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Competências atraem multinacionais

Competências atraem multinacionais

Um número crescente de multinacionais estão a escolher Portugal para instalar os seus centros de competências e mesmo os investimentos mais antigos já realizados no país estão a ser alvo de expansão. As reconhecidas qualificações e competências técnicas dos portugueses e o seu custo competitivo face a outros mercados figuram entre as razões desta aposta.

28.02.2014 | Por Cátia Mateus


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Localização estratégica e elevada qualificação dos recursos humanos a custos competitivos são grandes aliciantes para um número crescente de multinacionais, maioritariamente tecnológicas, que estão a investir em Portugal criando centros de competências que atuam a uma escala europeia ou até mesmo global. Nos últimos meses somaram-se os exemplos de norte a sul do país. O mais recente é o da Fujitsu que está a reforçar a estrutura que já detinha em Portugal. Maria da Guia Andrade, responsável de recursos humanos do Centro de Competências da Fujitsu em Lisboa, fala num aumento de contratações de 50% este ano que fará o centro alcançar a fasquia dos 900 colaboradores.

Quando em 2005 a Fujitsu decidiu colocar Portugal no seu mapa de centros de competências, implantou no país uma pequena equipa de apenas 12 elementos. Hoje, o Global Delivery Center Lisboa (GDC) integra 600 profissionais e prepara-se para contratar mais 300 este ano. A estrutura ganhou um grande impulso de expansão a partir de 2008, na sequência de investimento de 10 milhões de euros da casa-mãe e da mudança de instalações. Maria da Guia Andrade confirma o crescimento continuo do centro e enfatiza que “dependendo de alguns novos clientes que poderão ser anunciados em breve, estimamos que o centro possa crescer este ano cerca de 50%, até aos 900 colaboradores”. O reconhecimento internacional das boas práticas implementadas no centro da Fujitsu, os bons resultados alcançados por atuais clientes e o facto de ser um centro bilingue que dá suporte a mais de 17 línguas são fatores que têm contribuído, na opinião da diretora de Recursos Humanos, para o crescimento desta estrutura e para as novas metas de contratação.

Tipicamente, a Fujitsu recruta 40 a 50 novos profissionais a cada ano. “A obtenção de um novo cliente motiva, invariavelmente, o crescimento e redistribuição dos nossos recursos, por forma a garantir equipas de primeira-linha polivalentes e com elevada experiência e formação”, explica. Este ano, Maria da Guia Andrade admite um reforço superior à média anual. O centro regista uma taxa de rotação entre 10 a 12% a cada ano. Um fator diferenciador face a outros centros que registam habitualmente taxas mais altas e que para a diretora está sustentado numa política de progressão na carreira motivadora e sustentada. Sem levantar o pano sobre as perpetivas futuras do centro de competências da Fujitsu, Maria da Guia confirma apenas que a tecnológica está apostada em continuar a atrair investimento estrangeiro para Portugal, tanto mais que esta internacionalização de competências representa um alargamento das oportunidades de emprego no país.

A Fujitsu não é a única a defender este potencial. A Siemens Portugal que está em pleno processo de reforço do seu Centro de Competências com 150 trabalhadores tem neste momento 40% dos seus colaboradores nacionais afetos aos centros de competências e quer, a médio prazo, contabilizar 1000 colaboradores envolvidos nesta atividade. O Centro Global de Operações da tecnológica a nível mundial, sediado em Portugal, vai desenvolver softwares estratégicos para a Organização Siemens e vai exportar a 100% serviços de valor acrescentado, com recurso a uma equipa de profissionais altamente qualificados, recrutada em Portugal. Numa primeira fase estão disponíveis 150 vagas. O número deverá duplicar a breve prazo. Vocacionado para a área de corporate automation, o novo centro – o 13º da empresa em Portugal – vai desenvolver plataformas de suporte à dinâmica interna da Siemens que serão utilizadas nos 196 países onde a multinacional alemã atua. Os vários centros da tecnológica em Portugal operam a nível mundial em áreas de competência que vão desde a energia, às infraestruturas, saúde e serviços partilhados. Empregam mais de 700 colaboradores e desde o início da sua atividade são responsáveis por um volume de negócios de mais de 400 milhões de euros.

A sueca Ericsson também está a reforçar a sua aposta nesta área. A empresa, eleita recentemente como a Melhor Empresa para Trabalhar em Portugal, pela revista Exame em parceria com a Accenture, está a consolidar a estratégia do seu líder, Pedro Queirós, de chamar a atenção para as competências dos profissionais portugueses. A tecnológica ganhou recentemente um concurso interno para a criação de um Global Competence Center que atuará a nível mundial na área de GPON (Gigabit Passive Optical Networks), a tecnologia utilizada na área da fibra ótica. Pedro Queirós não revela para já o número de profissionais que a criação da nova estrutura implicará, mas fala em “algumas dezenas”. O fundamental para o líder é potenciar a imagem de Portugal e da sua competência na área dos centros de serviços lá fora.

Em qualquer destes casos (e em tantos outros que o país detém) os recrutamentos incidem sobre profissionais altamente qualificados, maioritariamente na área das engenharias, a quem é dada uma formação técnica muito específica e contínua. A seleção de recursos é feita não só com base no percurso técnico, mas também nas designadas competências invisíveis ou de valor relacional. Integrar as equipas da Fujitsu, Siemens, Ericsson ou de outras estruturas semelhantes implica domínio perfeito de vários idiomas, exímias capacidades de comunicação, forte orientação para a resolução de problemas e disponibilidade para uma aprendizagem constante.

No radar dos Empregadores
Além da Fujitsu, da Siemens e da Ericsson, várias multinacionais (como a Accenture ou a BizDirect) têm vindo a somar centros de competências em território nacional. De norte a sul do país há potencial de emprego num setor onde é possível internacionalizar conhecimento e competências técnicas, sem sair do país. Para entrar no radar destes empregadores o seu perfil tem de ir além das competências técnicas e marcar pontos, muitos pontos, nas competências invisíveis.

Competência linguística, capacidade de comunicação, orientação para o cliente, capacidade de aprendizagem e “vontade de ser mais e melhor”, são as competências mais valorizadas por Maria da Guia Andrade quando recruta para a equipa da Fujitsu. A diretora de Recursos Humanos enfatiza que o objetivo principal de qualquer centro de competências é “a resolução de qualquer problema dos clientes, em primeira linha, através de uma equipa dinâmica, altamente qualificada e focada na satisfação do cliente”. Razão pela qual, as designadas soft skills assumem uma relevância determinante nos perfis a recrutar.

Para integrar uma destas equipas, tem de ser solution oriented (orientado para a solução), tem de trabalhar em equipa, ser proativo e estar focado numa aprendizagem constante. Em termos técnicos, o maior enfoque destes recrutamentos vai para a área das engenharias e das tecnologias de informação, ainda que no centro de competências da Fujitsu, se dê grande relevância a licenciados em áreas como as línguas.



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