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Diversão 'made in' Portugal

23.06.2006


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Cátia Mateus
A curiosidade de Rogério Silva, hoje com 23 anos, ditou a oportunidade de negócio e deu o mote para a criação de uma empresa nacional, mas que já mostra o seu valor no estrangeiro. O irmão, Roberto Varela, embarcou na aventura e juntos criaram, a partir da ilha da Madeira, a Move Interactive. A empresa dedica-se à produção de videojogos destinados ao mercado internacional e exigiu grandes apostas: um investimento de 150 mil euros e a mudança da Madeira para o Continente. A primeira batalha já está ganha. O jogo UGO VOLT reúne, unanimemente, a aprovação da crítica estrangeira.


A empresa nasceu em 2001, mas já há muito que Rogério Silva — um autodidacta na produção de jogos — se dedicava a modificar os videojogos existentes no mercado. «Alguns desses ‘mods' (modificações) chegaram a integrar o TOP 10 de ‘downloads' na Internet», relembra Rogério. O jovem deu nas vistas com um projecto de videojogo que culminou no UGO VOLT e despertou a atenção dos dirigentes do Madeira Tecnopólo, responsável pelo desenvolvimento das novas tecnologias naquela região autónoma.

Em parceria com o irmão Roberto Varela criou a Move Interactive que um ano depois já conquistava o prémio Madeira Inovação Empresarial. Contudo, esta conquista não eliminou as dificuldades iniciais inerentes a qualquer projecto empresarial. «Passámos por um período complicado pois não tínhamos financiamento próprio e criámos um departamento multimédia que permitia sustentar a construção do videojogo», refere Roberto Varela.

A equipa desenvolveu algumas «demos» tecnológicas que foram apresentadas a várias editoras internacionais e cujo sucesso permitiu aos empreendedores continuar com o projecto e alcançar a confiança de duas empresas de capital de risco — a PME Investimentos e o Fundo Madeira Capital, através da NewCapital — que no ano passado investiram na empresa.

Para Rogério e Roberto, «tem sido necessário algum tempo para convencer as pessoas de que o negócio dos videojogos é uma indústria altamente lucrativa que ainda está completamente ignorada em Portugal». Talvez por isso os empresários tenham necessitado de uma persistência acima da média para ultrapassar as dificuldades com que se depararam. A missão da empresa é produzir videojogos originais de alta qualidade para as plataformas da próxima geração, com uma abordagem voltada para o mercado internacional e a empresa, actualmente sedeada no Estoril, já garante trabalho a uma equipa de 13 elementos.

A burocracia, a falta de dinheiro e de recursos humanos qualificados para o negócio foram as principais dificuldades sentidas pela dupla de empreendedores. Para as ultrapassarem candidataram-se a um projecto comunitário — Sistema de Incentivos a Pequenos Projectos Empresariais — que permitiu a aquisição de equipamentos, «entre os quais um sistema de captura de movimentos que ainda hoje é único em Portugal e acelerou o processo de criação de personagem para videojogos», salientam. Rogério e Roberto realizaram ainda algumas candidaturas em incentivos para a contratação.

A empresa ainda não recuperou o investimento inicial e «neste momento possui um grande valor em investigação e desenvolvimento tecnológico, bem como em contactos com a indústria». Razões que levam os empresários a apontar 2007 como um ano de recuperação do investimento. Actualmente, explicam os empresários, «a empresa está a finalizar o protótipo jogável aguardado por várias editoras internacionais, depois do ‘feedback' positivo obtido na maior feira internacional desta indústria em Los Angeles».

Em breve terão uma nova injecção de financiamento de 1,6 milhões de euros que permitirá concluir o videojogo a tempo de ser comercializado antes do Natal de 2007. Para Rogério Silva, «esta não é uma área de negócio fácil e é muito competitiva, pelo que exige um esforço financeiro elevado no arranque». Mas mesmo sabendo que se trata de um meio «onde só vencem os melhores» acredita que, com profissionalismo e persistência, é possível vencer nesta industria e colocar Portugal na rota da produção mundial de videojogos.

BI EMPRESARIAL

Nome: Move Interactive, SA
Promotores: Roberto Varela (29 anos); Rogério Silva (23 anos)
Sócios investidores: PME Investimentos e Fundo Madeira Capital/ Newcapital
Ano da criação: 2001
Sede: Estoril
Área de actividade: produção de videojogos originais, de alta qualidade, para as plataformas da próxima geração, tendo como meta o mercado internacional
Público-alvo: jovens dos 15 aos 30 anos, amantes dos videojogos Investimento inicial: 150 mil euros (55% a cargo dos promotores)
Postos de trabalho criados: 13
Sítio na Internet: www.move-interactive.com





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