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Detecção de incêndios tarda a chegar

Uma empresa nacional concebeu um sofisticado sistema de detecção de incêndios que permite poupar largos milhões de euros. Apesar de inovador, os espanhóis foram pioneiros na aquisição dos aparelhos. A NGNS assinou agora um protocolo com o governo civil de Santarém
16.08.2009


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Marisa Antunes
É simples, é eficaz e pode poupar milhões. Chama-se Forest Fire Finder (FFF), é um avançado sistema tecnológico que permite detectar incêndios em menos de cinco minutos e foi concebido pela NGNS-Ingenious Solutions, uma empresa portuguesa que tenta há três anos demonstrar a validade do seu projecto na prevenção de fogos. Num país tradicionalmente fustigado pelas chamas — até 31 de Julho já tinham ardido 21 mil hectares de floresta, o triplo do ano passado —, com os consequentes custos ao nível de área consumida, habitações incendiadas e vidas perdidas, tem sido uma dura batalha para a NGNS sensibilizar as autoridades nacionais para este sistema que custa 60 mil euros por cada 70 mil hectares de área.

Apesar do interesse demonstrado por entidades de todo o país, apenas o governo civil de Santarém apostou, até agora, no FFF, tendo instalado o sistema em dois locais estratégicos no concelho de Ourém.

O tão propalado choque tecnológico, uma das bandeiras do Governo de Sócrates, acabaria por se revelar uma miragem para os dois sócios da NGNS, Pedro Vieira e João Matos, ambos com formação na área da física tecnológica. Apesar da indiferença nacional, o projecto nascido na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Nova tem atraído as atenções em diversos países como Espanha (com sistemas instalados na Andaluzia e Galiza), Irão, China, Malásia ou Uruguai.

“Em 2003, um ano fatídico de incêndios em Portugal, foi o ponto de partida pois começámos a pensar em processos que permitissem detectar os fogos precocemente, uma vez que os sistemas tradicionais têm uma baixa eficácia nessa detecção. Estudámos sistemas do mundo inteiro e falámos com várias entidades relacionadas com a questão para saber exactamente quais eram os problemas que existiam”, explica João Matos.

O Forest Fire Finder acabaria por tomar forma pouco depois. Através de sensores atmosféricos é possível detectar nuvens de fumo orgânico (aquele que resulta da queima das árvores) num raio de 15 quilómetros. Além dos sensores, o aparelho é munido de câmaras que patrulham 24 horas por dia o terreno, fazendo ‘varrimentos' de 360 graus. Em Ourém, um dos sistemas está colocado no castelo e o outro na torre da igreja na localidade do Casal dos Bernardos.

Uma vez detectado o fogo, num período que não excede, por regra os cinco minutos, são enviados alertas via SMS, com respectiva imagem da coluna de fumo e localização do incêndio, para as autoridades responsáveis como os bombeiros, a GNR ou a Protecção Civil.

“A taxa de sucesso dos alertas do FFF é muito superior aos 90%, comparativamente ao sistema tradicional de vigilância, que ronda os 3%. Não achamos que se deve dispensar os vigilantes florestais mas essas pessoas seriam provavelmente mais úteis na limpeza das matas do que numa torre de vigilância, oito horas por dia, onde as temperaturas atingem os 40 graus”, realça o administrador da NGNS.

Segundo as estimativas feitas pela empresa, “bastariam cerca de 300 aparelhos para cobrir as áreas florestais do país, um custo aproximado a 30 milhões de euros, um valor bem mais baixo que os 100 milhões gastos por ano com os incêndios em Portugal”, lembra João Matos, que confessa a sua frustração quando assiste pela televisão às cenas, infelizmente, habituais, de incêndios de norte a sul do país. “Sinto que poderíamos estar a ajudar a prevenir a dimensão dos incêndios, pois quanto mais depressa for dado o alerta, mais depressa os bombeiros chegam ao local. Sem custos elevados de utilização de helicópteros e aviões, sem perdas de vidas e de habitações”, remata ainda o responsável da NGNS.

Santarém aposta forte na prevenção

Atentos à prevenção de fogos e não só, o governo civil de Santarém adquiriu há pouco mais de duas semanas dois aparelhos FFF que vêm reforçar o Sistema de Informação Geográfica (SIG) implementado no distrito há ano e meio. Este é assim mais um investimento do governo civil para tentar inverter as imagens de má memória, que todos os anos entram através da televisão, das chamas a lavrar em Mação, Sardoal ou Ourém.

“Houve vários factores que pesaram na nossa decisão de avançar com o FFF: a principal tem a ver com a validade do sistema per se, que é bastante inovador e vem reforçar a nossa capacidade de intervenção precoce. Depois, é tecnologia e investigação nacional. Faz sentido apoiar a inovação tecnológica nacional”, sublinha Carlos Catalão, chefe de gabinete do governador civil de Santarém.

O sistema de detecção de incêndios vem complementar o Sistema de Gestão de Integrado de Gestão de Emergências de Santarém (SIGES) que está a funcionar há cerca de ano e meio e que se tem destacado no panorama nacional de prevenção de acidentes. Este sistema de Informação Geográfica é um completo instrumento de apoio ao planeamento e à decisão pois concentra, através de aplicações informáticas, uma detalhada base de dados que cruza informações a vários níveis.

Desde os acessos alternativos a utilizar pelas autoridades em caso de incêndios ou evacuações devido a cheias, por exemplo, até ao registo actualizado das condições atmosféricas (fruto de um protocolo com o IST), e que permite saber ao momento se existem riscos de incêndio em determinados locais. Existe também informação útil em relação aos sinistros automóveis, o que facilita a visualização de forma clara dos pontos negros das estradas do distrito (o que ajuda nas correcções dos percursos), até ao registo actualizado de ocorrências criminais, o que transmite a ideia dos focos de criminalidade. Pela sua utilidade e potencialidade, o SIG de Santarém foi premiado num convénio em San Diego, nos Estados Unidos. “Veio confirmar que estamos ao nível dos melhores do mundo. Foi muito gratificante”, enfatiza Carlos Catalão.

O sucesso da experiência já levou a Autoridade Nacional de Protecção Civil, a lançar um concurso de forma a dotar os restantes 16 governos civis do país (além de Santarém também o Porto já tem o seu SIG) de um sistema semelhante.





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