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Crise do segmento industrial

15.02.2003


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Cátia Mateus, Fernanda Pedro e Ruben Eiras

A CRISE económica está a causar mossas no sector do trabalho temporário, em particular no segmento industrial. Segundo os especialistas contactados pelo EXPRESSO, o negócio naquele nicho de mercado teve uma quebra estimada entre 20% a 30%. Em contraste, os sintomas de desaceleração ainda são pouco visíveis no sector terciário.


De acordo com João Lourenço, director da empresa de trabalho temporário Atlanco, "os efeitos da crise já mostram o seu impacto no sector do trabalho temporário". Para aquele responsável, no caso específico da empresa que dirige, "a crise não é ainda muito notória, mas posso dizer que estamos a crescer menos do que no ano passado".

O sector que mais se tem ressentido com a actual conjuntura do país, explica, "é o industrial, nomeadamente no ramo automóvel". Um panorama que segundo João Lourenço não é nada favorável às empresas de trabalho temporário, já que segundo o responsável "cerca de 50% do trabalho temporário estão ligados ao ramo industrial". O sector do comércio e serviços é, até à data, aquele que menos se tem ressentido com a crise.

Para João Lourenço, não há dúvidas de que "a conjuntura que se vive desde o último trimestre de 2002 irá continuar a limitar a actividade das empresas até, pelo menos, meados do corrente ano".
Contudo, o responsável avança que "quando as empresas se adaptarem à situação será um bom momento para o trabalho temporário, já que antes de arriscarem novas contratações vão apostar nos trabalhadores temporários". Talvez por isso, a estratégia da Atlanco para resistir à crise passe por não deixar de investir na sua expansão geográfica em Portugal. É que desta forma, diz João Lourenço, "quando a retoma do mercado chegar, estaremos prontos para lhe dar resposta".

Especializar a diversificação

Apesar do crescimento gradual que o trabalho temporário registou nos últimos anos no país, também para Mário Costa, administrador-delegado do grupo Select/Vedior, "o mercado global está neste momento a ser afectado, embora no caso da nossa empresa a diversificação esteja aliada à especialização. Este foi o factor que nos forneceu um crescimento acima do mercado".

Aquele responsável acredita que o trabalho temporário é a melhor solução para garantir às empresas o dimensionamento adequado às necessidades do mercado e da competitividade.

Por isso, Mário Costa não hesita em assumir o trabalho temporário como uma ferramenta pragmática para assegurar a necessária resposta, em termos de flexibilidade e adaptabilidade dos recursos humanos, aos ciclos económicos e embates conjunturais. Para este responsável, a melhor forma das empresas de trabalho temporário enfrentarem a actual conjuntura é apostarem na qualidade dos seus serviços, da sua equipa e da metodologia aplicada.

Mas a dimensão da escala empresarial continua a ser um escudo contra os maus ventos da economia. Para a Adecco, uma das maiores multinacionais do sector, a actual conjuntura económica não está a causar grande impacto na actividade.

Sentir a crise em "primeira mão"

Para Blas Olivier, director-geral daquela empresa, o trabalho temporário "é uma área que está permanentemente em situação de crise". Isto porque segundo este responsável, "os trabalhadores com contrato de trabalho temporário, dado o seu enquadramento legislativo, afiguram-se como uma das franjas da força laboral que sente sempre, e em primeira mão, as consequências de crises económicas".

Os sinais do desemprego não deixam de se fazer notar e Blas Olivier avança que "o acréscimo significativo do número de desempregados tem vindo a provocar um aumento das inscrições nas diversas delegações que a Adecco possui de norte a sul do país". Uma tendência de mercado que atenua o impacto da desaceleração económica.

A Adecco foi uma das empresas que seguiu a estratégia da diversificação especializada. "Apostamos fortemente em diversificar no 'outplacement', formação e 'outsourcing'", revela.

Rui Quinhones, director-geral da Tutela, do grupo Egor, também sente a crise no sector fabril, "onde a actividade desceu cerca de 25%". As regiões mais penalizadas por esta inversão do mercado são o centro do país e a cintura industrial do Porto.

Todavia, o sector terciário está a atravessar este período praticamente incólume, "pelo menos até agora", ressalva aquele responsável. Com efeito, segundo Rui Quinhones, a Tutela registou um crescimento em 2002 de 64%.

Mas a aterragem é quase inevitável neste ano. "Claro que vai haver alguma contracção no mercado de trabalho e só as pessoas com uma boa qualificação intermédia é que se poderão adaptar a outras funções", reitera. Para criar uma "almofada" contra a crise, Rui Quinhones revela que a Tutela também apostou na diversificação da actividade.

Todavia, para Blas Olivier, a actuação da Adecco em Portugal não tem sido afectada pelas oscilações económicas, mas sim pela ilegalidade que campeia no mercado. "São necessárias acções inspectivas mais frequentes às empresas de trabalho temporário que prevaricam e aplicar penas severas".




 


 

 







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