a incubadora de empresas na área das ciência da vida, no Porto, tendo conseguido ainda o apoio, entre outros, do grupo Lena e da Inov Capital, que é a sociedade de capital de risco de referência do ministério da Economia e da Inovação. Mas o começo não foi fácil e as primeiras instalações chegaram a funcionar no Instituto Superior Técnico.

“Agora, três anos depois de estarmos a operar no mercado, temos 11 pessoas a trabalhar na empresa, que está instalada no Pólo Tecnológico de Lisboa e, entretanto, fizemos já 8000 criopreservações. O importante é arriscar e tentar chegar o mais longe possível. Se nós não lutarmos pelos nossos interesses ninguém o fará por nós”, resumiu Gonçalo Cabrita, director científico da Bioteca, na sua intervenção.

O sector da biotecnologia, onde se insere a Bioteca é o segundo mais dinâmico ao nível de apostas de empreendedorismo de base tecnológica. Um estudo divulgado no congresso por Cristina Sousa, do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI) mostrou que as outras áreas onde os jovens empreendedores investem fortemente em ideias é o das Tecnologias de Informação e também nas Energias renováveis e ambiente.

E se o acesso ao financiamento é um dos grandes entraves ao sucesso, outro problema que se coloca a estes investigadores científicos, é, também a falta de competências de gestão. “Daí a importância das redes sociais para obterem resultados palpáveis”, aponta Cristina Sousa.

A faixa etária média destes empreendedores ronda os 30 anos, a grande maioria lança-se na sua empresa mas mantém a ligação com a academia e praticamente todos preservam também o vínculo com um cientista-sénior, habitualmente um professor que os acompanhou em projectos académicos.

Ter ideias não chega

A orientação é pois, fundamental e também as competências de gestão, essenciais para pôr em prática uma ideia, que por muito boa que seja, pode falhar se falha essa componente mais técnica e prática, como reforçou também Rita Seabra, do programa Finicia, do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (IAPMEI).

A coordenadora do programa falou da sua experiência à frente desta plataforma de arranque de actividade para muitos jovens empresários: “Há muitos projectos que por falta de investimento acabam por morrer, mas verificámos também que numa boa parte dos casos não há sequer um projecto empresarial. Há, sim, ideias que precisam de ser trabalhadas para se tornarem em projectos empresariais”.

Através desta plataforma, os empreendedores conseguem apoio do Finicia também ao nível da elaboração do plano de negócios. “É um mapa de estradas para quem está a começar um negócio”.

Na primeira fase do Finicia, foram criadas 400 empresas que originaram cerca de 1500 postos de trabalho. Deste total, cerca de 60 entidades surgiram através de capitais de risco, das quais 20 com base tecnológica.

O IAPMEI tem ainda a decorrer uma outra iniciativa que pode funcionar como rampa de lançamento para quem quer pôr em prática os seus sonhos empresariais. A 4ª edição do Empreenda já abriu as suas candidaturas que estão acessíveis através do site do IAPMEI, até ao dia 15 de Janeiro.

“Nós fazemos o casamento entre as ideias e os financiadores, depois de seleccionarmos os melhores projectos. Marca-se depois um dia, que será, em princípio, entre finais de Fevereiro e início de Março de 2009, e realiza-se o fórum que tem como convidados diversas entidades de capital de risco e clubes de «business angels»”, especifica ainda Rita Seabra.

Na edição do ano passado, o Empreenda recebeu 50 candidaturas e 20% delas foram seleccionadas, acabando por se desencadear cerca de 200 encontros de negócios para financiamentos de arranque ou de expansão de empresas.





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