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Coimbra distingue neurocientista

30.01.2004


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João Barreiros e Ruben Eiras

CONSIDERADO um dos mais eminentes neurocientistas da actualidade, Fernando Lopes da Silva foi o escolhido pelo júri do Prémio Universidade de Coimbra, que este ano cumpre a sua primeira edição. Radicado há mais de quarenta anos na Holanda, este catedrático da Universidade de Amsterdão nunca perdeu a ligação a Portugal, exercendo funções docentes no Instituto Abel Salazar da Universidade do Porto, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e no Instituto Superior Técnico, onde coordena a licenciatura em engenharia biomédica.


O júri sublinha que o premiado tem tido uma carreira multifacetada, "como cientista, professor, líder de vários serviços de ensino e investigação e cidadão activo civicamente". É, por exemplo, vice-presidente de uma organização premiada em 1985 com o Nobel da Paz, a International Physicians for the Prevention of Nuclear War, cujo principal objectivo é chamar a atenção para os perigos de uma guerra nuclear.

Lopes da Silva disse ao EXPRESSO ter sido surpreendido com a distinção, destacando a "honra de receber um prémio deste género, sobretudo por ser o primeiro". Apesar de estar já aposentado, este docente e investigador continua ligado a uma série de projectos, nomeadamente à investigação da epilepsia.

"A investigação decorre em dois planos: por um lado procuramos saber porque é que certos cérebros se tornam epilépticos; e por outro estamos a tentar ver se encontramos forma de antecipar os ataques epilépticos", explica. Trata-se de uma matéria que irá explicar brevemente num congresso internacional que decorrerá em Portugal.

Outra das investigações em que participa tem a ver com o relacionamento entre as funções cerebrais e as funções cognitivas. Neste caso, "pretende-se estudar os mecanismos do cérebro que respondem às funções cognitivas, sobretudo às funções relacionadas com a memória".

Na Holanda, além do seu trabalho como docente, foi director do Instituto de Neurobiologia da Universidade de Amsterdão e presidente do Conselho Científico do Center for Neurogenomics and Cognitive Research, possuindo um elevado número de trabalhos científicos publicados.

PORTUGAL ainda continua na cauda da Europa no que toca ao emprego de valor acrescentado. De acordo com um estudo do Eurostat, em 2002, somente 15% da população activa trabalhava na área científica e tecnológica, enquanto que a média europeia se situa perto dos 30%.

Além disso, apenas 11% da força de trabalho doutorada laborava numa profissão relacionada no sector da ciência e tecnologia e em 2001 somente 7,1% dos jovens portugueses optaram por cursos relacionados com a ciência - física, química ou biologia, por exemplo. Todavia, há sinais de mudança - existem cerca de 3,4 doutorados por cada 1000 habitantes da faixa etária dos 25 aos 29 anos.

Um valor que está acima da percentagem média europeia, que é de 2,9. Ou seja, existe um núcleo significativo de "cérebros" dentro da nova geração - uma boa herança do consulado de Mariano Gago. No entanto, apesar deste crescimento, segundo Lopes da Silva, Portugal ainda não possui as condições para rentabilizar o potencial de inovação desta nova safra de doutorados. Este é o próximo desafio.

A nova geração

Questionado sobre o estado da investigação em Portugal, o premiado responde que ela é limitada em termos de pessoas e de dinheiro mas tem, em certos casos, qualidade internacional, e acha que há agora muito mais condições do que há quinze anos: "Há possibilidades muito limitadas mas muito superiores às que existiam. Houve um salto qualitativo de grande importância sobretudo desde o tempo de José Mariano Gago".

Ideal mesmo seria "dar condições para que mais investigadores pudessem vir do estrangeiro, mas isso não tem sido feito", refere Lopes da Silva.

Quanto ao sistema de ensino universitário português, o catedrático da Universidade de Amsterdão qualifica-o como frágil, destacando boas iniciativas, mas pontuais. Membro da Comissão de Avaliação das Faculdades de Medicina, Lopes da Silva julga que "a nova Faculdade de Medicina de Braga, por exemplo, é um projecto bastante interessante".

O prémio Universidade de Coimbra foi instituído em Dezembro através de um protocolo entre a instituição e o grupo bancário Totta e tem um valor de 25 mil euros, pretendendo distinguir uma personalidade portuguesa que tenha desenvolvido um trabalho relevante nas áreas da cultura ou da ciência. O galardão será entregue a Fernando Lopes da Silva no próximo dia 1 de Março, altura em que a Universidade cumpre os seus 714 anos de vida.





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